Real.: Quentin Tarantino
Int.: Uma Thurman, David Carradine, Lucy Liu, Daryl Hannah, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Vivica A. Fox
De nome de código Mamba Negra (Uma Thurman), era um ex-assassina profissional pertence-te a um bando conhecido como Clã Das Víboras Assassinas, que era comandada pelo misterioso Bill (David Carradine). Depois de os seus colegas dispararem na igreja em que ela iria casar, tal atentado sob as ordens de Bill, não deixando ninguém vivo e pondo em perigo a criança que Mamba Negra trazia no ventre, o qual era filho de Bill. Depois do massacre, esta ficou em coma, acordou 4 anos depois num hospital, sem sinais da criança e com uma sede de vingança. A Mamba Negra está decida em acabar com a raça dos seus cincos colegas incluindo Bill, pondo em cabo um plano vingança sem dó nem piedade.
O regresso de Quentin Tarantino ao grande ecrã é sempre um motivo de celebração, muito mais quando o seu ultimo projecto foi á 6 anos, com Jackie Brown. Este Kill Bill parece afastar-se muito da habitual obra do realizador, sendo que a vertente de assassinos encontra-se lá, porém o que não se encontra são os seus já distintos diálogos cheios de referências á cultura pop, sendo que referências estão descritas nas imagens e não nas suas falas. Kill Bill é um delírio barroco onde as referências a filmes, series e outras culturas estão exaustivamente presentes em cada frame, em cada imagem, em cada canção, vestuário ou na coreografia das lutas.
Quem pensa que está perante num simples produto envolvendo artes marciais, pancadas e fancaria, engana-se, porque o quarto trabalho de Tarantino tem um dos argumentos mais frescos dos últimos anos, e numa estreia que faz anteceder a dois prováveis campeões de bilheteira do ano (Matrix Revolutions e O Senhor Dos Anéis – O Regresso Do Rei) é provável que este clássico instantâneo seja sucumbido por esses mesmos blockbusters, muito pela sua falta de flexibilidade comercial, mas mesmo assim é o filme mais comercial de Tarantino sem isso fazer-lhe perder alguns méritos.
Com a chegada do autor Tarantino, eis o renascimento de alguns actores quase esquecidos na industria cinematografica, depois de trazer ao "Mundo dos Vivos", John Travolta, tirando de uma próxima decadência com Pulp Fiction. QT parece interessado em reavivar actrizes como Daryl Hannah, a cyborg de Blade Runner e a eterna sereia em Splash de Ron Howard, ao lado de Tom Hanks nos seus anos verdes, e do cameo de Michael Madsen que foi o psicopata elegante em Cães Danados, o primeiro filme de QT. Mas talvez a maior proeza em termos de actores, seja David Carradine, o actor que ficou com o lugar de Bruce Lee na mitica serie Kung Fu, parece encontrar um novo sentido aqui neste filme, num vilão bastante irónico e esforçadamente poético. Já para não falar que Uma Thurman, a "musa" do proprio QT, é uma "one show woman" em palco.
Tirando o mérito de fita perfeita, já que no trabalho de Tarantino tudo é menos o suposto perfeccionismo cinematografico, Kill Bill pode pecar pela sua violência que por vezes se torna gratuita e graficante, e num tempo em que a violência é cada vez mais discutida fora do ecrã, o novo filme de QT será visto com algum mau olhado por entre o activistas, mas é um bilhete de ida e volta de bom cinema, que não deixará ninguém indiferente. Atenção, esta é só o primeiro volume e pelo andar da carruagem a promessa é bastante grande, mas mesmo assim, o filme mais fresco deste ano e além de se tornar num filme de culto, está condenado a tornar num clássico daqui a 10 anos, é o máximo que dou.
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