Real .: Francis Ford Coppola
Int.: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Bill Campbell, Monica Bellucci
Outrora humano, um grande guerreiro que lutava em nome de Deus, Dracula (Gary Oldman), agora “monstro”, vive a eternidade á espera da reencarnação do seu grande amor Elisabeta (Winona Ryder), que suicidou durante a sua vida humana devido a uma carta falsária que apresentava Dracula morto no campo de batalha, poucos dias de ele ter seguido para a guerra santa. Em pleno século XIX, Jonathan Harker (Keanu Reeves) viaja até Transilvânia em negócios para que o agora Conde Dracula assina-se um comprovativo de compra de uns terrenos em Londres. Durante a sua estadia no castelo do mesmo, apercebe de ocorrências estranhas, ainda mais quando Dracula encontra uma foto da noiva de Harker, Mina Harker (Winona Ryder). Convencida ser a reencarnação de Elisabeta, aprisiona Harker no seu castelo e viaja para Londres como objectivo de buscar a suposta reencarnação.
Realizado em 1992, Dracula de Bram Stoker não é um vulgar filme de terror, pelo contrário, é um derradeiro romance, porque até mesmo o pior dos monstros consegue amar. O realizador em questão é Francis Ford Coppola, o mesmo de filmes tão distintos e incontornáveis como a trilogia do Padrinho e Apocalypse Now, tendo os dois em comum algumas das melhores interpretações do emblemático Marlon Brando. Bram Stoker’s Dracula data 95 anos após a publicação do livro Dracula de Bram Stoker (1897), sendo um dos livros mais importantes da literatura internacional e um das mais vezes adaptadas ao grande ecrã; desde adaptações directas, reinvenções e algumas “bagunças”.
O filme de 1992 é hoje a mais sólida adaptação desse mesmo conto, onde Coppola traz a nós um conto gótico até á medula, erótico por vezes e como deve ser, pondo de lado qualquer artefacto puramente comercial, assim sendo classificado como terror adulto. Terror, mas o filme não se vinga por aí, por detrás dos monstros sanguinários, castelos pavorosos e blasfémias directa á cruz como obra do Diabo, esconde uma história de amor nunca vista, Dracula aqui retratado por Gary Oldman não se fica exclusivamente por um arquétipo malicioso ou uma reencarnação do Diabo “himself”, mas sim de um ser magoado pelas suas próprias crenças, traído por aquilo que lutava, ou seja Coppola representa Dracula da maneira mais humana possível, explorando os dois lados da consciência.
Mas infelizmente, Dracula de Bram Stoker não é um filme perfeito, muito devido a um ritmo irregular que é segurada com um elenco de luxo; Anthony Hopkins, Winona Ryder, Bill Campbell, Monica Bellucci, sempre exuberante, contudo Keanu Reeves volta a fazer das suas, com uma interpretação “puxada á base de picadas”. Para festejar o que de mais clássico tem um filme de terror e para quem pensa que é um género exclusivamente destinado a serie B, engana-se.
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