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27.9.09


Aliens como inserção social!


Imaginem o seguinte cenário, uma nave espacial de origem extraterrestre surge no espaço aéreo terrestre, mais precisamente em Joanesburgo, África do Sul, dentro dele encontra-se milhões de aliens, desnutridos e maltratados, automaticamente as Nações Unidas e algumas forças governamentais unem esforços para reabilitar as ditas criaturas (vulgarmente apelidadas de “prums”). Após oito anos é criado o Distrito 9, uma espécie de gueto onde estes seres não terráqueos podem viver. Contudo a sua coexistência com o Homem não é a mais pacífica, fazendo com a organização conhecida como MNU obtenha a missão de mover todas as criaturas do Distrito 9 para um outro local afastado da cidade de Joanesburgo, em perfeito isolamento para com as civilizações humanas.

 

 

Trata-se da primeira longa-metragem de Neil Blomkamp, um “upgrade” da sua curta de 2005, Alive in Joburg, que conta com o cunho de Peter Jackson como produtor, o qual o autor foi apontado como sendo seu “afilhado”. Inicialmente District 9 estava planeado ser uma adaptação ao bem sucedido videojogo Halo, contudo o estúdio decidiu descartar a ideia devido a eventuais menosprezos por parte dos fãs. Mesmo assim, Blomkamp e Jackson  não abandonaram o material já preparado e concretizaram então uma fita que custou menos de metade do orçamento previsto no projecto inicial. O resultado ficou-se nisto (e ainda bem), numa experimental fórmula de sucesso muito graças à força do marketing e divulgação exercitada por toda a produção.

 

 

Falando no filme propriamente dito, poderei sentir realizado ao ver um tão realista obra de ficção científica que combina o melhor do percepcionismo fílmico, como por exemplo uma dualidade narrativa (ora é um documentário, ora é um filme que preserva toda a formula comercial). Subtilmente composto por assombrosos efeitos especiais, District 9 comporta-se como entusiasmante ensaio de ficção cientifica, pronto a rivalizar com outras distopias apresentadas em grandes produções. Para além disso, e voltando às questões técnicas, a fita de Neil Blomkamp contraria o senso comum de que qualidade a tais níveis não é sinonimo de grandes orçamentos. Mesmo sob o pretexto da “fraqueza” do orçamento que foi, e com fórmula narrativa versátil que apresentou, não é incredível a forma com que District 9 seja um sucesso, um paradoxo de estilos combinadas com a acção mais factual que inverte os papéis de o Encontro Imediato de Terceiro Grau.

 

 

Com uma prestação flexível de Sharlto Copley (que o veremos futuramente no A-Team Movie), o actor nos consegue moldar um “anti-herói” sem medo de exposições contra-natura, os “dotes” de cobardia e ingenuidade ao invés da bravura patriótica. Sendo que mesmo com aquela experimentalidade narrativa, sente-se uma forte carga dramática no percurso do protagonista. Tal ênfase nos revela um toque de irreverência perante tais formatações que facilmente poderiam integrar qualquer blockbuster ou filmes "pastilhas-elásticas". Resumidamente, District 9 um dos filmes mais singulares e metafóricos estreados em 2009 e … tão bom que é  os cinematográficos extraterrestres a “aterrarem” num país que não os EUA (ao menos isso)!

 

"Hello, little guy! It's the sweetie man coming!"

 

 Real.: Neil Blomkamp / Int.: Sharlto Copley, William Allen Young, Robert Hobbs, Jason Cope



 

A não perder – um filme de ficção cientifica diferente de tudo o resto

 

O melhor – a dualidade narrativa, a personagem de Sharlto Copley

O pior – pedíamos só um pouquito mais de percepção na relação da personagem de Copley com o extraterrestre.

 

Recomendações – Close Encounters of the Third Kind (1977), Banlieue 13 (2004), Doomsday (2008)

 

Ver Outras Fontes

Ante-Cinema – Antevisão: Distrito 9

Cinema is My Life – District 9

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:44
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1 comentário:
De Tiago Ramos a 4 de Outubro de 2009 às 15:37
Uma grande surpresa tendo em vista o realizador, o orçamento e a temática. Uma das maiores surpresas de 2009.


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