Ao encontro de um Autor!
Após um trágico acidente, Mateo Blanco perde a sua grande paixão, como também sua visão, o antigo e celebre realizador de cinema assume assim uma nova identidade, Harry Caine, um argumentista cego que num ao ser visitado por uma “sombra” do seu passado, decide contar sua história ao aprendiz, Diego (Tamar Novas).
Pedro Almodôvar, um seguidor de mulheres como é muitas vezes apelidado, tem aqui o seu mais recente filme em que mais uma vez volta a reunir a sua paixão pelo cinema numa tela carregada de sentimentos e uma delicadeza que só o autor de Hable con Ella consegue dar. Apresentado no último Festival de Cannes como uma das estreias mais esperadas do ano, porém a sua recepção dividiu muitos face à sua visualização, mas ninguém consegue negar que Almodôvar já fez muito melhor com tal matéria-prima. Mas é isso que Los Abrazos Rotos se trata, não de uma obra definitiva, prima como querem chamar, mas sim a revisão de um artística face á sua filmografia, sendo assim é fácil identificar não só as referencias de outros filmes do autor como também a sua crescente paixão ao Mundo do cinema, presente nas alvejas dos eventuais filmes e personalidades favoritas de Almodôvar.
Esta entrada ao mundo almodovoriano leva-nos também ao encontro de inúmeras “estrelas” que povoam tal dimensão, Lluis Homar que vimos em Mala Educacion, Blanca Portillo (fenomenal) de Volver, o qual também faz parte Lola Dueñas (em Los Abrazos Rotos é uma leitora de lábios) também participou no intrínseco Hable con Ella (2002) e por fim a “musa” do realizador, Penelope Cruz, a revelar que é uma actriz e tanto.
Todavia mesmo com um conjunto de caras conhecidas das recentes obras de Almodôvar, estas não funcionariam se o autor assim não o permitisse, porque a verdadeira estrela encontra-se atrás das câmaras deste projecto, sendo assim temos um dos mais belos trabalho realizados este ano, a verificar a cena de dobragem da personagem de Penélope Cruz, um dos raros casos em que a poesia se converte em imagem. Los Abrazos Rotos é o ponto de encontro entre o espectador e um realizador que muito lutou para ter o seu cantinho cativo do Paraíso Cinematográfico.
Real.: Pedro Almodovar
Int.: Lluis Homar, Penelope Cruz, Blanca Portillo, Tamar Novas, Lola Dueñas
A não perder – para entrar na mente de um dos realizadores mais conhecidos internacionalmente
O melhor – as referências ao género cinematográfico e a cena da dobragem
O pior – ser considerado um filme menor do autor, que por um lado só confirma talento
Recomendações – La Mala Educacion (2004), Volver (2006), Hable Con Ella (2002)
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