Real.: Neil Jordan
Int.: Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Christian Slater, Kristen Dunst, Stephen Rea
Folclore, literatura, os vampiros são também parte do cinema, dando-lhe uma aura enigmática que desdém dos primórdios da cinematografia. Já F.W. Murnau ofereceu ao Mundo em 1922, Nosferatu, uma obra muda que baseia-se na história de Bram Stoker – Drácula – onde mitos e boatos da sua produção ainda correm mundos, tendo sido representadas no filme de 2000, Shadow of the Vampire de E. Elias Merhige. Na altura em que estreou Nosferatu assustou multidões pela naturalidade que o actor Max Schreck em interpretar o vampiro do filme, iniciando histórias sobre a sua real natureza ser vampírico. Nos dias da pipoca, nenhum filme de vampiros consegue causar o mesmo impacto que Nosferatu, talvez pela falta ingenuidade que os espectadores perderam ou provavelmente pelo uso e abuso da imagem lendária dos sanguinários sobre-humanos nas mais variadas produções.
O vampiro, esse ser personificado, sempre foi característica do cinema mais clássico, o qual evoluiu várias vezes para poder-se adaptar á era quando eram exibidos, por isso é que nos dias de hoje vemos vampiros vestidos de casacos de cabedal e óculos escuros, o filme que venho vos falar é um vampirismo moderno mas de atitudes clássicas, completando-se com o goticismo transcrito pelo seu realizador (Neil Jordan). Um autor com variados “tiques” noir, como veja o caso do subestimado mas valioso Crying Game, uma carga ambiente bastante enigmática. Em Interview with the Vampire, adaptado do best-seller de Anne Rice, uma herdeira da imaginação de Bram Stoker, o envolvimento do realizador na concepção deste ambiente gótico oferece ao espectador algumas cenas bastante místicas que advém do desconhecimento, esse medo comum, de outros tempos (a cena do cemitério é valiosa).
Interview with the Vampire, tal como o nome indica é narrativamente recorrente a uma entrevista a um destes seres sobrenaturais, Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt), que narra a sua história de vida como vampiro dando uma crónica que questiona a integridade de um imortal e as causas de viver eternamente. Na sua narração, iremos confrontar-nos com o vil, mas incompreendido Lestaf (Tom Cruise), um vampiro sanguinário, maquiavélico, mas ainda integrado no passado, o qual o futuro não consegue ser-lhe favorável. O filme de Neil Jordan é antes de mais, não mais um filme de terror, mas um drama competente que roça a biografia. É fácil de ver as semelhanças deste pseudo-conto com a recente jornada de David Fincher em The Curious Case of Benjamin Button, não só pelo envolvimento do actor, Brad Pitt, em ambos os projectos, mas pelas duas apresentarem diferentes, mas ao mesmo tempo comparáveis visões do sentido da vida e do enriquecimento dela. Pitt preenche a sua personagem humanamente, tal como Cruise cumpre um magnífico desempenho na sua admirável forma vampírica. O filme ainda apresenta-nos uma “rara” talentosa Kristen Dunst na flor da idade e um Antonio Banderas em modo automático. Stephen Rea tem uma curta interpretação, mas a sua presença já é habitual nas produções de Neil Jordan. Terror adulto ou mais que isso, um retrato da singularidade da vida de cada um.
A não perder – quem deseja ver mais que simples dentadas no pescoço.
O melhor – Um Tom Cruise e Brad Pitt no seu melhor, um ambiente bem conseguido
O pior – de terem feito uma sequela (Queen of Damned, 2002)
Recomendações – Bram Stoker’s Dracula (1992), Shadow of the Vampire (2000), The Curious Case of Benjamin Button (2008)
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