Real.: Robert Zemeckis
Int.: Ray Winstone, Angelina Jolie, Robin Wright Penn, Anthony Hopkins, John Malkovich
È a recriação do mitológico conto de um terra amaldiçoada por um monstro de nome Grendel, que aterroriza e mata os seus habitantes. Desesperado, o rei Hrothgar (Anthony Hopkins), lança um desafio, quem matar a besta, poderá auferir de todas as suas riquezas. E é no longínquo horizonte do oceano que surge Beowulf (Ray Winstone), conhecido mundialmente como um matador de monstros e herói.
Primeiro de tudo quero alertar, que apesar de Beowulf apresentar como um filme de animação, não deve de facto ser assistido por crianças, existem demasiadas cenas de violência, eróticas e sexuais, até mais que muito outros filmes com o rotulo de “mature audience”, e o facto de ter visto na sessão em que estava presente, varias crianças acompanhadas com os respectivos pais, o qual pensavam estar perante em desenhos animados comuns e que no final mostraram indignados com a liberdade criativa que o filme apresentava para as suas crianças, relembrado o mesmo que ocorreu com a estreia de A Casa Fantasma (2006), em que muitos pais reclamaram do filme ser impróprio para as suas respectivas crianças por ser demasiado assustador, o que sugere que em Portugal ainda continua a assistir o preconceito de que os “desenhos animados” são sinónimos de “criançada”.
Beowulf é a última palavra em termos de animação, todos os gráficos foram resultante de um processo conhecido como “stop-motion”, o qual os actores além de dar a sua voz às personagens, ainda “emprestam” o seu corpo aos avanços tecnológicos, que resumem a fatos com um amontoado de fios, que transferem os movimentos dos actores, como também as suas expressões a um computador, que o resultado dá-se por um realisto avassalador. Quem se lembra se Andy Serkis com um fato parecido para poder interpretar o eterno Gollum? Robert Zemeckis aposta e continua pioneiro na arte do “stop motion”, que cada vez afirma como o futuro do cinema, depois de ter realizado Polar Express e ter produzido a meias com Steven Spielberg o filme Monster House (A Casa Fantasma), Beowulf é o terceiro filme com este tipo de tecnologia, mas até agora é o único a assumir como um entretenimento adulto e a beneficiar totalmente destes avanços tecnológicos.
Estamos perante um ano sobrecarregado no que se trata a heróis épicos, Ghost no falhado Pathfinder de Marcus Nispel, Leónidas e os seus 300 espartanos em 300 e agora Beowulf, como o melhor exemplo de conto mitológico, rico nesse aspecto, tal como diálogos epopeicos e um argumento fresco, emotivo, violento, sexy e acima de tudo adulto, quer na psicologia das personagens, quer na dimensão da narrativa. Pode assemelhar aos anteriores 300, além de possuírem um arrojado grafismo visual, Beowulf marca pontos em relação ao congénere, por apostar numa solidez de personagens e riqueza argumentativa e não apenas violência com estilo embalado com um arrebatadora fotografia como 300.
O elenco é deveras impressionante e chamativo, mesmo que muitas personagens apareçam por tão pouco ou não possuem o destaque merecido, falo de Robin Wright Penn que sempre fora prejudicada nos filmes anteriores, o qual nenhum deu o seu devido valor artístico, em Beowulf ela encontra aqui o seu melhor papel, mesmo que por vezes atribuísse como uma mera decoração. John Malkovich e Anthony Hopkins mostram uma vontade desarmante e incólume. Ray Winston, aqui como Beowulf, a sua primeira vez como um protagonista a serio, é um herói de alto calibre e da velha escola, que refere muitas vezes a sua face humana, ou seja imperfeita com um misto de coragem ou bravura de ficar pouco a dever de Leónidas (de novo 300), onde o sotaque nórdico do actor é um sucesso na sua caracterização e estilo.
Como também não poderia deixar de falar em Angelina Jolie, que muito se ouviu falar da sua participação nesta animação, tendo como uma posse tão sexy, que somos obrigados a aclamar que em Beowulf (preconcebidamente um desenho animado), Jolie encontra aqui todo o seu rigor de sex simbol em um sensualidade nunca vista, não é pelo facto de andar no filme nua, a sua voz também ela de mesmo adjectivo eleva todas as cenas em que surge como as melhores de todo o filme. Beowulf poderá ser muito bem o futuro de cinema, que muito anda a preocupar a maior parte dos actores, pela artificialidade que o cinema poderá a vir ter. Por enquanto, o filme de Robert Zemeckis é um triunfo tecnológico e um esplendor como entretenimento cinematográfico, onde dá nova vida aquilo que chamamos de experiencia cinematográfica. A plasticidade só apenas á flor da pele, porque Beowulf é por enquanto o melhor blockbuster do ano, se não o mais interessante, quer visual, quer argumentativo.
PS – recomendo ver em 3D para usufruir de toda magnitude desta experiencia, e recuperar o nostálgico cinema em 3D.
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