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24.12.09

Andando sobre a vida!

 

Se hoje em dia se discute muito a importância dos efeitos visuais numa fita e a dita manipulação informática, é  verdade que a irreverência parece pertencer a obras como este Still Walking de Hirokazu Koreeda. Obras, essas, que nos consegue de tal forma exprimir o que demais primitivo e sincero tem a 7º Arte. É uma visão "despida" de qualquer ligação com as tendências de "cinema moderno", e a invocação dos modelos mais tradicionais do legado cinematográfico japonês. Aliás como este Still Walking evidencia em todo o seu esplendor, um regresso aos fantasmas de Ozu, quando o quotidiano da classe média e os elos de família são mais do que qualquer outro espectáculo tecnológico.

 

 

Sem ter devida relevância enquanto estreia no nosso país (a culpa dos órgãos de comunicação sociais cada vez mais dependentes das grandes produções norte-americanas ou do mediatismo), Still Walking é uma das mais belíssimas peças de arte cinematográfica e é porém a mais simplista que alguma vez vira este ano. Hirokazu Koreeda transporta-nos para uma ocorrência de 24 horas em que uma família, separada pelo espaço e pelo tempo, se reúne. durante esse convívio são exibidos os segredos, as maldições, as angústias e a tragédia que ainda reside no fantasma do ente “querido” perdido.

 

 

Sem qualquer auxilio à manipulação visual e marcada por uma tocante e delicada banda sonora de Gonchichi, Still Walking poderá servir para a nossa população como um estudo e comparações de costumes, o que de muito diferente e igual tem o quotidiano nipónico com a nossa tradição portuguesa, a começar pelo respeito do membro mais velho da família, que por exemplo e curiosamente para os orientais é o único que não pode ser contrariado e literalmente “perdoado” dos comentários que lança (algo perdido na civilização ocidental). Porém a esperança numa vida para além da morte é uma das similaridades que apresenta ambas culturas. O retrato familiar ainda nos descreve um realismo que só Koreeda consegue filmar, os diálogos estão entre o mais surreal e o partilhado, marcando também pela diferença do nipónico face por exemplo aos norte-americanos (os filmes que abundam nas nossas salas). No final ainda temos espaço para reflectir sobre a vida e morte, como também o que se encontra no meio de ambas – o legado - um pouco daquilo que o também belíssimo L' Heure d'Été de Olivier Assayas representou no inicio do ano.

 

 

Still Walking é assim, calmo, sereno, belo, delicado e simplista, fazendo dele, uma das curiosas e obrigatórias obras do ano. E tal como os nipónicos mais tradicionais, para vê-lo é preciso paciência e dedicação, só assim se consegue explorar as belezas dos frames e interagir com uma família que podia muito bem ser a nossa. O espírito de Yasujiro Ozu é homenageado da forma mais poética possível!

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You, Kazuya Takashashi, Shohei Tanaka

 

 

A não perder – quando os efeitos especiais não são precisos para encher o olho.

 

O melhor – a delicadeza de Hirokazu

O pior – como sempre, ignorado pelas distribuidoras

 

Recomendações – L’Heure d’Été (2008), Elizabethtown (2005), Tetro (2009)

 

10/10

publicado por Hugo Gomes às 00:17
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