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28.11.09

A Morte sempre te persegue!

 

Se quisermos culpar alguém, então a culpa da expansão do teen slasher é inteiramente de John Carpenter que encantou (ou assustou, conforme o termo) meio mundo com a sua fita de baixo orçamento, o qual se baseava apenas no básico e numa ideia trazida em 1960 por Alfred Hitchocock (Psycho), um assassínio mascarado e uma implacável exterminação por sangue do adolescente, esse filme, produzido em 1979, é nada mais, nada menos que Halloween. Com o passar dos anos tal subgénero deixou de estar inserido nos grandes mestres do legado de terror e passou facilmente nas mãos de muitos como fácil entrada no mercado do cinema comercial, ou seja uma banalização dessa “arte”. Os teen slasher deixaram de ser exclusivamente Halloween e passaram a apresentar multi-faces desde Sexta-Feira 13(s) a Pesadelos em Elm Street, todos eles rotinas e reciclagens da “brilhante” ideia de Carpenter. E foi assim, o género mais rico dos anos 80, a desculpa esfarrapada para jovens com os hormonas aos saltos seguirem para o cinema, soltando gritos e gargalhadas e uma sensação de divertido lúdico e pecaminoso.

Mas foi com a entrada dos anos 90 que esse milionário género começou enfrentar uma lenta extinção, os roteiros era os mesmos, sem surpresas e as preferências das audiências mudaram drasticamente. Não só o teen slasher que se encontrava em perigo, mas todo um género, o qual sem a falta de ideias não tinha “lenha para que o lume ardesse”. Até chegarmos a 1996, o qual Wes Craven, outro pioneiro do género, decide humoradamente homenagear a si próprio e a todos os envolvidos nessa linhagem com Scream – Gritos, uma espécie de brincadeira de estereótipos e clichés que resultam num festim de terror e humor, o qual o argumento, escrito por Kevin Williamson, desenvolvia de forma madura e pungente sob uma intriga tão banalizada pelo passar dos anos. A partir daí o “teen slasher” iniciou uma nova forma, uma adaptação aos seus meios e tempo, passando pela estética até á sonoplastia.

Em 2000, surge um exemplo de “slasher movie” que consistiu num sucesso, muito devido ao seu argumento e a sua temática, o assassino deixou de ser algo carnal e palpável como o já estereotipizado “mascarado” psicopata, mas sim algo de tão sinistro e certo como a morte. Estou a referir obviamente o êxito de Final Destination, realizado por James Wong, uma variação adolescente que envolve premonições e o macabro, porém a sua raiz de sucesso advém da sua intriga e da calma que a narrativa segue para concretizar todo o filme, estamos perante num entretenimento sanguinário mas igualmente bem mestrado, por vezes arrepiante e que nunca perde o seu tino de suspense, dentro do subgénero de classe B, Final Destination é um achado.

O filme de Wong relata-nos um grupo de jovens que conseguem anteceder aos caminhos das suas iminentes mortes, devido a premonição de um deles em que o avião onde supostamente deveriam embarcar iria sofrer um desastroso acidente. Tal evento acaba por concretizar, e o grupo sobrevivente regressa às suas vidas passadas, porém um conjunto de mortes misteriosas, fazem precaver o pior, tal como a “tagline” refere – “Não podes enganar a Morte”. Com desempenhos de Ali Larter (mais tarde em Heroes), Sean William Scott (mais conhecido com Stifler da série American Pie) e um ineficaz Devon Sawa, Final Destination é apesar das pretensões comerciais, dos melhores exemplos de horror do inicio do novo milénio, e porque a Morte não tem que ser uma personificação negra com capuz e ceifeiro, mas sim um conjunto de acasos.

