Data
Título
Take
10.10.09

 

A jogar aos dados com a Morte!

Sempre acreditei que nós, humanos, chegamos onde estamos através das guerras e daqueles conflitos que marcaram Historia, sem com isto insinuar alguma posição idealista ou fria, o facto é que o Homem nunca soube partilhar o seu espaço com os seus próximos, nunca soube diferenciar ideias e respeitar o mais próximo, sendo tal o conflito é iminente, os danos irreparáveis e o custo é incalculável, apesar disso depois disto nada ficará como dantes. As mentalidades tendem em modificar, a sociedade altera e adapta e a humanidade se questiona sobre os erros anteriores o qual reflectem no futuro, por vezes voltando a tais. Como seria o Mundo sem a Primeira Guerra Mundial ou a Segunda? Do Vietname? Da Guerra Fria? Melhor ou pior, de facto não saberemos, mas é inegável como o nosso pensar alterou depois delas. Entre as guerras existe outra que é sempre tema de conversa, impera que nos questionamos o verdadeiro motivo de tal conflito e de quem sairá beneficiado, falo obviamente da Guerra do Iraque: manobra político-económica ou caça ao terrorismo? Só você dirá.

O Iraque é em termos cinematográficos o novo Vietname, toda a gente quer falar dele e todos querem dar a sua opinião e nesse contexto surgiram até nós filmes como In The Valley of Elah do experiente Paul Haggis ou Redacted, o experimentalismo de Brian DePalma, porém é The Hurt Locker que devemos ao nosso respeito. Kathryn Bigelow já havia realizado Point Break (1991), um daqueles filmes de acção cheios de ritmos e com a apresentação de uma das melhores personagens de Patrick Swayze, em 2002 nos oferece K-19 com Harrison Ford e Liam Neeson em grande forma num filme seriamente competente, agora surpreende tudo e todos com The Hurt Locker que foi apresentado na edição de 2008 do Festival de Veneza, sendo um dos competidores do Leão de Ouro.

Para quem assistiu toda a carreira de Bigelow, o que não é difícil já que a sua filmografia é bastante curta e demasiado espaçosa, The Hurt Locker, com o título traduzido de Estado de Guerra é o seu melhor filme porque nos apresenta uma maturidade narrativa e argumentativa, argumento esse concebido por Mark Boal, que foi também o autor da história de In The Valley of Elah, o qual nos prova estar familiarizado com o tema do conflito do Iraque. A fita segue uma equipa de especialista em desarmamento e detonação de explosivos, o qual o seu líder morre num incidente de ofício, para substitui-lo está o Sargento William James (Jeremy Renner), um homem que vive do perigo, pondo a sua vida em risco devido a impensáveis e imaturos actos de heroísmo que advém de um profissionalismo talentoso. James é um viciado na guerra, uma doença de hábito, em que o sujeito nunca conseguirá adaptar a qualquer outro ambiente sem ser o de caos que constantemente vive e nisso verifica nas cenas finais em o protagonista questiona a sua verdadeira felicidade e a sua integridade no chamado “mundo lá fora”.

Renner oferece-nos um personagem e tanto, suficientemente “louco” para nos apaixonar e emotivo como também filósofo do seu próprio caminho que usufrui de uma complexa perspectiva como ser humano. Já que falamos de desempenhos não podemos deixar de referir Anthony Mackie (o qual vimos a ser ofuscado por Ryan Gosling em Half Nelson) tem todas as oportunidades possíveis para brilhar e mostrar que pode ir mais além dos catálogos de “mais um”. Não esquecemos também das aparições de Guy Pearce (a melhor aparição desde há muito tempo), Ralph Fiennes (carismático como sempre) e David Morse (sem grande brilho), três nomes mais estrelares do cartaz reduzidos a meros secundários é uma opção de coragem por parte de Kathryn Bigelow. Sem nunca cair em panfletarismo, nem dar ao espectador um opinião formada a ser do conflito, The Hurt Locker é a crónica de soldados, nada mais, nada menos, realizado com tamanho realismo e respeito pelo mundo militar, intenso como deve e estranhamente pessoal. O melhor filme de Guerra do ano!

Real.: Kathryn Bigelow

Int.: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly

 

 

   

A não perder – Um filme de guerra com realismo, dureza e sem opiniões

O melhor – a maturidade de Bigelow, o argumento de Boal

O pior – quem pensa que irá ver uma variação de Black Hawk Down ou Saving Private Ryan

 

Recomendações – The Kingdom (2007), Redacted (2007), In the Valley of Elah (2006)

 

Ver Outras Fontes

Close- Up – Point-of-View-Shot: The Hurt Locker (2008)

  

“There's enough bang in there to blow us all to Jesus. If I'm gonna die, I want to die comfortable.”

 

 

9/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 00:21
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Jean-Pierre Verscheure na...

KINO regressa com a sua 1...

Trailer de Ghostland, o n...

Clive Owen junta-se a Wil...

Leonardo DiCaprio protago...

John Wick será série de t...

Quote #09: Body Snatchers...

Jeanne! será o próximo fi...

Pop Aye (2017)

Quote #8: All Abou Eve (J...

últ. comentários
Este gênero nunca foi um dos meus preferidos, póre...
Concordo, "Índice Médio de Felicidade" e "Malapata...
O "São Jorge" é até agora o meu preferido, mantend...
Vi hoje, Robert Pattinson no seu melhor! Que venha...
Uma das maiores surpresas do ano, mesmo sendo do W...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO