Dois velhos camaradas numa … borrada!
Junta-se dois actores de prestígio e talvez na ideia de Hollywood se encontram um pouco ultrapassados: John Travolta e Robin Williams, juntos numa comédia familiar, só por isso já há algo que devemos temer. As comédias destinadas para a família são do produto menos imaginativo, tudo porque sátira não existe, motivo esse que não ofenda susceptibilidades e assim abrangendo uma compatibilidade de um maior número de espectadores e de todas as idades. Para piorar a situação temos o selo Disney, não que isso signifique má qualidade, mas quando falamos filmes da Disney temos que obviamente diferencia-los das animações que tanto nós conhecemos. Os filmes dos estúdios são manuais de bons costumes e moralidades e na maior parte dos casos são limitados em termos de espaço físico e psicológico das personagens e claro, tal como uma obra de Michael Bay o acenar da bandeira estrelar é mais forte que a própria historia. Old Dogs de Walt Becker, que volta a trabalhar com Travolta após o êxito de Wild Hogs, não ilude a tal teoria, temos o já referido John Travolta e Williams a sofrerem uma crise de meia-idade (Robin Williams não se endireita nos seus projectos, o tempo de Good Morning Vietname já passou há muito) com um argumento que vagueia todos os lugares comuns do género e os mesmos gags de sempre.
A história segue dois amigos de longa data, também sócios de uma companhia de marketing que acabam de fazer o negócio das suas vidas, porém um deles acaba de saber que é pai de dois gémeos de sete anos e devido às circunstâncias vividas, ambos são forçados a tomar conta das crianças.
Por estranho que pareça, não duvido das capacidades interpretativas da dupla protagonista, mas claro que uma coisa é trabalhar com amor á profissão, outra pelo cheque chorudo, e em Old Dogs se verifica a ultima, nenhum desempenho digno de registo nesta fita, mas quem quer saber? O público dirigido é outro, aquele que quer rir, esquecer dos tempos difíceis que vivemos, porém não é com esta comédia que os espectadores terão a sua dose. Tempos difíceis se resume a uma produção sem brilho, que funciona para o sucesso fácil e sem mérito, previsibilidade é a palavra de ordem. O resto do elenco tem incluindo Matt Dillon, que rouba toda as cenas, um estereotipo Justin Long, um sem chama Seth Green e o falecido Bernie Mac, que apesar da nostalgia não chama a atenção, Kelly Preston que brilhou ao lado de Kevin Bacon em Death Sentence de James Wan, desilude numa prestação pouco feliz.
È comédia barata que se tenta vender por “old school comedy”, diversão para família diz a Disney, um aborrecimento que esclarece que na realidade pouco ou nada de fresco existe para os lados de Hollywood, digo eu.
Real.: Walt Becker
Int.: John Travolta, Robin Williams, Seth Green, Kelly Preston, Matt Dillon, Justin Long, Bernie Mac
A não perder – se já viu Avatar nas salas de cinema mais que uma vez.
O melhor – o elenco apesar de tudo
O pior – uma reciclagem de formulas para ser gasta novamente
Recomendações – The Pacifier (2005), About a Boy (2002), The Kid (2000)
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