O outro lado de Sam Rockwell!
Na última gala dos Óscares, Jeff Bridges arrecada com o muito esperado prémio da Academia de Melhor Interpretação Masculina graças á fita de Scott Cooper, Crazy Heart, uma merecida homenagem de uma carreira com mais de cinco décadas. Porém é verdade que a concorrência desse ano não tenha sido variada, não digo com isto que o Óscar foi descabido nas mãos de Bridges, mas o grau de dificuldade na corrida desta mesma estatueta poderia ser muito mais interessante se as nomeações não fossem motivadas pela política e burocracias em demasia. A verdade que um dos melhores desempenhos masculinos desse ano como dos mais elogiados foi o de Sam Rockwell no filme estreante de Duncan Jones (filho do cantor britânico David Bowie), desde 2002 com a curta de ficção cientifica Whistler, o aclamado Moon – O Outro Lado da Lua, que por motivos de politica de estúdio não viu a sua chance de arrecadar a tão merecida nomeação e quem sabe mais!
Moon, não ignorando os seus dotes como filme por inteiro, se identifica como um ensaio do talento de Sam Rockwell, actor que surgiu em filmes singulares como Confessions of a Dangerous Mind de George Clooney e Chocke de Clark Gregg (ambos obras dirigidas por actores), que exibe aqui a sua versatilidade única e natural ao serviço da dualidade requerida para a sua personagem, literalmente é o único actor físico da fita, mas é também na realidade um one-man-show que faz de qualquer frame o seu brilho. Tirando Rockwell, só apenas Kevin Spacey que empresta a sua voz a GERTY, um robô em homenagem a HAL 9000 da obra-prima da ficção cientifica de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke – 2001: A Space Odyssey, e as gravações que surgem no ecrã da base espacial onde centra cerca de 90% da fita, preenchem Moon de se tornar isolado em termos de caracteres, contudo com isso lhe adquire um tom claustrofóbico que não deixará ninguém indiferente, Rockwell parece literalmente sofrer com o factor ao longo da narrativa, e não falo só em termos interpretativos.
A fita de Duncan Jones, uma revelação de entidade, foge do próprio conceito hollywoodesco de ficção científica, esquivando dos CGI e outros efeitos visuais e se reservar no artesanato dos práticos e cenários, mas para todos os efeitos Moon é esplendoroso no seu argumento (bem escrito por parte de Nathan Parker) e ainda mais no seu clima psicológico. Depois de 2001: A Space Odyssey de Kubrick, Moon é o próximo detentor da obra-prima da ficção científica daqui uns anos e Duncan Jones será o realizador visionário que se adivinha ser.
Real.: Duncan Jones / Int.: Sam Rockwell, Kevin Spacey, Matt Berry
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