Real.: Jonathan Demme
Int.: Anne Hathaway, Debra Winger, Rosemarie DeWitt
Confesso que na última gala dos Óscares estive a torcer ela vitória já muito reservada de Kate Winslet no novo filme de Stephen Daldry – The Reader, contudo a minha favorita nessa categoria era Anne Hathaway, que ao contrário do que muitos pensam tinha grandes chances de vencer a cobiçada estatueta. A sua prestação é tão gloriosa que mesmo em segundo plano se destaca dos demais, e olha que os “outros” não eram pêra doce, tal como a “ressuscitada” Debra Winger, para quem não sabe era o par romântico de Richard Gere no grande sucesso An Officer and Gentleman, até mesmo Rosemarie DeWitt, uma secundária de luxo é deixada levar pelo talento desta “ainda revelação actriz”.
Hathaway, que será celebremente conhecida como a princesa adolescente em Princess’s Diary, veste a pele de Kym, uma personagem problemática e incompreendida que acaba de sair do centro de reabilitação, o qual uma festa de casamento é o palco de fundo de várias disputas familiares e a desobstrução de um trágico segredo. A nomeada actriz constrói uma personagem bastante complexa, credível e mesmo identificada com o espectador, acabando por levar a nossa consciência acerca dos factos que ocorrem no grande ecrã. Quem é que nunca foi compreendido dentro do seio familiar, quem possui um irmão (ou irmã) e sempre sentiu que a as atenções estavam direccionados a ele (ou ela), pois bem, quem não sentirá inconformidade com Kym, quem é que não sentirá ódio por Rachel (Rosemarie DeWitt), ou talvez quem não parecerá o oposto? Isto sim, são personagens ou talvez algo mais.
Do realizador de O Silencio Dos Inocentes e Filadélfia, este O Casamento de Rachel é a sua estreia no ramo mais independente e acima de tudo menos hollywoodesco e mais “encostado” á realidade quotidiana, os diálogos são quase verdadeiros, as expressões também e a realização que se assemelha a um vídeo caseiro próprio das festas de casamento também nos guia para essa conclusão. Contudo esse proporcionado amadorismo é por vezes confundido com a independência que Jonathan Demme tenta “esforçadamente” perceber, não se conseguindo comportar como tal, a narrativa está cheio de entulho e futilidades que desviam o espectador á trama central, o qual tanto interesse capta. Valeu a intenção, valeu o esforço, mas Anne Hathaway valeu muito mais.
A não perder – Uma das personagens mais interessantes deste inicio do ano (Kym – Anne Hathaway).
O melhor – Anne Hathaway em grande forma e talento
O pior – A realização propositadamente amadora
Recomendações – Requiem For A Dream (2000), Dan in Real Life (2007), My Big Fat Greek Wedding (2002)
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