Real.: Steven Soderbergh
Int.: Benicio Del Toro, Catalina Sandino Moreno, Demían Bichir, Rodrigo santoro, Julia Ormond
Toda já gente ouviu falar sobre ele, toda a gente já viu o seu rosto como símbolo de revolta estampado em t-shirts, placares, bandeiras e muros, toda a gente conhece o seu nome ou pelo menos ouviu falar, mas são poucos que conhecem os seus verdadeiros feitos e muito menos o homem que foi, e nesses termos é que Steven Soderbergh apresenta a primeira de uma dualidade de filmes biográficos sobre a vida do mais famoso revolucionários de sempre, Ernesto Che Guevara. Apresentado no Festival de Cannes de 2008 como um filme único de uma estimativa de quatro horas, foi lançado para os cinemas públicos em duas partes, iniciado com Che Part One – The Argentine, que retrata o momento em que o “argentino” conhece Fidel Castro, aquele que viria a tornar-se no seu maior aliado na luta contra a ditadura de Fulgêncio Baptista em Cuba, até a sua ocupação como Ministro da Industria.
Benicio Del Toro (21 Grams) veste a pele de Che Guevara num desempenho premiado com o prémio de interpretação masculina no Festival de Cannes do ano passado, porém o seu esquecimento nos Óscares se fez sentir e nesse aspecto a Academia deste ano parece ter alguns problemas de Alzheimer. O actor galardoado com o Óscar de Melhor Actor Secundário por Traffic (2000), realizado também por Soderbergh, tem um desempenho fenomenal, o qual consegue “camuflar” perfeitamente na pele do revolucionário mais famoso do Mundo. Del Toro protagoniza este biopic multi-narrativo e temporal ao lado de Catalina Sandino Moreno, a revelação do filme de 2004, Marie Full of Grace, interpreta um dos braços direitos do conhecido revolucionário, afirma-se carisma e força na actriz colombiana, a juntar ao elenco também temos Julia Ormond (Surveillance), Rodrigo Santoro (300) e por fim Demían Bichir como a incontornável figura de Fidel Castro, num desempenho notável.
Depois dos Ocean’s e da experiencia Bubble, Soderbergh glorifica a imagem de Che sem aditivos e corantes de forma sóbria, contudo roçando ao esquematismo. E tal como grande maioria dos biopics, as personagens parecem estar confinadas a servir de base ao protagonista, neste é apenas Che que se destaca dos demais como é obvio, mas o resto não se fica atrás ou se consola com o papel adereçado, existem alguns desempenhos e personagens atestadas pelo meio que contornam este filme biográfico para algo mais superior, algo mais que uma homenagem, um certo dever de recontar o sucedido da Revolução Cubana e mais, um dos homens que a conduziu. Os ideais de Ernesto Che Guevara não cativaram muitos, como os EUA, um país bastante conservador do idealismo e arrogante para com o seu meio, o qual a distribuição deste filme ficou limitada a duas cópias. Mais uma vez os americanos ficarão pela ignorância e perderam um imponente filme. Ao cinéfilo aconselho reverem Diarios de Motocicleta (Walter Salles – 2004), em que Gael Garcia Bernal interpreta um Che Guevara jovem, ainda aprendiz do Mundo, obviamente também aconselho os meus “compatriotas” a esperarem pela segunda visão de Soderbergh ao símbolo de uma geração, e é já dia 2 de Abril, sem imprevistos.
A não perder – vendo para além do filme, olhando para uma das figuras mais importantes do século XX.
O melhor – Benicio Del Toro e a sua transformação
O pior – O esquematismo da intriga, mas nada de sério
Recomendações – Diarios de Motocicleta (2004), Che! (1969), Comandante (2003)
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