Real.: Ang Lee
Int.: Eric Bana, Jennifer Connelly, Sam Elliot, Josh Lucas, Nick Nolte
Com um passado terrivelmente chocante mas porém esquecido, Bruce Banner (Eric Bana) é um cientista de pesquisa dos efeitos secundários dos raios gama juntamente com Betty Ross (Jennifer Connelly), que outrora tiveram um caso. Ao reparar o gammasphere, aparelho usado para aplicar a radiação gama em animais, Banner tem um acidente e recebe uma grande quantidade desses mesmos raios, ficando milagrosamente ileso, aparentemente. Os efeitos secundários desse acidente surgem quando Banner se enerva ou exprime as suas emoções, devido a isso o seu corpo modifica, tornando numa espécie de monstro.
Primeiro de tudo, confesso que tenho uma pequena admiração por Hulk,o qual nunca chego a considera-lo na verdade um super-herói; ao contrário de outros como Spider-Man, Batman e os X-Men que usam os seus poderes (ou gadgets) de forma controlada em protecção dos civis ao contrário de Hulk, que nunca soube controlar os seus poderes e exibi-os como um martír da era nuclear. Aliás Hulk é uma espécie equívoco desse mundo, pondo numa categoria completamente á parte, num anti-herói, aprisionado á sua "benção".
Quanto ao filme, este realizado por Ang Lee, que é tudo menos um clipper ou um realizador experiente em marketing ou em filmes de adolescentes, é uma espécie de paradoxo. Por um lado como simples objecto de entretenimento ou de adaptação do Comics, Hulk de Ang Lee desilude, não possui acção suficiente, é ausente dos moralismos do universo dos super-herois de comics como em Batman ou Spider-Man e a personagem principal, supostamente o "bom da fita" do seu legado de banda desenhada, apresenta-se infiel á matéria prima e de classificação antagonica em relação ao seu meio ambiente. Mas por outro lado como filme de autor, este Hulk surpreende. Por estranho que pareça, Hulk não foi vocacionado a qualquer público jovem que se preze, sim tem sequências de acção e explosões (em doses pequenas), pirotecnia e efeitos especiais mas até chegar ai, o filme envolve-se numa narrativa demasiado longa e filosófica. Lee optou por homenagear as histórias aos quadradinhos dando uma passagem de frame (ou cena) através da exibição de quadrados como um comic book se tratasse, é bonito de se ver, mas dá uma sensação de fast forward.
As interpretações estão bem sólidas, destacando para Jennifer Connelly a vencedor do Óscar de Melhor Actriz em o galardoado A Beautifull Mind de Ron Howard, até mesmo o desconhecido Eric Bana dá-nos alguma profundidade dramática e fieldade á personagem de ego de Hulk. Com certeza que num filme onde a inspiração seguiu de um comic, é surpresa ver tão boas representações! Os efeitos especiais são estrondosos, as batalhas já não (como se pode ver na decepcionante coreografia da batalha final) e a banda sonora composta pelo mundialmente famoso Danny Elfman transmite-nos uma sinistralidade impressionante.
Em suma: Hulk não é bem um comic, é uma lavagem muito oriental a um famoso personagem desse universo apelidamente imaturo. Perdeu a essência de espectáculo, mas ganhou assim uma profundidade dramática apta. Só pena que em certos momentos os efeitos especiais descaradamente tentem pertencer á narrativa, dando a sensação que tenta agradar a gregos e a troianos.
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