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4.2.11

Eastwood vira vidente!

 

Clint Eastwood é um dos maiores e mais clássicos artesãos de Hollywood, iniciou a sua carreira no mundo do cinema em 1955 com um pequeno papel no filme de ficção cientifica de Jack Arnold, Revenge of the Creature, desde então cresceu tendo participado em inúmeras peças televisivas e pequenos filmes até chegar ao género que lhe concedeu a fama – o western.

 


Como realizador, praticou a modalidade pela primeira vez em 1971, numa curta documentaria de nome The Beguiled – The Storyteller, sobre o realizador Don Siegel que trabalhou em Dirty Harry (que lhe ofereceu um dos seus papeis mais célebres) e a longa-metragem Play Misty for Me. O seu trabalho atrás das câmaras fora reconhecido inúmeras vezes quer pelo público, pela crítica e pelos galardões, nomeado três vezes ao Óscar de Melhor Realizador, pela primeira vez em 1993 com Unforgiven, Mystic River em 2004 e em 2005 com Million Dollar Baby (onde venceu a categoria, também foi nomeado para Melhor Actor).

 

 

Recentemente Eastwood dirigiu a sua chamada auto-retrospectiva com Gran Torino (2008) e o seu olhar aos acontecimentos de 1995, o Campeonato Mundial de Râguebi na África do Sul e a importância da figura de Nelson Mandela em Invictus (2009), nesta ultima obra trabalhou com o actor Matt Damon, o qual volta a cooperar neste novo projecto – Hereafter. O actor que ficou marcado pelo grande público na sua encarnação Jason Bourne na sua trilogia de sucesso, desempenha um homem que trabalhou como vidente, mas que repugna essa vida próxima da morte, é uma das peças chave deste filme mosaico que retrata com certa curiosidade do autor no tema de vida após morte e da proximidade dela nos seres vivos.

 

 

 

O argumento foi escrito por Peter Morgan (The Queen, Frost/Nixon) em influência da perda de um amigo, que o levou a questionar as finalidades da morte e de certa forma entrar nas “perguntas sem resposta” que muitos questionam – “será que existe algo mais para além do suposto fim?”. Os escritos foram lidos por Steven Spielberg que logo após do sucedido recomendou Clint Eastwood a dirigi-lo, já que o autor sempre exteriorizou o tema da morte na sua filmografia, lembremos por exemplo o medo de envelhecimento de Walt Kowalski em Gran Torino e a eutanásia em Million Dollar Baby, mas nunca o interiorizou de forma literal, sendo esse território desconhecido para o autor. Hereafter – Outra Vida pode ser equiparado como uma obra menor de Eastwood, tudo porque o realizador não consegue sentir a aura sobrenatural e incógnita do tema, ao invés disso tenta humanizar os factos, sendo tal factor o seu forte, o de trazer profundidade dramática aos seus personagens.  

 

 

Matt Damon tem um desempenho dramático, mas fora do extraordinário, o actor conhecido entre o público é controlado pelo seu ego inseguro e ainda imaturo para o papel. A fita ainda conta com as actrizes Bryce Dallas Howard, com a sua melhor prestação desde Manderlay de Lars Von Trier, é verdade que mesmo estando de certa forma ofuscada não se compara o ensombramento que tem sido alvo em fitas recentes como Spider-Man 3 ou Terminator, e por fim Cécille De France, uma das actrizes de maior sucesso da França, tendo participado nos êxitos L’Auberge Espagnole (Cédric Klapisch, 2002) e Haute Tension (Alexandre Aja, 2003), também esteve presente na produção hollywoodesca Around the World in 80 Days (Frank Coraci, 2004), sendo Hereafter o regresso ao cinema americano, e com a melhor interpretação do filme. Destaque também para os jovens gémeos McLaren que compõe Marcus e Jason, uma das forças centrais do drama desta película.

 

 

 

Curiosamente a obra de Clint Eastwood é uma das primeiras grandes produções norte-americanas a referenciar a tragédia de 2004, o tsunami que abalou a Indonésia. Os efeitos visuais que retratam o fenómeno natural de colossais dimensões foram nomeados para o Óscar de efeitos visuais devido á sua aterradora e realista caracterização. Hereafter é para todos os efeitos um filme de Clint Eastwood, mas não o que estamos habituados.

 

O melhor – A coragem de Eastwood em aventurar-se em géneros que não lhe pertence

O pior – sabendo que o veterano autor já fez bem melhor

 

 

Real.: Clint Eastwood / Int.: Matt Damon, Bryce Dallas Howard, Cécille de France, Frankie McLaren, George McLaren

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:10
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