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28.6.09

Crónicas da Imortalidade!

 

Folclore, mito, literatura, os vampiros são também parte do cinema, dando-lhe uma aura enigmática que desdém dos primórdios da cinematografia. Já F.W. Murnau ofereceu ao Mundo em 1922, Nosferatu, uma obra muda que baseou na história de Bram Stoker – Drácula – onde mitos e boatos da sua produção ainda correm mundos, tendo sido representadas no filme de 2000, Shadow of the Vampire de E. Elias Merhige. Na altura em que estreou, Nosferatu assustou multidões pela naturalidade com que o actor Max Schreck interpretou o vampiro protagonista, iniciando histórias sobre a sua real natureza, um ser vampírico. Nos dias em que a pipoca reina as salas de projecções, nenhum filme de vampiros conseguiu até à data causar o mesmo impacto que Nosferatu causou no auge do cinema mudo, talvez pela falta ingenuidade que os espectadores perderam ou provavelmente pelo uso e abuso da imagem lendária dos sanguinários sobre-humanos nas mais variadas produções.

 

 

O vampiro, esse ser personificado, sempre foi característica do cinema mais clássico, o qual evoluiu várias vezes para poder-se adaptar era respectivamente exibida. Em derivação disso é que nos dias de hoje, é habitual a imagem do vampiro como marginalizados góticos, cujas vestimentas constituem casacos de cabedal e óculos escuros a acompanhar. Digno de nota é que esses seres milenares são cada vez mais aludidos às paranóias da toxicodependência ou da obsessão viciosa, sempre com cariz sexual.

 

 

O filme que vos apresentarei é de um vampirismo moderno, mas composto por atitudes clássicas, completando-se com o goticismo transcrito pelo seu realizador (Neil Jordan). Um autor com variados “tiques” neo noir, como é o caso do seu subestimado, mas valioso Crying Game, alicerçada por uma carga ambiente bastante enigmática. Em Interview with the Vampire, adaptado do best-seller de Anne Rice, uma herdeira da imaginação de Bram Stoker, o envolvimento do realizador na concepção deste ambiente gótico oferece ao espectador algumas cenas bastante místicas que advém do desconhecimento, esse medo comum de outros tempos (como por exemplo a cena do cemitério é valiosa).

 

 

Interview with the Vampire, tal como o nome indica é narrativamente recorrente a uma entrevista a um destes seres sobrenaturais, Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt), que narra a sua história de vida como vampiro dando uma crónica, que questiona a integridade de um imortal e as causas de viver eternamente. Na sua narração, iremos confrontar-nos com o vil, mas incompreendido Lestat (Tom Cruise), um vampiro sanguinário, maquiavélico, mas ainda “acorrentado” ao passado glorioso destes seres, o qual o futuro não consegue ser-lhe favorável. O filme de Neil Jordan é antes de mais, não mais um filme de terror, mas um drama competente que invoca os tiques da cinebiografia.

 

 

É fácil de ver as semelhanças deste pseudo-conto com a recente jornada de David Fincher em The Curious Case of Benjamin Button, não só pelo envolvimento do actor, Brad Pitt, mas por ambos apresentarem diferentes, mas ao mesmo tempo, comparáveis visões sobre o sentido da vida e do enriquecimento desta. Pitt preenche a sua personagem humanamente, tal como Cruise cumpre um magnífico desempenho na sua admirável forma vampírica. O filme ainda tem o mérito de nos apresentar uma “rara” talentosa Kirsten Dunst em plena flor da idade e um Antonio Banderas em modo automático. Stephen Rea tem uma curta interpretação, mas a sua presença é um “brinde”, habitual nas produções de Neil Jordan. Terror adulto ou mais que isso, um retrato da singularidade da vida de cada um aludida à forma de vampiro. Um dos melhores filmes góticos da década.

 

“So you want me to tell you the story of my life?”

 

Real.: Neil Jordan / Int.: Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Christian Slater, Kirsten Dunst, Stephen Rea

 

 

A não perder – quem deseja ver mais que simples dentadas no pescoço.

 

O melhor – Um Tom Cruise e Brad Pitt no seu melhor, um ambiente bem conseguido

O pior – de terem feito uma sequela (Queen of Damned, 2002)

 

Recomendações – Bram Stoker’s Dracula (1992), Shadow of the Vampire (2000), The Curious Case of Benjamin Button (2008)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:09
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2 comentários:
De Tiago Ramos a 28 de Junho de 2009 às 16:37
Confesso que nunca cheguei a ver este filme.


De Francisco Quintas a 15 de Abril de 2017 às 02:58
Junto com o filme de Coppola, sem dúvida um dos melhores filmes de vampiros! Brad Pitt e Tom Cruise estavam "apaixonados" neste filme. Tenho a sensação que ao meter a Kirsten Dunst como "filha" dos dois, o Neil Jordan quis fazer algum comentário leve sobre as relações homossexuais. Tive medo que o assunto fosse deixado pendurado com a "morte" do Lestat, mas felizmente isso não aconteceu. Vê-los a reencontrarem-se foi algo que me deu arrepios mas que aqueceu por dentro também. É uma cena muito bonita. Boa crítica como sempre!

Abraço


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