Int.: Margarida Vila-Nova, Nicolau Breyner, Antonio Cerdeira, Ruy Cravalho, José Raposo, Alexandra Lencastre, Rita Blanco
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Sofia (Margarida Vila-Nova), mãe solteira de dois filhos, tem dois empregos, de dia trabalha num supermercado e de noite num bar de alterne. È no bar que conhece o Sr. Presidente (Nicolau Breyner) – o seu nome nunca é revelado – líder de um clube de futebol. Os dois se envolvem e começam a viver uma vida juntos, uma vida repleta de mentiras, intrigas e muita corrupção.
Portugal em busca do sucesso fácil numa adaptação de um livro semi - biográfico que causou polémica entre a sociedade e “atormentou as aguas” no seio do mundo do futebol português. O livro que estou nomeadamente a falar é de Eu, Carolina, escrito por Carolina Salgado que retrata alguns episódios da sua vida vividas com um presidente de um clube de futebol com redes corruptas, mas passemos adiante a qualquer tipo de polémica em termos de partidos, opiniões e seguimos para a critica de agora muito bem sucedido filme português.
Produzido por Alexandre Valente, o mesmo de um crime chamado O Crime Do Padre Amaro, que marcou como o maior sucesso comercial do cinema português (por enquanto), contrata inicialmente João Botelho para adaptar o livro para filme, mas as situações não saíram muito simpáticas. A obra inicial de Botelho não agradou muito ao produtor, que fez com este manifestante vários cortes e uma mudança drástica da banda sonora, tendo como resultado a saída irada de Botelho e um filme “órfão” de realizador. Na fita, o resultado também é relevante, o qual existe um desequilíbrio entre o artisticamente e a puramente colagem apressada, onde a noção de história é esquecida com tanto louvor.
Tal como o seu antecessor (O Crime Do Padre Amaro), Corrupção tem o grande defeito de possuir um vasto leque de actores consagrados portugueses, ou meramente conhecidos através de novelas ou series de TV, mas o seu todo é inutilizado, ora vejamos os casos de Alexandra Lencastre e Rita Blanco reduzidas a meras decorações que não servem para mais nada sem ser para preencher o cartaz com os seus nomes, o resto resume entre o descartável e o inexplicável. Como estamos perante de um filme comercial á portuguesa, temos direitos a várias distracções que enriquecem o filme como um produto de lixo; cenas sexuais saídas de um vulgar filme pornográfico, alguma cultura popular á mistura e personalidades que todos nós conhecemos, mas que no filme são personificados em outras personagens.
Em termos de interpretações, estas variam entre o esforço em vão ou o ruizinho, na primeira poderá incluir um Nicolau Breyner sem sotaque e António Cerdeira, atacado pelo estereótipo da sua personagem, quanto a ruizinho está Margarida Vila-Nova, num registo quase teatral e pouco realista, invadido por excessivos tiques manhosos, é um actriz exclusivamente televisiva e trabalhar em televisão não significa totalmente que seja apta para longas-metragens cinematográficas, que apesar das boas criticas da sua interpretação, não me surpreendeu de todo, mas isso também pode se culpar os argumentistas que tentam reduzir a personagem de Sofia a um poço de honestidade. Corrupção é um filme totalmente falhado, vai ser um grande sucesso de bilheteira em português, ninguém duvida isso, mas pediria um pouco mais de qualidade em vez de tratar o “tuga” num rato que come apenas lixo.
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