Real.: Ron Howard
Int.: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Stellan Skarsgard, Armin Mueller-Stahl, Nikolaj Lie Kaas
Dan Brown é um dos escritores mais lidos e polémicos dos nossos dias, o seu êxito gira envolto de thrillers literários, narrativamente simples e directos e sempre rodeados de temas delicados, entre eles a religião que já por si é sempre motivo de discussão. O celebrizado novelista é conhecido internacionalmente por ter escrito o best-seller O Código da Vinci, que explora uma intriga que aborda segredos milenares da descendência do próprio Jesus Cristo de Nazaré, e a protecção de sociedades secretas, entre os quais pertenceram alguns dos mais variados e incontornáveis homens da Historia, tais como Isaac Newton e obviamente, Leonardo da Vinci. O livro foi adaptado ao cinema pela Columbia Pictures, na cadeira de realizador apresentou-se Ron Howard (perito nos gostos do grande publico) e o estrelar Tom Hanks vestiu a pele de Robert Langdon, uma espécie de Sherlock Holmes das intrigas de Dan Brown. Langdon é um professor de simbologia, brilhante na resolução de quebra-cabeças e na decifração de enigmas e códigos numa trama sempre rodeada de crimes horrendos e míticos dignos de qualquer bom thriller que se preze.
Mas antes de Da Vinci Code, que fora escrito em 2003, em 2000, Brown havia escrito outro best-seller o qual a personagem encarnada por Tom Hanks era protagonista, o livro chamava-se Anjos e Demónios e era igualmente polémico por duas razões, primeira por retratar um atentado terrorista em pleno Vaticano e segunda por envolver os Iluminatis, a mais poderosa sociedade secreta de sempre num épico confronto entre religião e ciência. Depois do êxito cinematográfico de Da Vinci Code, palco para as mais variadas polémicas, a Columbia Pictures, que detém os direitos das obras de Dan Brown, não poderia deixar escapar o material atractivo o qual Anjos e Demónios eram constituídos. E assim foi, com bastante demora, mas eis a adaptação cinematográfica de Angels and Demons, que volta a contar com Tom Hanks no principal papel e Ron Howard de regresso á realização após a aplaudida crítica pelo seu Frost/Nixon.
O filme, novamente adaptado por David Koepp e Akiva Goldsman (responsáveis pelo argumento), tinha inicialmente data de estreia para Dezembro do ano passado, mas a sua produção ficou envolta de polémicas entre elas a reclusa do Vaticano em permitir as filmagens na sua cidade, que fez com que o estúdio gastasse tempo e dinheiro na construção de cenários. Ao contrário do livro, que era um prequela das aventuras em O Código da Vinci, Angels and Demons, cinematograficamente, é uma sequela, o qual permite uma melhor liberdade e habituação ao universo sempre carregado de mistério e intriga vividas por Robert Langdon. E verdade seja dita, este nova aventura é superior em tudo a Da Vinci Code, primeiro sente-se um amadurecimento por parte do realizador que ao contrário da obra de 2006 consegue aproveitar ao máximo a magnificência dos cenários, segundo Tom Hanks que obteve uma péssima prestação na anterior encarnação tem uma conformidade maior aqui, mais expressivo, mais vivo e interactivo com a trama.
No elenco também temos que ter em conta, Ewan McGregor, que comporta-se como o actor que conhecemos numa grande versatilidade, Ayelet Zurer é desaproveitada devido ao catálogo sidekick feminino, Stellan Skarsgard tem uma presença forte, Armin Mueller-Stahl, um senhor desaproveitado em Hollywood porém encontra-se cada vez mi presente na indústria, e por fim o talentoso, mas desconhecido Nikolaj Lie Kaas (que foi visto em Adam’s Apple de Anders Thomas Jansen) finaliza o elenco principal. Hans Zimmer, compositor da banda sonora, como já havia feito para Da Vinci Code, obteve mais sorte e talento nestas suas partituras. Contudo mesmo já tendo referido que Angels and Demons é superior em quase tudo ao seu antecessor, ainda mantém alguns dos defeitos do filme anterior, como por exemplo uma fraca absorção da intriga literária dando a sensação de que toda a trama parece seguir fast forward, onde tudo corre de um lado para o outro, mas que ninguém sabe o porquê? Tirando isso temos aqui a compensação para os fãs de Dan Brown que se sentiram defraudados com Da Vinci Code de 2006. Um thriller blockbuster sem esplendor mas que entretêm.
A não perder – Para quem não gostou do tratamento que O Codigo Da Vinci obteve no cinema.
O melhor – A realização de Ron Howard
O pior – O sentimento de correria que a narrativa possui
Recomendações – The Conclave (2006), Mary (2005), Da Vinci Code (2006)
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