Real.: Ridley Scott
Int.: Denzel Washington, Russell Crowe, Cuba Gooding Jr., Carla Gugino, Chiwetel Ejiofor
Josh Lucas (Denzel Washington), foi decretado como o homem mais perigoso que passeia nas ruas de Nova Iorque, dono de um produção ilegal de heroína, o qual vende o seu produto a metade do preço mas a dobra da qualidade, deixando qualquer rival de fora. Richie Roberts (Russel Crowe) é aquilo que chamamos uma raça em vias de extinção, poderá ser o último dos polícias honestos, lidera uma unidade especial de narcóticos que tem como objectivo “caçar” Josh Lucas.
Finalmente vi American Gangster, o que foi para mim um dos filmes mais esperados do ano, o que resume automaticamente em juntar o veterano realizador Ridley Scott, ultimamente com uma maré de pouca inspiração, e dois talentosos actores, um deles é considerado por muitos, como por mim, um senhor que pisa os passeios de Hollywood, nada mais, nada menos que Denzel “Two Óscares” Washington. Ridley Scott decidiu apostar num filme de gangsters e recorrer á veia herdada pelos colossos de Francis Ford Coppola (O Padrinho), Martin Scorsese (Tudo Bons Rapazes) e até mesmo Sergio Leone (Era Uma Vez Na América), preenchendo o imaginário do espectador com referências, imagens glorificantes e frases de ficar no ouvido.
O filme de Scott é de um rigor técnico invejável, mas sob a capa de perfeccionismo, esconde um desejo enorme de se tornar num clássico como aqueles referidos e nisso este tenta agendar-se num costume modelar aos demais. O que falta ao filme do realizador de Blade Runner é de facto alma, e nisso o filme não a consegue encontrar, apenas convertendo num objecto académico de requinte. O que o filme realmente tem de melhor é o facto de apresentar Denzel Washington juntamente com Russel Crowe depois de ter passado 12 anos desde Assassino Virtual de Brett Leonard, um filme hoje recordado por juntar dois colossos da interpretação americana.
É Denzel Washington que nos assegura o filme, com talvez a sua encarnação mais violenta desde de Dia De Treino, é de facto notável ver um actor cuja preferência é polícias triunfantes a desempenhar um mafioso que recorre á violência de uma normalidade alarmante. Enquanto isso, Crowe utiliza o conceito de Serpico, como talvez o único polícia honesto numa interpretação que também merece elogios. Quando os dois actores surgem no mesmo ecrã, o clima automaticamente torna-se pesado e de fulgor messiânico, tornando-se assim uma das cenas mais memoráveis da fita.
A realização de Scott é entusiasmante, até certo ponto, principalmente na parte final em que o filme descarrila numa quebra de ritmo avassalador. American Gangster é um dos mais importantes filmes norte-americanos do ano, mas aviso desde já que não é uma obra-prima, mas sim um entretenimento adulto o qual não deve ser comparado com filmes incontornáveis do género como O Padrinho de Francis Ford Coppola.
6/10 ***
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