Passados três anos surge uma eventual sequela, desta vez o director é o hiperactivo David R. Ellis que tenta continuar os eventos do filme de Wong. O acidente aéreo é substituído por um choque rodoviário em cadeia e as mortes tornaram-se provavelmente mais macabras, mas menos realistas. A narrativa ficou sem dependência ao suspense e cada vez menos á situação de acasos soube muito bem manejar e tornou-se em algo mais parecido com um “comboio fantasma”. Ali Larter é a única do elenco anterior que mantém presença neste evento mais bimbo, todavia e apesar dos efeitos mais fast-food da fita, Final Destination 2 consegue divertir, tornando-se num guilty pleasure pecaminoso, o qual mais litros de sangue são jorrados a rolos. Não é má sequela, não senhor, mas o pior veio depois, acreditem …

Wong e R. Ellis voltam a repetir as suas direcções nesta eventual saga, o primeiro teve a oportunidade de dirigir o terceiro filme. Juntou-se mais algumas desculpas esfarrapadas para a produção desta “paródia mal feita”, os acidentes com veículos foram substituídos por uma montanha russa e com ela uma tentativa de inovar o que não pode ser inovado. O ridículo é que James Wong soube fazer tão bem no que requer á inserção de um ambiente misterioso e sempre envolvido de suspense, mas em Final Destination 3 tudo se resume numa sátira, mesmo os atractivos como as mortes, assemelham a gags de comédia e as personagens não trazem nem uma simpatia. A olhos vistos, a saga Final Destination estaria a regressar ao plano original do final dos anos 80 e inicio dos anos 90 quanto ao “teen slasher”, a falta de criatividade e seriedade nos projectos iriam fazer com que os produtores “esbarrassem” num beco sem saída em termos de vitalidade cinematográfica. Enquanto o Mundo assistia á ascensão do terror macabro mais adulto como Hostel e Saw, que sofria o mesmo sindroma de exploração extensiva, Final Destination 3 resumia a algo que só se faz no circuito limitado de videoclube.

David R. Ellis por sua vez, realizou The Final Destination, sendo mais facilmente distingui-lo, pode-se inserir o sufixo de 3D. Rodado a 3 dimensões, este quarto filme segue o mesmo ritmo do retorno de James Wong, uma “lambada virada em terror”. Apenas o pretexto de 3D foi suficiente para os produtores conceberem este “moribundo” projecto, The Final Destination parece mais com uma simulação do que um filme, não existe pingo de carisma quer nas personagens, quer num argumento que não é mais do que uma reciclagem dos filmes anteriores. Os desempenhos são fracos, mais uma vez as mortes dão paródicas e irrealistas e o suspense, esse, já não existe. Avisa-se que existe premonições de que o género “teen slasher” voltará a rebaixa, e é com filmes como este que tal fenómeno” verifica-se.

Real.: James Wong / David R. Ellis

Int.: Devon Sawa, Ali Larter, Sean William Scott, Kerr Smith, Brendan Fehr / Ali Larter,A.J. Cook, Michael Landes / Mary Elizabeth Winstead, Kris Lemche, Ryan Merriman / Krista Allen, Nick Zano, Mykelti Williamson

 

A não perder – mortes e mais mortes, que possui um sentido de humor macabro

 

O melhor – O suspense do primeiro filme, o ritmo frenético do segundo

O pior – quando o 3D é pretexto para tudo

 

Recomendações – A Nightmare on Elm Street (1984), My Bloody Valentine 3D (2009), Scream (1996)

 

 

 

Final Destination (2000)

7/10

 

Final Destination 2 (2003)

6/10

 

Final Destination 3 (2006)

3/10

 

The Final Destination 3D (2009)

2/10

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:44
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3 comentários:
De Jackie Brown a 28 de Novembro de 2009 às 18:11
Era só para te dizer que te enviei um email misterioso... :P

Abraço


De r4i a 4 de Janeiro de 2010 às 08:59
O problema com FD3 é, desde que é claro para todos que tem de morrer e em que ordem, o drama é reduzida a uma fórmula em que os acontecimentos nefastos se acumulam, enquanto os adolescentes permanecem esquecidos.


De João M. a 7 de Fevereiro de 2010 às 17:00
Gosto da série, o meu preferido é o 2º, que é brutal!!!


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