Real.: Nicolau Breyner
Int.: Pedro Lima, Cláudia Vieira, Nicolau Breyner, Vítor Norte, Sofia Aparício, Pedro Granger
Já lá vai o tempo em que os filmes portugueses eram único e exclusivamente competidores de festivais e restritos a um certo número de pessoas, o que assistimos nos dias de hoje é mais uma lenta ascensão do nossos produtos nacionais cinematográficos, tal fenómeno já veio de muito longe, mas nunca destacando por completo, as tentativas eram várias, mas muitas vezes incompetentes, devolver a comercialidade do cinema português perdida por remato nos anos 50. O verdadeiro “boom” surgiu com um mero empreendimento televisivo – O Crime do Padre Amaro de Carlos Coelho da Silva – que foi na realidade uma reciclagem televisiva proveitosa de um canal de televisão, partir o “que se faz em Portugal” começou a ganhar melhor forma entre o público, mercados mais competitivos e os verdadeiros blockbusters nacionais que chamavam milhares a ir vê-los. Os produtores tronar4am-se mais abrangentes e estudiosos para aquilo que os espectadores pediam, alguns deles iniciaram uma fase de internacionalização dos seus filmes (A Arte de Roubar de Leonel Vieira, Second Life de Alexandre Valente), contudo os projectos sempre tiveram a dependência com as empresas de televisão e infelizmente além a competição de dois canais de televisão rivais discutem agora os seus lugares no Box-Office de Portugal, fazendo, como é lógico, cada um puxar a sua sardinha. È um bom sinal no nosso campo, porque sabendo que a mais competitividade irá restabelecer um futuro cinematográfico nacional risonho, onde Portugal terá a sua Marilyn Monroe e o seu Robert DeNiro.
Infelizmente existe algum de cínico nisto tudo, rios de dinheiro são gastos no marketing e na publicidade de divulgação dos seus filmes, esquecendo-se do mais importante, a sua qualidade. O Contrato, um projecto apadrinhado pela TVI (o mesmo de Call Girl), era um projecto que prometia, quer pelos desconhecidos caminhos que a cinematografia nacional iria atravessar, quer por Nicolau Breyner, esse celebre actor, estrear-se como realizador de um produto meramente cinematográfico e não televisivo. Mas existia de inicio, algo que me metia medo, a simples aclamação de adaptação livre de um conto de Dinis Machado, “Requiem para Dom Quixote”, para quem não se lembra houve outrora outra adaptação livrissima que condenou o nome de um dos mais importantes escritores portugueses a estar anexado a um projecto medíocre e de ofensa á liberdade de expressão, falo obviamente de Eça de Queiroz e aquela “coisa” chamada O Crime do Padre Amaro.
Bem, mesmo sabendo que foi um filme barato, isso não impedia que houvesse algum talento e mais solidez, provavelmente no argumento que parece ter sido escrito á pressa e finalizado á mesma maneira. Breyner disfarçou obviamente naquilo que não e, um realizador, ainda mais quando foi discutido como uma promessa, os seus planos são curtos como de uma telenovelas trata-se e o resto … bem, o resto é tudo tão amador que certos filmes caseiros postados no You Tube tem mais qualidade e interesse que isto. O que escapa é o facto de Nicolau Breyner ser um actor de “A” grande, e a sua minúscula cena que surge é provavelmente ditadora de todo o filme. Pedro Lima veste a pele de um hitman cruzado James Bond, demasiado barulhento para assassino contratado e rude para secretismo. Cláudia Vieira tenta ser uma nova Soraia Chaves, com as cenas de nudez desconexas para com o resto da história, Sofia Aparício a desiludir pela negativa e um José Raposo que dá veículo aos momentos mais humorísticos de todo o filme, no final temos uma criança com trissomia 21 (atenção não irei troçar sobre o assunto, respeito e porque mais tenho um membro da família com a mesma “diferença”) que é mais convincente que muito do elenco do filme, desculpa mas é verdade, já agora, uma salva de palmas porque encantou o publico, provando assim que as limitações mentais ou físicas não limitam o talento artístico.
Para terminar, o que falta dizer sobre este filme de acção á portuguesa, nada demais, apenas confirmou-se O Contrato é trash movie pretensioso e a roçar para o amador, contudo é este tipo de filmes que levará muita gente aos cinemas. A minha experiencia com este tipo de produção foi novamente má e nem mesmo saber que via o filme na mesma sala que se encontrava Cláudia Vieira me alegrou.
A não perder – a conversa de ética e estética entre Nicolau Breyner e Pedro Lima, o único momento genial do filme.
O melhor – sente-se a ambição, mas …
O pior – (…) mas falta a irreverência de separar o produto televisivo do produto cinematográfico.
Recomendações – Call Girl (2007), Seconde Life (2009), Hitman (2007)
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