Blockbuster do inicio dos 80!
Com a passagem de Jaws (1975) de Steven Spielberg, surge aquilo que denominamos de produções para massas ou “blockbusters”, hoje fonte vital do rendimento cinematográfico, outrora algo a desenvolver. Depois de o tubarão apavorar regiões costeiras de todo o mundo, quebrando recordes de bilheteira naquele quente Verão de 75 e originando um hype bem sucedido, entram em cena Superman (Richard Donner, 1978) e Star Wars (George Lucas, 1977) que fortalecem essa nova vaga de cinema. Porém o conceito de blockbuster não difere muito do estilo épico dos grandes clássicos, mas sim da maneira em que são produzidos tais fitas, apresentando características que possam agradar todo a vasta gama de espectadores, um dos factores desse mesmo estilo cinematográfico é de não apresentar tempos mortos ou mise-en-scene para desenvolver as suas histórias, toda a narrativa dos blockbusters deriva do mainstream, uma básica evolução histórica e da solidez das suas personagens. Contudo os blockbusters poderão se caracterizar como estrondosos êxitos de bilheteira, todavia seguido tal forma, fitas como Gone With The Wind (Victor Fleming, 1939) e Ben-Hur (William Wyker, 1959) poderiam ser incluídas nesse termo, nos dias de hoje o conceito de “arrasa-bilheteiras” consiste na sua relação orçamento / rendimento, e na grande aposta do marketing em redor á película.
Em 1981, estreia entre nós uma fita de teor épico que parece contrariar a brisa da sofisticação das grandes produções cinematográficas que se fazia sentir, Clash of Titans é nada mais, nada menos que uma fiel reconstituição de uma fábula grega, a história de Perseus, um herói que desafia os deuses e enfrenta a temível Medusa e o colossal Kraken, dois dos últimos titãs da Terra. Desmond Davis (realizador) e o argumentista Beverley Cross combina aqui, forças para trazer esta lenda mitologia á grande tela, mas a sua concepção é antiquada, algo como obsoleto, quer nos dias de hoje, quer na época onde foi concretizado, os efeitos especiais que sofrem uma rápida evolução no inicio dos anos 80, muito graças á influencia Spielberg e Lucas, são renegados por uma pratica quase rudimentar de stop-motion (na recriação das criaturas e outros, visionados por Ray Harryhausen que tem aqui o seu ultimo filme) e na fragmentação e sobreposição de planos que criam assim por exemplo, um cavalo alado a voar num céu azul ou um modelo stop-motion entre uma multidão de actores reais. Na sua concepção, Clash of Titans relembra a obra-prima de The Thief of Bagdad (1924) ou Jason and the Argonauts (1963), dois exemplos de épicos inovadores no requerimento dos efeitos visuais e sonoros, assim sendo a fita de Desmond Davis é corajosa e arrojada.
Quanto á sua estrutura dramática e narrativa, chegando muitas vezes a roçar a poesia teológica, Clash of Titans não é nenhum Satyricon de Federico Fellini, não conseguindo reproduzir na sua intrínsidade a cultura grega do mito, tudo aquilo que é representado na duração de 118 minutos de filme é nada mais, nada menos que pura homéricidade hollywoodesca, e não na sua melhor forma. No geral, sendo tratado com alguma leveza, Clash of Titans é um filme competente a nível técnico, cénico e interpretativo, tendo o “grandioso” Laurence Olivier na pele de Zeus, Jack Gwillim no pequeno papel de Poseidon (deus dos mares), Maggie Smith (viria a torna-se celebre na saga Harry Potter) na maliciosa deusa dos mares, Tetis, Burgess Meredith como Ammons, Neil McCarthy se converte no trágico Calibos (personagem reduzida a vilão de serviço nesta produção) e por fim Perseus é desempenhado por Harry Hamlin (com mais semelhanças a Luke Skywalker do que a um herói grego).
Aventura clássica de Hollywood, que não deslumbra nem sequer nos dias de hoje, nem na época que foi filmado, porém é sim, uma nostalgia ao mais primitivo do cinema fantástica. Destacando ser o ultimo filme produzido por Charles H. Schneer, produtor de inúmeras fitas de Sinbad e de Jason and the Argonauts.
Real.: Desmond Davis
Int.: Harry hamlin, Laurence Olivier, Maggie Smith, Neil McCarthy, Burgess Meredith, Jack Gwillim
A não perder – para ver antes do remake musculado de Louis Leterrier
O melhor – a ousadia em presentear o espectador com stop-motion enquanto o mundo piscava os olhos às mais avançadas técnicas trazidas pelos filmes de George Lucas e Steven Spielberg
O pior – é obsoleto mesmo para sua época
Recomendações – Jason and the Argonauts (1963), Satyricon (1969), The Thief of Bagdad (1924)
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