O Gato que deixou o Ogre!
Shrek está para a Dreamworks Animation como o Rato Mickey está para os estúdios da Walt Disney, e com o ogre verde que surgiu em 2001 origina-se assim um universo ainda por explorar. E então que após três sequelas de grande êxito, eis que surge o spin-off de uma das personagens que partilham o dito espaço com estrelar monstro verde, O Gato das Botas.
Tal como havia sido feito nas animações do estúdio, Puss in Boots é uma irreverência do famoso conto de Charles Perrault em combinação com outras histórias infantis como O Pé de Feijão de Benjamin Tabart, mas muito mais que isso é uma tentativa de lucrar com o personagem criado como sidekick nas aventuras de Shrek. Com isso o famoso Gato das Botas protagoniza uma aventura com toques e referências ao subgénero western e aproveita-se de todos os efeitos da voz de Antonio Banderas para concretizar um mundo referencial envolto da figura de Hollywood. Por mais estranho que pareça esta manobra financeira torna-se assim num entretenimento para tudo e todos que não vergonha ninguém, para além de mais indicia uma maturidade do estúdio em criar novas histórias e saber aplica-las no grande ecrã.
Puss in Boots tem todos os ingredientes que sempre nos fizeram gostar das produções animadas da Dreamworks, é alegre, de espírito aventureiro, ousado, amontoado de gags sendo que muitos deles são executados apenas como menções, graficamente impecável, vozes famosas mas cativantes e personagens de mesmo adjectivo. Mas neste filme nota-se a maturidade que vimos crescer ao longo dos anos, é que por vezes Puss in Boots esquece do espírito endiabrado e conduz automaticamente para uma vertente dramática quase clássica. É que quando realmente o filme de Chris Miller (um dos principais tarefeiros da Dreamworks Animations) deve puxar á emoção e a cativação, o consegue não da forma exemplarmente clássica digna de um filme da Pixar mas de uma ligeireza saudável e bastante acolhedora.
O resto é mais palha para enriquecer o universo de Shrek, aproveitando a onda das sequelas e spin-offs do estúdio. Trata-se de uma animação competente, de boas referências e de personagens bem desenhadas. Destaque para as vozes e química entre Antonio Banderas e Salma Hayek (só por este conjunto já é uma piscadela a uma certa obra de Robert Rodriguez – Desperado).
Real.: Chris Miller / Int.: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton
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