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26.12.10

Mr. Butterfly!

 

Têm-se declarando ultimamente que George Clooney sabe realmente escolher os seus papéis, mostra conhecimento aos realizadores que deve trabalhar, que géneros se deve submeter e quais as personagens se deve comportar. O actor que brilhou em Ocean’s Eleven de Steven Soderbergh Three Kings de David O’Russell (num tempo em que jogava pelo seguro do êxito), muitas vezes comparado com o mítico actor Cary Grant, lançou-se pelas teias do artístico, sendo para além dos filmes de teor independente ou de autor que tem participado, exibiu ainda a sua veia de realizador com Confessions of a Dangerous Mind e Good Night and Good Luck. Neste ultimo chegou a ser indicado ao Óscar, um retrato reflector de uma América sob paranóia, um denso e bem orquestrado filme que contraria tudo aquilo que poderiam apelidar ou prever nos contagiosos casos de “actores com mania de autores”.

 

 

Sendo na verdade um dos homens mais influentes de Hollywood, George Clooney é a estrela da nova fita de Anton Corbijn, o realizador do aclamado Control que pairava como um biopic alternativo do vocalista dos Joy Division, Ian Curtis. A fita chama-se The American, como referencia à alcunha que a personagem de Clooney adquiriu, um hitman profissional que encontra refúgio numa pequena cidade italiana.

 

 

The American é quase um impostor, não no mau sentido, mas a verdade é que se faz passar por aquilo que não é e que nem se esforça ser, ou seja, tirando as teimas, a fita de Corbijn não se digna a ser nenhum primo afastado de Jason Bourne  ou até mesmo da adaptação cinematográfica do videojogo Hitman, já que referimos assassinos sob contratos. O que The American representa é um bolero do cinema de acção. Um thriller que invoca o drama humano do seu protagonista (Clooney encontra-se imaculado no seu papel) e realça uma reflexão às moralidades de um hitman, como um retrato da sua vida solitária e ausente de elos. Porém se o protagonista é humano o suficiente para elevar esta fita alternativa de acção para outro nível, infelizmente parece ser o único personagem num mosaico mal construído de secundários que mimetizam somente a figuração.

 

 

Sendo a sua narrativa lenta, detalhada e falsamente enganadora quanto ao clímax, The American poderá inequivocamente desiludir espectadores, que tal como havia referido, procuram um acompanhamento para as suas pipocas, mas surpreenderá quem julga estar perante em tal facto. Anton Corbijn consegue articular um modelo clássico mas longe da influência hollywoodesca, tornando neste supostamente exemplar de acção num dos mais estimulantes filmes independente norte americanos. Um outsider do seu próprio sistema.

 

"All the sheep in my flock are dear to me. But some are dear the most. Especially those that have lost their way."

 

O melhor – a lentidão pormenorizada da narrativa

O pior – não se destacar quanto às personagens secundárias

 

Real.: Anton Corbijn / Int.: George Clooney, Irina Björklund, Lars Hjelm

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 14:41
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3 comentários:
De Pedro a 27 de Dezembro de 2010 às 12:21
Bom dia,

O Cinematograficamente Falando está novamente em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Boa continuação!

Pedro


De Diogo Figueira a 27 de Dezembro de 2010 às 12:48
Sem dúvida, um grande trabalho de Clooney (dos melhores) e mesmo do Corbijn - planos muito bons, uma óptima fotografia, grande atmosfera. No entanto, não acho que falhe pelas personagens secundárias, mas sim na ausência de motivações para tudo o que se está a passar. O que é que eles lhe querem ? Porque o querem matar ? Porque não o mataram antes ? Quem era a mulher com quem ele está ao início, se lhe imprime tal sentimento de desolação e abandono mas é rapidamente esquecida, por uma prostituta ? Entre outras.


De Gustavo a 31 de Dezembro de 2010 às 17:45
Não digo que o filme seja mau, mas não acontece praticamnete nada, tens razão os trailers eo s posters enganam e muito


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