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20.10.09

Tudo piora …

 

Alexandre Valente já é uma referência do cinema português e em termos comparativos o poderíamos classificar como um Jerry Bruckheimer português em termos produtivos, já que as suas produções sempre consistiram em êxitos entre o público lusitano, por exemplo o maior “frenesim” de bilheteira nacional, O Crime do Padre Amaro. Valente se classificou como um homem ambicioso, um fiel guia ao manual das audiências, e isso demonstrou-se nas suas intervenções á forma como as suas “apostas” eram concebidas, tal acto levou uma saída irada de João Botelho do filme Corrupção, baseado no testemunho literário de Carolina Salgado e as suas vivencias ao lado de um presidente de um clube de futebol, deixando assim uma obra órfã, mas moldada á visão de Valente. Tal como qualquer “sonho americano”, neste caso sonho português, o produtor se converte num realizador, nas probabilidades o seu “sonho desde criança” e o seu produto, Second Life, a sua oficial estreia como tal. Segundo as palavras do próprio realizador, Second Life foi concebido com o propósito de inovar o cinema português, cada vez menos diferenciado com os simples produtos televisivos de ficção nacional. Porém foi também na banda sonora, composta por Bernardo Sassetti, que Alexandre Valente deposita toda a sua fé, um exemplo insólito de originalidade e ambição técnica, falando em ambição técnica, não podemos queixar o vislumbre fotografia, que nos oferece como dadiva as mais belas imagens do cinema português, verídico. Bem, se temos uma excelente banda sonora e uma fotografia excepcional, Second Life é mesmo uma revolução de filme? Obviamente que … não! Second Life volta a demonstrar as grandes fragilidades do nosso cinema; o elenco é composto pelas mesmas caras, aquelas que já nos habituamos a ver nas novelas dos nossos canais generalistas, além de tudo quase funcionar por cunhas ou por nomes, como a verificação de muitos pseudo-actores que na verdade são pivôs ou jogadores de futebol com nome, como é o caso de Fátima Lopes e a super estrela do futebol, Luís Figo, num papel sem explicação e relevância na história. Outra palavra que não devemos esquecer – história. Ora falado em inglês, ora português, ora italiano, a história é apenas uma parábola neo-surrealista sem nexo ou aparente definição, estamos a falar de um argumento, se quisermos chama-lo isso, é uma confusão de elementos o qual o argumentista tem a ousadia de se explicar como a enunciação de vida, ou algo de semelhante. Ou seja temos na probabilidade o pior argumento de um filme português dos últimos anos, mesmo batendo por vários pontos a falta de imaginação de Contrato, que estreou neste inicio do ano. Outro factor que nos fazem acreditar que estamos mesmo perante de um filme português é a exploração do “objecto sexual”, neste caso representado pela Cláudia Vieira e destacado por Liliana Santos, esta ultima protagoniza uma cena lésbica que promete atrair multidões, o velhinho truque da saia. E dentro desta pseudo-intelectualidade, a única representação profissional pertence a Nicolau Breyner, cada vez mais limitado ao lixo nacional, cujo carisma vale qualquer filme. Depois disto, aconselho tomar um café bem forte e respirar fundo, e “agarrar” á esperança que o cinema português irá mudar para melhor. Cumprindo promessas como um politico, ou seja, zero, Second Life não consegue revolucionar o cinema português e muito menos Alexandre Valente consegue ser um realizador.

Real.: Alexandre Cebrian Valente, Miguel Gaudêncio

Int.: Piotr Adamczyk, Lúcia Moniz, Paulo Pires, Nicolau Breyner, Ana Padrão, Fátima Lopes, Liliana Santos, Luis Figo, Cláudia Vieira, Ruy de Carvalho

 

 

Imagens

   

 

A não perder – para quem procura esculturais mulheres portuguesas e a sensação que o cinema português não consegue ir mais longe.

 

O melhor – fotografia e banda sonora

O pior – “o que é isto, afinal?”

 

Recomendações – Back To The Future (1985), The Family Man (2000), Clue (1985)

 

Ver Também

O Crime do Padre Amaro (2005)

Corrupção (2007)

 

3/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:20
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1 comentário:
De João M. a 21 de Dezembro de 2009 às 14:19
Filme sem pés nem cabeças. só vale pelas duas gajas a comerem-se uma a outra e ainda por cima em softcore


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