Real.: John Curran
Int.: Naomi Watts, Edward Norton, Liev Schreiber, Toby Jones
Crescida no seio da sociedade nobre britânica, a fútil e mimada Kitty Fane (Naomi Watts) casa contrariada com Walter (Edward Norton) um bacteriologista. Os dois vão viver para Xangai, mais uma vez contrariada. Lá, Kitty viria a procura algo mais nos braços de Charlie Townsend (Liev Schreiber), o qual os dois têm um caso, que Walter descobre. Sem querer fazer escândalo, leva Kitty para uma remota aldeia chinesa atacada por uma epidemia de cólera. Enquanto o cientista faz o seu trabalho e tenta ajudar a população, Kitty começa a perceber os seus erros, e aos poucos dá mais valor a algo mais que seus bens e é que então um novo amor começa a despertar. O amor pelo seu marido (Walter).´
Todos adoramos uma bela história de amor, é verdade, temos tendência em acreditar em algo tão puro e sincero como esse sentimento. Esses, os romances, evoluíram muito pouco desde que William Shakespeare o revolucionou com talvez uma das melhores obras literaturias e dramaturgas inglesas, Romeu E Julieta, onde o autor introduz o sacrifício como a mais bela prova de amor, pode parecer triste, mas tal como Shakespeare retrata nas suas obras, não só em no famoso trabalho, um amor tão belo dificilmente resistirá em forma terrestre, devido a conflitos de etnias, religião, familiares, etc., tudo resume a um balanço entre as amas dos mesmos, só assim puderão ser felizes, porque se seguirmos a ideias do autor inglês, o amor verdadeiro é amar alguém mais do superficialmente, é abdicar tudo o que temos pela união das almas apaixonantes.
O cinema sempre adorou historias de amor arrebatadores e impossíveis, muitas vezes são os favoritos da Academia, ora vejamos clássicos como Casablanca e Tudo O Vento Levou, esses dois filmes por exemplo levam o sentimento quase ao extremo, podendo existir catástrofes ou guerras e crimes extremos, mas só o amor vivido entre o casal protagonista sobrevive a tudo, mas que raramente terminam juntos. Nos tempos mais recentes vimos The English Patience e Titanic como os derradeiros novo clássicos desses romances shakespearianos, só The Brokeback Mountain conseguiu reinventar esse mesmo conto através do uso da polémica e do preconceito dirigido por Ang Lee, enquanto isso o americano City of Angels e Message in a Bottle (baseado num romance de Nicholas Spark) continuam como os favoritos da categoria.
Quanto ao filme, a esquemática referida é utilizada, a calamidade humana está presente, mas ninguém parece saber, todas as atenções giram em volta da química obtida entre Edward Norton (um dos melhores actores da sua geração) e Naomi Watts (cada vez mais servida das grandes produções) num amor oportunista deslumbrado pelas duas boas interpretações, até mesmo Toby Jones dá uma ajuda, mesmo que a sua personagem não seja mais que uma extracção directa do livro de Somerset Maugham. A história não brilha pela originalidade, talvez não seja esse o seu forte, chegando mesmo ser previsível, tal como o seu final. Mas em termos técnico o filme é um apuramento dos sentidos. Belas paisagens chinesas cruzadas com uma bizarria desgraçada sem que seja muito gráfica ou gratuita e uma bela banda sonora, ausente de baladas mas com um requintado gosto clássico que combina com a graciosidade do filme.
O Véu Pintando chega mesmo a ser encantador, não é uma obra-prima nem um parente próximo de o Paciente Inglês em termos qualitativos. Talvez tenha mais significado ver acompanhado do que propriamente assistir sozinho no “escurinho do cinema”.
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