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23.1.09
23.1.09

A fome não é a questão!

 

Alguém se lembra do meticuloso Papillon de Franklin J. Shaffner? Filme, esse onde o actor Steve McQueen se expõe às mais difíceis e rigorosas situações quer mentais, quer físicos, sendo que a única coisa que o "sustem de pé" é a ideia de que um dia a liberdade seja devolvida? Pois bem, Bobby Sands, um dos mais relevantes militantes da IRA (Irish Republican Army) sujeitou-se a tais tormentos da enclausuramento, contudo "abraçou-os" numa causa. Causa, esse, que ficou ditada na história como Hunger Strike, uma greve de fome em revolto com o tratamento algo "especial" que os prisioneiros adquiriam no estabelecimento prisional de Maze. Após 66 dias, Sands acaba por falecer, tornando-se num mártir, a sua causa foi mediática de desde sempre vista como o acto de coragem e de imagem exemplar de liderança.

 

 

O seu corpo sofreu, a sua mente alucinou, mas o seu espírito estava cheio de esperança e liberdade, não física, mas intrínseca. Tal como PapillonHunger de Steve McQueen (não confundir com o dito actor) é um tratamento “choque” do que realmente ocorreu na prisão de Maze, onde tudo é pormenorizado através de planos longos e instáveis, uma fotografia altamente detalhada, onde é possível poderobservar os mais ínfimos circunstancies do estabelecimento e dos próprios prisioneiros. A sua narrativa, tal como os planos é lenta (muito lenta) mas ao mesmo tempo serve como uma entrada a uma distorcida realidade que certamente irá surpreender qualquer um com a crueza das imagens e da carga psicologia, não de forma espatifada se esperava em muitos dos clássico de Hollywood. Mas sim, pesada o bastante para que o espectador reflicta sobre a situação a que se encontra muitos prisioneiros. No fim disto tudo trata-se de um “The Shawshank Redemption” do nosso tempo.

 

 

Contudo, opõe ao neo-clássico de Frank Darabont, por não romanizar as suas personagens, em Hunger elas encontram-se “arrancadas” da realidade, a banda sonora é inexistente, culminando o silêncio como cúmplice desta operação. McQueen (o realizador) ainda dá-nos uma bem concretizada sequência de 15 minutos em que Bobby Sands explica os motivos da sua luta para com um padre cristão, tal cena é nos apresentada sem movimentos de câmara, sem planos sequências, sem banda sonora, sem artifícios de entretenimento, trata-se de um excerto do cinema mais primitivo que só o cinema europeu seria capaz de interpretar.

 

 

A destacar nesta obra de alta susceptibilidade é o grande actor que se encontra encabeçado no papel de Bobby SandsMichael Fassbender que parece sofrer na sua pele o mesmo que o membro da IRA, numa notável e impressionante prestação. Não é só o talento que faz um actor, mas sim a sua dedicação pelo seu papel e o sacrifício ao cinema, as mazelas ficam em Fassbender e nele um magnífico desempenho pelo amor ao cinema, tal como Christian Bale fez com The MachinistRobert DeNiro com Raging Bull e até mesmo Jared Leto com Chapter 27, “doaram” o seu corpo e também a alma nos seus papéis sacrificando o seu físico para fruto da mesma. Devido a isso, Fassbender merece um louvou! A juntar a isso temos um desesperado olhar, cujo sofrimento artístico é a prova viva que actoré um talento demasiado valioso para passar de despercebido, conhecido pelo grande público como o Stelios da obra de sucesso de Zack Snyder, 300, eis um dos nomes que prometerá dar que falar nos próximos anos. Será um novo Steve McQueen? O actor, pois claro, só futuro saberá.

 

"I have my belief, and in all its simplicity that is the most powerful thing".

 

Real.: Steve McQueen / Int.: Michael Fassbender, Stuart Graham, Brian Milligan

 

 

A não perder – a sequência de 15 anos que exclusivamente que exibe Bobby Sands debatendo-se com o padre.

 

O melhor – Um realizador com futuro, um actor no igual caminho, o resto da obra é indigestível, mas marcada com competência artística.

O pior – O facto dos planos serem demasiados longos e não possuir personagens para além da simples presença emprestada.

 

Recomendações – Papillon (1973), Midnight Express (1978), The Shawshank Redemption (1994)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:15
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