Lua Nova, mas para alguns …
Nos últimos dias tivemos a sensação que todo o interesse em relação ao cinema girou envolto da estreia de New Moon, comparativamente a uma seita religiosa. Baseada nas obras de Stephenie Meyer que publicou em 2005 o primeiro livro de uma saga de quatro já publicados best-sellers, Twilight consistiu como o pioneiro desta nova onda emo-vampirica, o qual o vampiro, essa criatura morta-viva antes concebida por Bram Stoker em 1897, torna-se num objecto de fantasia sexual, neste caso explorando essa vertente no lado mais feminino, criando aquele capricho de “namorado vampiro”.
Após um sucesso estrondoso nas livrarias, não podia obviamente faltar uma adaptação cinematográfica, quem assinou tal cobiçada matéria-prima foi Catherine Hardwicke que assina Twilight em 2008, explorando todos os elementos adolescentes de um básico “chick flick”. O filme como podem imaginar foi um êxito de bilheteira e sucesso ainda maior no seu lançamento de DVD, porém mesmo tendo tal relevância no mercado cinematográfico, o primeiro capítulo adquiria uma certa duvida como produto, sente-se “nervosismo” em falhar o alvo, o publico feminino, dando aquele ar de série B. Como certo, o sucesso de Twilight lhe contornou caminhos mais estimulantes no mercado cinematográfico, não é por estas nem por outras que New Moon conseguiu quebrar recordes de bilheteira, deixando para trás o seu rival Harry Potter. O segundo filme desta saga adolescente é assinada por Chris Weitz, que de certa forma quer recompensar assim próprio após o fracasso de Golden Compass (2007), a adaptação cinematográfica de um bem sucedido conto de Philip Pullman. O filme ao contrário do seu antecessor revela uma melhor crença em si próprio como produto, temos uma fita confiante, tecnicamente entusiasmante e falsamente poético, ou pelo menos tenta o ser.
New Moon acaba por ser mais electrizante que a prequela, talvez por um maior conceito de espectáculo e uma aposta crescente nas cenas de acção, o qual no primeiro falhava num eixo de 180 graus, a fotografia é sedutora e a sonoplastia da melhor qualidade, mas os defeitos desta obra estão ao mesmo nível que a anterior, sente-se o mesmo desequilíbrio narrativo, a mesma focagem, ou seja, temos a sensação que só existe três personagens neste Universo e um desperdício de talentos que põe qualquer amante de cinema com pele de galinha, vejamos Michael Sheen, Dakota Fanning e até Nikki Reed reduzidos a segundo plano. Quanto a Cameron Bright, o qual o nome está registado no elenco, encontra-se como mero figurante (verídico). Tudo porque a produção apenas queria oferecer ao público o que estas queriam ver, o triângulo amoroso composto por Edward (Robert Pattinson), que aclama homenagear James Dean com a sua interpretação, Bella (Kristin Stewart), que costumava ser a mais talentosa do trio encontra-se numa melancolia automática e Jacob (Taylor Lautner), obviamente a sua inserção é mais estético que artístico.
Concluindo e resumindo – The Twilight Saga: New Moon está mais próximo que uma telenovela juvenil que tanto abunda os nossos canais televisivos generalistas do que um filme de classe vampírica, o qual ao contrario da ignorância dos fãs, não tem qualquer sinonimo com essas criaturas centenárias.
Real.: Chris Weitz
Int.: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Nikki Reed, Michael Sheen, Dakota Fanning, Cameron Bright
A não perder – para quem verificar que os jovens de hoje se contentam com pouco
O melhor – algumas cenas bem filmadas nomeadamente o slow motion presente nalgumas sequencias de acção e a sonoplastia.
O pior – os actores não dão o melhor de si, ou talvez porque a produção não os permitem.
Recomendações – Jumper (2008), Twilight (2008), A Walk to Remember (2002)
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