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1.4.12

Uma estrela caída mas reluzente!

 

Em tempo algum na história do cinema, existiu uma actriz que transmitisse tanto glamour, tanta iconologia que Marilyn Monroe. A estrela que brilhou cintilantemente pelos lados de Hollywood, o qual tanto explorou a sua figura irresistível e sedutoramente inocente no grande ecrã ao máximo, sendo uma das mais cobiçada e requisitadas protagonistas da sua época. Mas ao contrário da sua aparição cinematográfica doce e brilhante, Marilyn Monroe na vida real (poderemos com respeito chama-la de Norma Jean Mortenson, seu nome verdadeiro) era uma figura desequilibrada, frágil e insegura. A sua baixa auto-estima levou-a a uma depressão prolongada com que fez a sua dependência de antidepressivos e calmantes, as rodagens dos filmes eram problemáticos devido às radicais alterações de humor da actriz e da sua falta de concentração. Começando com uma infância triste e ausente dos seus país até a relacionamentos sem futuro, Marilyn Monroe foi assim um anjo caído, a figura fabricada por Hollywood como também a sua vítima predilecta, porém ninguém nega a sua influência e o brilho de uma das actrizes mais famosas e incólumes da Historia do Cinema.

 

 

My Week With Marilyn de Simon Curtis não é uma biografia cinematográfica da referida estrela de cinema, mas é sim um conjunto de memórias de Colin Clark e a sua experiencia algo amorosa com Monroe, uma adaptação de um livro da sua autoria escrito em 1995. Clark (aqui desempenhado por Eddie Redmayne) foi o terceiro assistente do realizador nas rodagens do filme “The Prince and the Showgirl” que reuniria a famosa estrela com Sir Laurence Olivier, que executava também a tarefa de dirigir a fita. No início da produção, Marilyn Monroe sentia-se perturbada, sendo quase difícil de contracenar, interessou-se pelo jovem Colin Clark, o qual se tornou muito intimo. O jovem confidenciou a milionária actriz e conseguiu com que ela terminasse o filme.

 

 

O maior e indiscutivelmente trunfo da fita de Simon Curtis é o desempenho de Michelle Williams, que consegue recriar uma Marilyn Monroe que é ao mesmo tempo perdida como também estonteante. Até podemos quase jurar que vemos em Williams um freeze frame de Monroe, principalmente nas sequências em que se recria algumas cenas da fita “The Prince and the Showgirl”, que por cá recebeu o título de O Príncipe e a Corista. Pessoalmente, penso que Williams merecia a estatueta de melhor interpretação feminina na última gala dos Óscares, prémio, esse que “caiu” nas mãos duma também gloriosa Meryl Streep em The Iron Lady.

 

 

No elenco secundário podemos também contar com o excelente Kenneth Branagh, que verdade seja dita, não existiria outro actor na actualidade para reproduzir o incontestável Laurence Olivier. Ambos são grandes adeptos das obras de William Shakespeare como também são de um profissionalismo artístico valorizado quer como actores como também realizadores e produtores. Judi Dench faz uma pequena aparição, mas é valiosa, Emma Watson está no bom caminho para se tornar numa futura grande actriz, ela é uma perfeita “must see”. Por fim temos Julia Ormond a representar uma filosófica Vivien Leigh, para quem desconhece foi a famosa actriz de obras como Gone With The Wind e A Streetcar Called Desire.

 

 

Todavia My Week With Marilyn pode assemelhar-se a um telefilme de luxo, porém a sua narrativa é cativante, mesmo que o início seja um pouco “ronhas” e retardado. Mas logo quando Williams (aka Monroe) entra em cena, a fita consegue tecer uma sedutora oferta, onde o espectador parece perder-se na tragédia de Marilyn enquanto figura mediática até aos fantasmas de alguns dos actores de renome de outrora. Porém a grande fraqueza do filme é mesmo Eddie Redmayne, mais entusiasmado em transmitir carisma do que concentrar-se no seu papel, o qual parece apagado e á deriva. Outro ponto fraco, porém mais culpa do facto de ser uma adaptação de memórias é a concentração de inúmeras personagens secundarias sem valor para a história porque simplesmente não possuem manobra para desenvolvimentos.

 

 

My Week With Marilyn é um magistralmente bem desempenhado filme (no geral) que se concentra a decifrar uma das figuras mais lendárias do cinema. Para os fãs da actriz Monroe este é de facto um dos filmes a ver a todo custo, mas é aos adeptos de cinema em geral que o conselho é maior. Em suma: tal como a personalidade central, My Week With Marilyn é frágil, mas fascinante.

 

Real.: Simon Curtis / Int.: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Julia Ormond, Kenneth Branagh, Emma Watson, Toby Jones, Judi Dench

 

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:29
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