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Take
28.1.12

L' Apollonide (Souvenirs de la maison close)(2011)

 

 

Casa da tolerância!

 

Do realizador de Tiressia (2003), Bertrand Bonello concretiza assim este relato narrativo de um bordel na transição do século XIX e XX, no seu auge até à sua última noite de “vida”. Esse mesmo último acto é demonstrado sob um cinismo extravagante e deveras fetichista. Apollonide é um objecto de fascínio que nos revela uma natureza sedutora ao mesmo tempo bizarra. Porém quase pedagógica no que requer a explicitar o funcionamento das tais casas de prazer. Bonello contou ao seu dispor um leque de actrizes sensuais e bem familiarizadas com a câmara, sem medo do pudor face às sequências que se seguem (nada mais explicito que puro softcore), o autor consegue invocar a sensualidade sob os seus cenários barrocos e em certa altura, tal como magnifico Venus Noir de Abdellatif Kechiche, presentear com a veneração do grotesco. L' Apollonide (Souvenirs de la maison close) funciona como uma obra interessante no requerimento visual e cénico, sempre suscitando fascínio. Infelizmente, apesar da mostra, este novo filme de Bertrand Bonello é algo anoréctico em termos de ênfase dramática e cede nas proximidades do final a um cariz artístico demasiado metafórico que descritivo. Apesar de tudo, eis um filme que aufere alguma dignidade à chamada "profissão mais velha do Mundo". L’ Apollonide esteve em competição no último Festival de Cannes.

 

Real.: Bertrand Bonello / Int.: Hafsia Herzi, Céline Sallette, Jasmine Trinca

7/10

 

Streetdance 3D (2010)

 

Step Up da hora do chá!

 

Eis a resposta britânica ao sucesso de Step Up, Streetdance é um festim em 3D das marginais coreografias de dança que ao contrario do seu primo norte-americano, possui ao seu dispor um nome prestigiado na produção, Charlotte Rampling. A actriz participa no filme como uma professora de uma reconhecida academia de ballet que encontrou nas danças de rua a solução para restauração do aureolo da escola. Streetdance é, previsivelmente, constituído por todos os lugares-comuns dos filmes do subgénero de dança, ainda por cima, minado por clichés típicos do puro íntegro hollywoodesco. Nesta produção, ousadia e audácia é factor inexistentes. Porém, deve-se afirmar que Streetdance 3D encontra-se uns pontos acima do rival norte-americano (o que não quer dizer muito, mas …), porque aposta numa construção mais convincente da sua trama, mas tal como o seu congénere continua a comportar-se como um produto vazio e oco em termos de personagens.  Mas em contrapartida é menos espectacular no próprio campo de jogo - as danças. Tem ainda a acrescentar um 3D desnecessário, o qual se pode salientar como atractivo para os vibrantes da arte da dança Freestyle. Típico produto adolescente!

 

Real.: Max Giwa, Dania Pasquini / Int.: Charlotte Rampling, Nichola Burley, Richard Winsor

4/10

City Island (2009)

 

As mentiras têm perna curta!

 

 A “brincadeira” desta fita de Raymound De Felitta (Two Family House) encontra-se nas mentiras e peripécias que cedo se transformam num caos cómico sob a capa de um drama familiar. City Island apresenta-nos os Rizzos, uma família intrinsecamente afastada, o qual não partilham as suas inspirações e segredos. No centro desta família está Vince (Andy Garcia), um guarda prisional que descobre o seu filho perdido no estabelecimento em que trabalha, este o acolhe e leva-o para casa, mas esconde a sua identidade à sua família e a este. Do outro campo temos Joyce (Juliana Margulies), a mulher de Vince, que pensa que o seu marido tem um caso amoroso, porém este frequenta aulas de representação. Vivian (Dominik Garcia-Lorido) convence os pais que é uma estudante universitária, mas esta foi expulsa e trabalha como uma stripper num bar nocturno e para finalizar, o membro mais novo dos Rizzos, Vinnie Jr. (Ezra Miller) tem um fetiche sexual que esconde de tudo e de todos. Como se pode verificar, City Island reúne uma intriga algo rebuscada, enclausurada numa certa veia cómica de teor negra, mas que no fundo resulta numa peça hilariante, igualmente cativante e emocionante. Não apenas pelas peças da teia de mentiras juntarem-se de forma simbiótica e o clímax ser mortífero, mas pelos actores serem convincentes e profissionais. Andy Garcia está de parabéns, mas por um lado é triste saber que o actor de The Godfather III e de Havana parece ter ficado limitado a este tipo de personagens estereotipadas.

 

Real.: Raymound De Felitta / Int.: Andy Garcia, Julianna Margulies, Steven Strait, Emily Mortimer, Alan Arkin, Dominik Garcia-Lorido, Ezra Miller

6/10

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publicado por Hugo Gomes às 20:29
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