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4.5.09

Um filme a solo!

 

Há quem garanta que X-Men nunca funcionaria no cinema se uma das suas personagens mais carismáticas não fosse devidamente personificada. Hugh Jackman, na altura desconhecido e meramente televisivo, conseguiu o feito de transpor Wolverine, uma das figuras mais celebres e amadas do universo Marvel na sua mais fiel forma, como também à mercê de uma "pontinha" de ego do seu interprete. Assim sendo, a consistência deste "mutante de garras de aço" se tornou num dos veios condutores do franchising que iniciou em 2000, com Bryan Singer (The Usual Suspects) na cadeira de realizador. A primeira adaptação cinematográfica de X-Men conquistou as audiências em geral mas dividiu opiniões dos fãs, algo que três anos depois foi compensado com a sequela, mais elaborado e deveras inteligente em termos argumentativos. O filme de 2003 apontou direcções na centralidade de Wolverine e tentou de certa forma manobrar o cenário envolto deste, desde as suas origens às suas crises de existencialismo. O sucesso ainda foi maior, o que abriu portas para a produção de um terceiro filme, infelizmente com a ausência do autor Singer, que decidiu operar pela rival DC Comics no semi-fracassado Superman Returns. Assim o terceiro capitulo da saga dos mutantes, na altura anunciado como o fim do franchising cinematográfico foi conduzido por Brett Ratner (mais conhecido como um "tarefeiro" de Hollywood) que concretizou uma oleada obra que decepcionou os fãs adquiridos e manipulou descaradamente a mística da banda desenhada.

 

 

Após a saga, Hugh Jackman entrou ao rubro em Hollywood, tendo sido cotado protagonista para os mais variados projectos até mesmo apontado como um eventual James Bond no provável reboot. Contudo por mais papeis que faça, o actor australiano será sempre o mutante tragicamente incurável, a fama e carisma alcançados consistiram que este spin-off / prequela fosse possível existir. Depois do arranque que Bryan Singer entregou em X-Men 2 em 2003 sobre o passado e existência de Logan / Wolverine, esta obra de Gavin Hood (do galardoado Tsotsi) é como um disco a solo de qualquer artista musical, a promessa de relançar um franchise paralelo e igualmente rentável. X-Men Origins: Wolverine resume a seguir Hugh Jackman durante duas horas de filme, o que não inteiramente mau decerto, sendo que o actor é eficaz na entrega do seu carisma … e vamos ser claros, de momento não existe ninguém que conheça também o sofrimento inerente de Wolverine que ele.

 

 

Seguindo pelos efeitos especiais de ponta e as sequencias de acção mirabolantes (algo rotineiro neste tipo de produções), X-Men Origins: Wolverine é no fundo, segundo o seu realizador que constantemente compara a saga deste anti-herói com a obra de que é reconhecido, o retrato de um criminoso que adquire responsabilidades. Algo bonito de se dizer, mas sem estofo na abordagem deste blockbuster de Verão, é que o filme em si vive da acção, das tramas estabelecidas pelas comics e mais, da satisfação do fãs. Aliás em X-Men Origins: Wolverine, o fã tem a hipótese de finalmente assistir a algum dos personagens que tanto ansiava ver no grande ecrã, entre eles Deadpool, o igualmente carismático anti-herói interpretado por um egocêntrico Ryan Reynolds (mal tratado pelos produtores) e Gambit, outro epiléptico membro da X-Men que nunca surgiu na saga cinematográfico e que terá finalmente a sua aparição pelo actor Taylor Kitsch (desaproveitado). De resto Liev Schreiber e Danny Huston cumprem os requisitos em compor devidamente os seus personagens.

 

 

Enfim, o resto é tudo uma trapalhona sucessão de subtramas, que apenas servem de impasse para Wolverine e os seus adereços, disparates argumentativos que merecerão atenção nas criticas dos fãs como o de qualquer cinéfilo. Porém, Gavin Hood prometeu intensidade na evolução do protagonista o que não concretizou na sua eficácia. Talvez seja o estúdio 20th Century Fox, conhecido pela sua intensiva intervenção nos trabalhos dos realizadores, que não permitiu a prometida ênfase dramática à historia ou pura e simplesmente o sul-africano autor não possui espírito para este tipo de produções megalómanas. Porque a única coisa que conseguiu desenvolver aqui foram duas horas do mais banal espectáculo hollywoodesco que nos habituaram nos últimos anos e ninguém afirmava que seria Bergman. Sendo um dos filmes mais esperados do ano, mesmo que abalado pela fuga da obra que serviu de ficheiro de download da internet antes do seu tempo de estreia, em X-Men Origins: Wolverine a alma é essencialmente a ausência.

 

"I'm gonna cut your goddamned head off! See if that works!"

 

Real.: Gavin Hood / Int.: Hugh Jackman, Ryan Reynolds, Liev Schreiber, Danny Huston, Taylor Kitsch

 


 

A não perder – pipocas, um refrigerante e um grupo de amigos

 

O melhor – Hugh Jackman e o resto do elenco

O pior – um blockbuster igual a tantos outros

 

Recomendações – Daredevil (2003), The  Punisher (2004), Hellboy (2004)

 

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X-Men (2000) 

X-Men 2 (2003)

X-Men: The Last Stand (2006

X-Men: First Class (2011)

Wolverine (2013)

X-Men: Days of Future Past (2014)

Deadpool (2016)

X-Men: Apocalypse (2016)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:07
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2 comentários:
De Catarina d´Oliveira a 8 de Maio de 2009 às 10:38
eu a pensar que ia ter gambit como deve ser (a minha personagem preferida da saga) mas ainda nao foi desta ehe por outro lado o proximo filme que anunciam, de deadpool ate me parece bem por ser mais afastado daquele nucleo de personagens q estamos tao habituados...o wolverine ja precisava de um time offzinho lol:P


De Filipa a 29 de Novembro de 2009 às 00:47
Muito giiro o filme , emsmo, adoreii


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