Domingo, 28 de Fevereiro de 2010
28.2.10

 

A estrada da miséria como também do amor!

 

O cinema tem certa adoração por ambientes apocalípticos que funcionam no seu meio como uma espécie de presságio e a não limitação da criatividade composto nos cenários que segundo as produções representam futuros críveis. Tais premonições cinematográficas são óptimas receptoras da apelação às audiências, sendo por essas e por outras que o romance de Cormac McCarthy – A Estrada – mais tarde ou mais cedo teria que ser adaptado ao cinema.

O vencedor do Pulitzer, prémios literários, o mesmo de No Country For Old Men (convertido em filme em 2007 pelos irmãos Coen, vencedor do Óscar de Melhor Metragem), é o poço de imaginação que remete-nos a um destino apocalíptico em que os recursos naturais parecem esgotar-se e a Humanidade entrou em colapso, porém a obra não se limita a descrever tal horror imaginário, nos tempos que decorrem é mais credível, mas sim utilizando uma miopia saudável no requer ao retrato de um circulo de afectos que se vêm envolvidos um pai (Viggo Mortensen) e o seu filho (Kodi Smith-McPhee) ao tentar sobreviver em tão bárbaro mundo.

O livro foi recomendado e homenageado pela própria Oprah Winfrey no seu famoso programa televisivo, em relação ao projecto cinematográfico caiu nas mãos do australiano John Hillcoat (do excelente The Proposition) que respeita fielmente a temática de tal obra escrita. As emoções, sentimentos, afecto e paternidade estão lá, representados pela surpreendente prestação de Viggo Mortensen, quer artísticos e físicos e a carinhosa interpretação de Smith-McPhee que consegue maleavelmente invocar o que de inocente esta Humanidade de McCarthy perdeu. Certas sequências como o banho do rio ou a prece no bunker – “Thank you people” – segundo a personagem Mortensen – são de extrema sensibilidade e de pura emoção humana que dificilmente deixará indiferente o espectador. Porém a fita de Hillcoat consegue também converter o lado cruel do livro, o que de pouco vemos do cenário degradado na película é transposto como uma crueza própria que com o factor humano presente consegue suscitar sentimentos que em fitas do mesmo subgénero como Mad Max ou I Am Legend não consegue.

Para além de Mortensen, que foi revoltadamente ignorado pela Academia neste ano e Smith-McPhee, a fita ainda conta com os desempenhos de Charlize Theron (numa personagem inútil), um profetizador Robert Duvall (irreconhecível), a miséria Michael K. Williams (comovente) e a esperança Guy Pearce, uma boa sonoplastia, outra adição na emoção fílmica e uma fotografia amargurada de Javier Aguirresarobe enriquecem esta jornada humana. Tal como sucedera com La Strada de Federico Fellini em 1954, a estrada representada não é nenhum percurso para um destino prometido, mas sim o estado de espírito de duas personagens, o que segundo o qual a maior das viagens é a distância entre duas pessoas, neste caso o afecto e amor profundo de duas diferentes visões de um Mundo decadente.

Real.: John Hillcoat

Int.: Viggo Mortensen, Kodi Smith-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Michael K. Williams

 

 

    

 

A não perder – um filme apocalíptico de máxima emoção

 

O melhor – Viggo Mortensen

O pior – quem pensar se tratar de uma variante de Mad Max ou I Am Legend

 

Recomendações – Mad Max (1979), Mad Max 2 (1981), I Am Legend (2007)

 

Ver Outras Fontes

Ante-Cinema – Critica : «A Estrada» - O Verdadeiro Apocalipse

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:31
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