A Mãe de todos os Festivais de Verão
Anos 60, os Beatlles e Bob Marley lideravam as tabelas de vendas, Harvey Milk mudava mentalidades em São Francisco, Che Guevara torna-se um símbolo de revolução, amado por uns, odiado por outros, os hippies multiplicavam e o consumo de erva também, e Woodstock, a mãe de todos os festivais de Verão fazia sentir, mais precisamente em 1968, dando três dias de pura música e paz. O maior e mais célebre dos concertos foi um centro cultural e multinacional de gente e musica, desde o lendário Jimi Hendrix até Joe Cocker, todos eles espalharam o seu encanto neste “monstro”. E é nesse cenário que o perverso e anti-politicamente aceite Ang Lee transcreve-nos uma historia de busca de identidade percorrida pela personagem Elliot Tiber, autor da matéria-prima literária, um jovem artista homossexual que tenta ajudar financeiramente os seus pais quanto ao futuro do seu motel, a solução encontrada foi organizar um festival de concertos que servissem como atractivos para nossos fregueses, porém a sorte “bate-lhe” á porta, quando consegue negociar com um empresário para entrosar o Woodstock, um ambicioso evento musical que fora negado em varias localidades dos EUA. Com uma reacção negativa da população local que “vê” com maus olhos este acontecimento, designando-o como uma “entrada facilitada de jovens delinquentes e inimigos dos velhos costumes, o jovem Tiber apesar das dificuldades luta para conseguir manter o festival operacional, que se comporta na narrativa como um veículo de evolução e procura de identidade da personagem interpretada por Demetri Martin, por isso Woodstock deverá ser encarada como uma personagem colectiva e talvez o verdadeiro protagonista de toda fita. Lee liberta de si, o que mais excêntrico e colorido ego, tentando assim contagiar uma fita sem preconceitos, tabus ou de leveza temática. Até certo ponto podemos garantir que Taking Woodstock é a verdadeira homenagem para tal marco histórico da musica, mas fica-se por aí, homenagem, nunca conseguindo evolui para algo mais do que um simples indie de luxo. Contendo algumas cenas memoráveis como a o momento em que Tiber visualiza Woodstock com todo o seu esplendor, como uma aparição divina se trata-se, sendo comparativo a uma rebeldia intrínseca que o nosso protagonista necessita libertar. “Presos” a esse monstro estão uma bela selecção de desempenhos que vão desde um surpreendente Liev Schreiber na pele de um travesti “bem macho”, Emile Hirsch, a provar a sua versatilidade como um soldado traumatizado do Vietname, guerra essa, presente indirectamente em Woodstock e Imelda Stauton a construir aquela que é talvez a personagem mais divertida e cativante de toda a fita. Taking Woodstock é uma fita sobre o mais rebelde e libertador que há em cada um de nós, uma homenagem (como já havia mencionado) de tão grandioso espectáculo.
Real.: Ang Lee
Int.: Demetri Martin, Imelda Staunton, Liev Schreiber, Emile Hirsch, Eugene Levy
Imagens
A não perder – Um grito de paz dos anos 60 representado no novo milénio.
O melhor – A homenagem, a selecção de personagens e interpretações
O pior – faltava-lhe um pouco mais daquele toque mágico que daria um “óptimo” sabor.
Recomendações – Transamerica (2005), Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (2006), Wackness (2008)
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