Respondendo á iniciativa lançada por Flavio Gonçalves do Flavio’s World e Roberto F.A. Simões do Cineroad, sobre a escolha das dez melhores obras da década 2000 – 2009. Porém como devem perceber é muito difícil escolher assim do nada, os dez filmes e ordena-los por qualidades, já que inúmeras obras marcarão diferentes anos, diferentes pessoas e exibiram distintas visões. Por isso decidi eleger as obras mais marcantes de cada ano, na minha humilde opinião, eis:
ANO 2000 – Memento (Christopher Nolan)
Hipnotizante, Nolan estreia aqui com uma narrativa insólita e revolucionaria seguindo a historia de trás para a frente, mas sempre preservando o clímax de um base linear e clássica. Foi também o filme que lançou Guy Pearce, apesar nestes últimos tempos o actor tem estado um pouco á nora com os projectos.
ANO 2001 – The Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring (Peter Jackson)
Jackson acabado sair do cinema trash e gore, concretiza a proeza de transportar o clássico da literatura de J. R. R. Tolkien para a grande tela e com a fidelidade preservada. Não só o realizador criou uma linguagem semi-perdida desde Gone With The Wind, como também a ressuscitação de um género, o verdadeiro épico. Esta jornada ao anel amaldiçoado (ou abençoado) teve dois segmentos em 2002 e 2003, tão bons como esta obra-prima do cinema. Lirismo, fantasia e muita aventura.
ANO 2002 – 25th Hour (Spike Lee)
Spike Lee é na opinião um realizador com demasiado ódio no coração para falar de temas como racismo e discriminação, porém este 25th Hour foi o seu filme mais inspirado. Edward Norton consegue um dos melhores desempenhos da sua carreira numa personagem que se encontra no limiar do bem e do mal, o ódio dessa mesma reflecte-se na do autor (Spike Lee) que a equilibra com uma América pós-11 de Setembro. São filmes como este que apercebemos que não existe nem Bem, nem Mal, mas sim escolhas e todos fazemos uma …
ANO 2003 – Oldboy (Chan-Wook Park)
Chan-wook Park recria o segundo capítulo da sua trilogia de vingança, desta vez utilizando por base uma famosa manga japonesa. Assim sendo temos uma função perfeita entre o toque nipónico com o cinema coreano, dando origem a um dos filmes mais fantásticos e surpreendentes importados do Oriente. Incrível visão de violência.
ANO 2004 – The Village (M. Night Shyamalan)
No final da década 90 o autor teve o seu auge como realizador e argumentista com The Sixth Sense, que assustou e surpreendeu audiências, porém é com The Village que Shyamalan desafia o publico para um jogo de ilusões, mas sempre com tino para as paranóias pós-11 de Setembro. O filme foi incompreendido nos EUA (como sempre), mas não deixa de ser dos melhores do realizador como também da década.
ANO 2005 – The Brokeback Mountain (Ang Lee)
Polémicas á parte, The Brokeback Mountain é sim, um dos maiores romances da década e de que o cinema nos deu. Homossexualidade é transcrito com delicadeza e sensibilidade pelo chinês Ang Lee e Heath Ledger compõe o Melhor Papel da sua carreira (eu sei que em The Dark Knight também está fenomenal). Cinema belo e sem tabus.
ANO 2006 – Little Miss Sunshine (Jonathan Dayton, Valerie Faris)
Quem é que disse que o êxito cinematográfico tem que ser só efeitos especiais, sucessos literários e sequelas, e porque não uma obra completamente independente. Little Miss Sunshine foi dos filmes indies mais bem sucedidos de sempre, foi também o filme que lançou os jovens actores Paul Dano e Abigail Breslin, e fez com que Alan Arkin (muito esquecido na altura) vencesse o seu Óscar de Melhor Actor Secundário. Um road trip cheio de comédia, drama e uma família igual a tantas outras.
ANO 2007 – Into The Wild (Sean Penn)
O regresso impensável do Homem á Natureza foi motive o suficiente para o actor e agora realizador Sean Penn transmitir para a grande tela a verdadeira alma selvagem do ser humano. Um filme que consagrou Emile Hirsch como um futuro grande actor e que nos presenteou de belíssimas paisagens do que ainda de selvagem resta o nosso Mundo. Uma obra-prima para a posteridade.
ANO 2008 – Gran Torino (Clint Eastwood)
Se Eastwood é uma das lendas vivas do cinema, então Gran Torino poderá ser de facto o honorário legado. Um filme simplista que nos remete a todos os tiques possíveis do cinema de Eastwood, e que nos confronta com a ousadia e da sabedoria de um velho e grandioso actor. Comovente o quanto basta, duro quando é preciso, Gran Torino é sim, o mais recente clássico.
ANO 2009 – Inglourious Basterds (Quentin Tarantino)
Foi muito difícil seleccionar um filme marcante neste ano que está quase a terminar, mas Inglourious Basterds foi talvez o fenómeno cinematográfico mais á conta. Longe da pirotecnia do maior êxito do ano – Transformers – The Revenge of the Fallen, da revolução técnica de Avatar, do histerismo de New Moon e do sucesso de Angels and Demons, The Inglourious Basterds triunfa porque simplesmente quer contar uma história com toda a originalidade e toque que Tarantino sempre nos habituou. Não é por nada, mas com este conto ambientando na “Guerra Nazi”, temos a sensação que ficaremos com um actor para a próxima década – Christoph Waltz.
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