Data
Título
Take
26.1.09

Real.: David Fincher

Int.: Jodie Foster, Forest Whitaker, Jared Leto, Kristen Stewart

 

 

David Fincher está entre os realizadores mais exímios da actualidade, cruzando a sensatez do suspense que herdou de Alfred Hitchcock e a electrização e sofisticação de um videoclipp. Os seus filmes somam a mistura entre o passado e o futuro, o legado do thriller, não como um mero objecto comercial, mas sim uma obra de arte. Os seus filmes não estariam completos sem que existem verdadeiros protagonistas que motivassem o espectador a seguir a acção, na verdade David Fincher é talentoso atrás das câmaras mas também consegue expressar-se através dos actores que escolhe para protagonizar as suas fitas. È de verificar que todos os seus filmes até agora foram fortes em termos de elenco, a dupla Brad Pitt e Morgan Freeman entre as melhores de Hollywood após Se7en, o que se diz de Edward Norton e a sua dualidade sob a forma de um Brad Pitt bizarro em Fight Club, Michael Douglas emotivo e um eficaz Sean Penn em The Game, uma Sigourney Weaver guerreira em Alien 3, o trio arriscado, mas competente em Zodiac (Jake Gylenhaal, Robert Downey Jr. e Mark Ruffallo) e por fim, Jodie Foster em Panic Room.

De todos os filmes de Fincher, Panic Room – Sala de Pânico é de todos a sua obra mais influenciável pelo estilo de Hitchcock, o qual reserva-se com um argumento escrito por David Koepp em que claustrofobia e tensão são a ordem do dia. O elenco é curto, tal como por exemplo Rope do inglês mestre do suspense, o espaço é reduzido a uma mera casa e a ligação dos actores entre um deles é de facto beneficiável para a emocionante captura de tensão que David Fincher consegue. Panic Room é uma historia simples em que decorre num assalto a uma casa, em principio abandonada, três larápios, cada um com habilidades especiais tentam encontrar “algo”, contudo a casa que planeavam estar abandonada, afinal está habitada pelas recém-chegadas Meg Altman (Jodie Foster) e a sua filha Sarah (Kristen Stewart, muito antes de Twilight). Quando ambas apercebem que a casa está a ser forjada, mãe e filha abrigam-se na Sala de Pânico, uma das particularidades daquela casa. Sem sabendo no que se estão realmente a meter-se!

Panic Room foi um dos maiores sucessos do realizador, tendo angariado 96 milhões de dólares na sua data de exibição nos EUA, comparado com os 38 milhões de Fight Club. O thriller protagonizado por Jodie Foster é realçado pelo brilhante olho dos estúdios para desenvolve-lo de forma mais fluida e comercial, ou seja enquanto Fight Club tinha um certo fundo anárquico, com certas manifestações nos eu conteúdo, o qual Americano comum despreza tais ideias, Panic Room não traz á luz do dia nenhuma contradição teológica, anarquismos ou nenhuma divulgação, trata-se de um objecto de estúdio (mas estimado), cujo seu objectivo é entreter e é isso que tenta seguir. Alfred Hitchcock fazia o mesmo com as suas fitas, filmes para o público, mas claro, com a sua “garra” artística, que na verdade os definia. Talvez seja herege meter Fincher no mesmo patamar que o realizador de Psycho ou North By Northwest, ainda mais com o destaque deste filme, mas provavelmente daqui a uns anos valentes, David Fincher seja olhado com a mesma celebrização que Hitchcock e Panic Room da mesma maneira que um Rear Window. Mas ainda vivemos no nosso tempo e Panic Room ainda seja visto como mero produto descartável de Hollywood.

O que há para dizer de Panic Room é que ele é de facto um bom thriller, talvez muito devido ao realizador que ao mesmo tempo consegue pressionar nos actores emoções e grandes desempenhos, mesmo no género de filme que é, Jodie Foster é das melhores actrizes do seu tempo e Forest Whitaker já está a dar muito nas vistas, e também um argumento sóbrio de Koepp, com noção para o Norte e Sul e bastante equilibrado no ritmo. A câmara e a sofisticação “videoclippeira” de Fincher é o que lhe dá, á fita, um ar mais moderno, porque se não fosse isso, diria estávamos perante num filme de suspense com alguma acção á mistura, feito á moda antiga. O filme mais comercialidade do realizador de Seven, um dos melhores thrillers do inicio do novo milénio. Vale a pena entrar em pânico com esta Sala …!

A não perder – as referencias ao cinema de Hitchcock, nomeadamente Rear Window.

O melhor – O ritmo equilibrado, Jodie Foster e Forest Whitaker

O pior – alguma estilização em demasia

 

Recomendações – Rear Window (1954), Rope (1948), Assault on Precinct 13 (1976)

 

8/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:57
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4 comentários:
De Victor Afonso a 26 de Janeiro de 2009 às 22:19
Grandioso thriller, sem dúvida.


De Filipe Coutinho a 26 de Janeiro de 2009 às 23:49
É um bom filme de facto mas não lhe dou mais de 7 em 10. Gostei muito da realização mas, como um todo, há muitas coisas que não resultam.

Abraço


De O Cara da Locadora a 27 de Janeiro de 2009 às 16:41
É... acho que é o mais fraquinho dele... Mas deixa, todo mundo tem que ganhar dinheiro, rs...


De Filipe Machado a 27 de Janeiro de 2009 às 23:59
Panic Room, talvez a obra mais fraca da filmografia de David Fincher... Apesar disso, um grande thriller psicológico!!


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