Data
Título
Take
27.1.09
27.1.09

Real.: Jesse Nelson

Int.: Sean Penn, Dakota Fanning, Michelle Pfeiffer, Dianne West, Laura Dern, Loretta Devine

 

 

Estamos em 2002, em pleno Kodak Theatre como anualmente sucede a cerimónia dos Oscars, existe uma tremenda competição, ansiedade e suspense na revelação do Óscar de Melhor Actor Principal, provavelmente a categoria mais renhida do evento e um dos momentos altos do “espectáculo glamouroso”. Numa época em que Hollywood necessitava mesmo de seguir a deriva da sociedade cada vez mais sem tabus, preconceitos e conservacionismos, era necessário ganhar a confiança dessa dita cuja, e esse foi o ano em que dois actores afro-americanos venceram os Óscares das principais categorias (Hale Berry em Melhor Actriz por Monster’s Ball, num discurso que ficou para a historia) e Denzel Washington em The Training Day de Antoine Fuqua. Hale Berry foi merecida, mesmo que o seu futuro reservou-lhe os projectos do piorio, quanto a Washington (isto parecer herege, ou até xenófobo), merecia um Óscar, talvez por Malcolm X ou The Hurricane, mas não em The Training Day, tendo em conta o resto da concorrência, Will Smith em Ali, Russell Crowe em A Beautifull Mind, Tom Wilkinson em In the Bedroom e por fim, a minha escolha, Sean Penn em I Am Sam. Sendo na minha opinião, Denzel Washington um dos melhores actores de todos os tempos, o Óscar em 2002 foi para mim uma manobra de consolação dos dois ou mais momentos que este merecia o dito cujo e que não conseguiu por razões inexplicáveis, que levou a certas suscitações de racismo dentro da Academia.

Deixando agora a polémica que já passou e seguindo agora a Sean Penn há que dar o mérito de que fazer de deficiente mental tem que se diga, oi cai no estereotipo básico e grotesco das comedias distintamente adolescentes ou do embelezamento hollywoodesco, a interpretação de Penn tem um pouco da ultima, mas é a força e talento do actor que faz com que Sam, um pai com deficiências mentais que toma conta de sua filha (Dakota Fanning) abandonada pela mãe, e essa custodia é seguida de perto pela protecção de menores que aclama que o protagonista não possuí condições para educar uma criança, é de uma perfeição realista, tiques criados, linguagem rudimentar e derivando do pronome próprio, um olhar seco e personificação inesperada, as características de uma interpretação talvez marcada pela subestimação, mas das melhores do novo milénio. Aqui na minha opinião, o Óscar era mais que merecido.

Sean Penn é um dos melhores actores da sua geração e continua a demonstrar-se como tal em futuros projectos, e mais recentemente revelou-se como sóbrio autor pelo magnífico Into the Wild, estreado em 2007, protagonizado por Emile Hirsch, infelizmente é o actor principal que serve de veículo ou até mesmo de “cordel” para carregar a ênfase dramática de um filme tão ilógico e irrealista como este. A realizadora Jesse Nelson tem um trabalho manipulável, construindo um drama com uma carga emocional imperativa, caindo na desgraça de ser um filme fácil, vendido e como já havia referido impensável. Michelle Pfeifer dá uma “forçita” nesta Força do Amor, titulo traduzido, e Dakota Fanning inicia o seu destaque como a revelação infantil que nos dias de hoje tanto se aborda, apesar de estar a cair cada vez mais na ofuscação. Contudo, a manobra sem intelecto e comercial, faz com que o melhor do filme não fique a vista de todos, a notoriedade do protagonista em fazer um papel que desafia o seu próprio “ego”.

A mensagem da fita é esperançosa, aclamando que apesar de limitados os deficientes mentais, ou “diferentes” (sendo um nome mais digno) são capazes de grandes feitos, o que basta é acreditar. Para dizer a verdade não é só os diferentes, mas todo o grupo de pessoas, são capazes de acreditar, apenas, e digo apenas basta faze-lo? Contudo a moral é recebida com uma fantasia citadina digna de uma novela sensacionalista, um obra fraca, mas o actor é que não.

PS – já agora deixo-vos com uma frase, já emblemática, pertencente da comédia realizada por Ben Stiller, Tropic Thunder, que referencia um pouco o filme de Jesse Nelson e temática dos deficientes mentais no cinema “Check it out. Dustin Hoffman, 'Rain Man,' look retarded, act retarded, not retarded. Counted toothpicks, cheated cards. Autistic, sho'. Not retarded. You know Tom Hanks, 'Forrest Gump.' Slow, yes. Retarded, maybe. Braces on his legs. But he charmed the pants off Nixon and won a ping-pong competition. That ain't retarded. Peter Sellers, "Being There." Infantile, yes. Retarded, no. You went full retard, man. Never go full retard. You don't buy that? Ask Sean Penn, 2001, "I Am Sam." Remember? Went full retard, went home empty handed...”, citado por Kirk Lazarus, personagem interpretada por Robert Downey Jr..

 

Não perder – os papéis de alguns actores realmente limitados na fita.

O melhor – Sean Penn, evidentemente

O pior – a fantasia de uma história não credível e histeria de um filme constantemente a puxar as lágrimas do espectador.

 

Recomendações – Rain Man (1988), Forrest Gump (1994), Kramer Vs Kramer (1979)

 

 

“7/10””I am Sam é um filme que todos devemos ver, e que vale pelas grandes interpretações, mas, e acima de tudo, pela muito boa intenção. Talvez deva ser visto sem "preconceitos racionais", no entanto, passa com algumas falhas graves, e por mais "apaixonados" que estejamos por Sam, é absolutamente impossível conceber certas realidades aqui representadas. Ao contrário do que nos pode fazer acreditar, não existe o lado dos bons e dos maus. Existe sim o certo e o errado, e por mais custoso que seja, o que é certo seria muito diferente na vida real.Close-Up

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:31
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3 comentários:
De ArmPauloFerreira a 28 de Janeiro de 2009 às 10:32
Uma das outras razões para lá de tudo o que o filme "I Am Sam" nos dá de tão bom é também a interessantíssima banda-sonora, feita totalmente com covers de canções dos Beatles, interpretadas pela "nata" musical da altura. Todas as canções marcam as fases, avanços e especialmente do filme.


De O Cara da Locadora a 28 de Janeiro de 2009 às 13:19
Sério? MAs eu acho o filme tão bonito, será que é tão incrível assim? Algo tão absurdo? agora tentando pegar na memória não lembro de coisas tão iverossímeis... Abraços...


De Peter Gunn a 29 de Janeiro de 2009 às 11:38
Concordo plenamente com a critica aqui efectuada ao filme. Acho que tenta em demasiado ser mais trágico do que na realidade poderia ser, tentado a todas as esquinas puxar pela lágrima facilmente. Se a interpretação de Sean Penn é realmente muito boa, o filme soa demasiado a hollywood, muito artificial e por vezes inacreditável.

Cumprimentos


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