Os pequenos e endiabrados monstros!
Em 1984 surge-nos um dos maiores êxitos de bilheteira do género de terror, trata-se do bizarro, mas conhecido Gremlins, uma parábola aos filmes de monstros que reúne comedia e momentos de terror, porém tudo direccionado para um campo mais familiar. Tudo se passa na época natalícia, Billy (Zach Galligan) que recebe um Mogway, uma criaturazinha chinesa bem animada. Porém para tomar conta deste”bicho de estimação” este terá que respeitar as três regras básicas da criatura: primeiro, nunca lhe expor á luz intensa, a luz do sol pode lhe matar, segundo, nunca mantê-lo ao contacto da água e terceiro e talvez a mais importante regra, nunca, mas nunca alimenta-lo depois da meia-noite, por mais que ele peça ou implora. Contudo, Billy quebrou por acidente as duas últimas regras, causando assim um caos na sua pequena e pacata cidade.
Steven Spielberg encontravam-se entusiasmados com o trabalho de realizador que Joe Dante concebeu em 1981, com a obra de terror The Howling, uma variante “slasher movie” com lobisomens ao invés de homicidas mascarados, onde o celebrizado director de Jaws e ET revelou ser fã. Devido a isso, o seu desejo de trabalhar com ele era muito grande que Spielberg “puxou alguns cordelinhos” para finalmente conseguir traze-lo para Warner Bros., assim sendo Joe Dante teria a sua mercê o argumento de Chris Columbus, que apenas havia anteriormente escrito Reckless (1984) de James Foley, o filme consistia numa variação negra e familiar que baseava no mito paranóico dos gremlins, que não era nada mais do que “piadas” envolto das avarias constantes das aeronaves durante a Segunda Guerra Mundial, culpando imaginários “homenzinhos verdes” que sabotavam as viaturas aéreas. Tais criaturas surgiram em duas curtas-metragens dos Looney Toones da Warner Bros., Russian Rhapsody (1944), que satirizava o próprio Adolf Hitler e Falling Hare (1943), que fora exibido no inicio do filme de 1984.
Gremlins (o filme) é por sua vez um entretenimento seguro que roga a credibilidade mesmo com um conceito bastante fantástico, e é sob um ambiente bem conseguido e negro é quando a fita compõe com doses generosas de humor e terror com um certo receio das faixas etárias recomendadas, sendo vítima de inúmeros cortes que “suavizaram” a violência da fita. Trata-se de uma história básica que explora a metáfora das pragas, destacando-se pela caracterização de suas criaturas, a utilização de marionetas mecânicas e as perfomances das mesmas como também o design dos ditos “gremlins”, submetidos a uma variação de Jekyll / Hyde, como também os improvisos do falecido actor Hoyt Axton (Randall Peltzer), talvez a melhor personagem do filme, porque de resto só mesmo “carne para canhão”.
Gremlins de Joe Dante é um dos mais bizarros filmes da época natalícia, um divertimento visual com uma sonante banda sonora de Jerry Goldsmith e deveras competente, poderá se não fosse a qualidade das pessoas envolvidas. Em 1990 foi produzido uma sequela, Gremlins 2 – The New Bach (1990), que apostou essencialmente no humor negro, nos dias de hoje existem rumores de um terceiro filme e com a reflexão dos dias de hoje é na probabilidade que as “marionentas” que deram tanta fama á duologia sejam substituídas por CGI.
“They're watching Snow White. And they love it.”
Real.: Joe Dante
Int.: Zach Galligan, Hoyt Axton, Frances Lee McCain
A não perder – a primeira cooperação Spielberg / Dante
O melhor – as marionetas
O pior – mesmo sendo divertido, é demasiado básico
Recomendações – Ghoulies (1985), Critters (1986), Gremlins 2 – The New Bach (1990)
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