Real.: William Friedkin
Int.: Ellen Burstyn, Linda Blair, Max Von Sydow, Kitty Winn, Jason Miller
Regan Teresa MacNeil (Linda Blair) é um criança adorável e extrovertida que do dia para a noite muda drasticamente o seu comportamento. A mãe, a actriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn), é a testemunha de fenómenos bizarros que envolvem a sua filha, inexplicáveis para a comunidade científica médica e psicológica. Até que um dia, alguém lhe sugere um exorcismo, e partir daí tudo faz sentido, Regan está possuída por algo maléfico que diz ser o próprio Diabo.
Depois de ter realizado o majestoso The French Connection (Os Incorruptíveis Contra A Droga) em 1971, o qual vence o Óscar de Melhor Realizador e Melhor Filme, William Friedkin realiza aquele que é o seu filme de marca, O Exorcista. Um conto negro e chocante, com doses grandiosas de terror e calafrio, sendo isto um dos marcos historicos do universo grotesco do terror. Mas nunca foi assim considerado, na sua estreia a critica o declarou como um filme doentio e mórbido, o que na altura não viriam a saber é que O Exorcista nos dias de hoje faz algo “inacreditável” pelo seu género, tal feito foi ter receber uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme, o que tendo em conta o género que representa é algo de notorio e reconhecivel, infelizmente não o venceu, mas conseguiu o a estatueta de Melhor Argumento Adaptado o que já é bastante bom. Mas falando a verdade, The Exorcist está muito longe de ser reconhecido somente pela sua presença nos cobiçados prémios.
Passado 30 anos, O Exorcista continua a ser um filme poderoso, envolvente de narrativa lenta e emocionante, coisa rara numa obra deste tipo nos dias de hoje, cuja maior parte confunde emoção com moralismo. Uma das grandes virtudes acerca do filme de 1973 é o facto de não tentar encontrar um explicação lógica para o sucedido, não querendo inventar uma desculpa nem recorrer flashbacks com historias grotescas ou traumas passados, a miúda foi possuída e pronto, não há informação donde o espírito veio, ou de quem pertencia, e isso dá um filme um clima de insegurança e incerteza, além de atribuir uma aura misteriosa e mítica. A realização segura de William Friedkin é um marco a destacar, sem qualquer tipo de “lavagem” de imagem ou manipulação da mesma, as filmagens é tudo a cru e isso reflecte em algumas cenas memoráveis, a destacar a sequencia quando o padre Merrin (Max von Sydow) chega a casa dos MacNeil para poder exorcizar a personagem de Linda Blair, uma luz vinda de um das janelas envolve Merrin, esta cena foi utilizada no poster promocional e até hoje é o seu símbolo de marca, o que reflecte na realidade se tratar duma cena bela e ao mesmo tempo assustadora e misteriosa.
O filme possui também umas excelentes prestações interpretativas, muitas delas também nomeadas para o Óscar graças a este filme, a destacar Linda Blair que é bastante credível como a possuída, mas também temos que admitir que a ideia de adicionar a voz de Mercedes McCambridge, mais conhecida como vilã do filme Johnny Guitar, para a voz do suposto “Diabo”, aterrador, se tornando até hoje num estereotipo para os filmes relacionados com possessão. Que juntamente com os efeitos práticos da altura, os famosos levitares, descidas das escadas e o torcer o pescoço, fazem da personagem de Linda Blair uma experiencia para a época e para os dias de hoje.
O filme inteligente de Friedkin junta ainda um conflito entre três sustentações teóricas do ocorrido; cientifica, psicológica e no final religiosa (exorcismo). São estas e por outras que The Exorcist é um ponto de tamanha importância na história do cinema terror, serão preciso mais 50 anos ou mais para fazer um filme destes. Destaque para a banda sonora; principalmente no conhecido Tubular Bell de Mike Oldfield.
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