Data
Título
Take
15.1.09

 

Real.: Corey Yuen / Louis Leterrier / Olivier Megaton

Int.: Jason Statham, Shu Qi, François Berléand / Jason Statham, Amber Valleta, François Berléand, Kate Naula / Jason Statham, François Berléand, Robert Knepper, Natalya Rudakova

 

 

Carros á alta velocidade e de modelos invejáveis, mulheres sempre sexys mesmo em situações de perigo, vilões com a astúcia de uma raposa e sempre homens poderosos rodeados de capangas em tudo o que é sitio, uma “porradita” aqui, uma “porradita” acolá, uns personagens estereótipos só para dizer que existe elenco secundário, montagens rápidas, musica sempre presente baseada nas grandes novas tendências e um herói solitários de poucas palavras, mas quando fala, é sempre com estilo e em ultima palavra, que apesar de não corresponder tem um QI acima da media e tem sempre razão. Tudo isto se resume praticamente ao dito cinema chunga, que detêm uma grande parte dos valores de alugueres de inúmeros videoclubes, além disso têm uma legião de seguidores que anseiam por mais, não de variedade argumentativa, mas mais do mesmo, desde que haja os automóveis mais “frescos” do mercado e as “damas” mais “calientes” da temporada, um tipo de cinema que serve-se bem acompanhado por pipocas, pouca atenção e boa disposição.

Dentro desse circuito podemos encontrar os mais inúmeros subgéneros, todos eles ditados pelo protagonista, temos Chuck Norris, Steven Seagal, Van Damme, Vin Diesel e tantos outros que demonstram disponibilidade para brilharem num mundo de latão. Enquanto isso, Frank Martin é um ícone dentro desse próprio cinema, interpretado por Jason Statham, um dos actores mais bem sucedidos do momento no género acção, protagoniza Transporter de Corey Yuen, uma fita francesa (falado em inglês para ser de fácil distribuição), apadrinhado por Luc Besson que por cá foi lançado directamente para aluguer, atingindo um sucesso benéfico, devido ao fenómeno “passa-palavra”, tornando assim num dos mais bem sucedidos filmes de acção europeus e Statham na estrela do género que ainda hoje continua a brilhar.

Produzido em 2002, Transporter possui todos os elementos por mim apresentados acima, seguindo um modelo perfeito do catálogo dito chunga, mas é na sua irreverente afronte às leis da gravidade e da lógica que fez este filme um sucesso, além disso, Statham tem o carisma de um Bruce Willis e se apresenta como um forte protagonista, tendo beneficiado a sua sucessão. O ritmo da fita é boa, acelerada, sem descansos, cenas de acção visualmente dinâmicas e uma excelente sequência inicial com uma perseguição que já é um clássico dentro do seio chunga. O pior é quando chegamos ao argumento e ao elenco secundário, um bocejo total, como também um desperdício de François Berléand (La Fille coupée en deux). No final tudo acaba por ser um espectáculo meramente visual que agrada a muitos.

Passado 3 anos, eis que surge o auge desta trilogia, Transporter 2, Louis Leterrier (mais tarde conhecido como o frenético realizador de The Incredible Hulk) apresenta-se como realizador de uma dos objectos mais hiperactivos de sempre, cenas de acção que vão desde perseguições meramente estilosas a combates corpo-a-corpo de fazer inveja Bruce Lee. Statham assegura a acção e a personagem, Frank Martin mais um vez. O argumento, sendo ele esburacado é mais sólido que o anterior, existe uma certa noção de solidez nas personagens secundarias que apesar disso voltam a competir com personagens de videojogo, temos a beleza de Amber Valleta (o talento ficou em casa!) e a posse sensualmente mortal de Kate Naula que também interpreta um single no filme. È provavelmente o mais perfeito caso do cinema deste género, uma sequela mais alargada em termos de horizontes e com o factor coolness em alta, resultando num entretenimento pecaminoso, para vê-lo bem basta desligar por uma hora e tal o cérebro.

Recentemente Leterrier alegou que tratou Frank Martin em Transporter 2, de orientação sexual homossexual, que só é evidente numa frase ou duas em todo o filme. Segundo o realizador, estava na hora dos homossexuais terem o seu ícone de acção, e pensou ele que Frank Martin era perfeito para o estatuto. Os fãs não aceitaram muito esta arrojada escolha e Olivier Megaton, que foi o realizador ajudante de Xavier Gens em Hitman (outro filme de mesma categoria), voltou a dar-lhe o destaque de “puro heterossexual” no terceiro filme, que precisamente estreou três anos após Transporter 2.

Transporter 3 é o equilíbrio entre os dois filmes da saga, possui o estofo inicial e a velocidade limite nas sequências de acção da sequela de 2005, no fim acaba por ser mais do mesmo, quer dos caracteres que fizeram Transporter um sucesso, quer do argumento que é no fundo uma reciclagem de outras fitas de Statham fora-Transporter. Foi aquisitado um vilão cheio de estilo, Robert Knepper (Hitman, T-Bag da série Prison Break) e François Berléand, que após ter sido convertido em “monumento” no filme de Leterrier, tem aqui maior destaque, mas enganam-se continua desperdiçado e atirado para segundo plano, porque o que os fãs querem mesmo é ver Jason Statham em acção, batendo em 10 capangas ao mesmo tempo e sem ferir-se, é ver Statham em pura perseguição num ritmo energético. Com uma mensagem ecologia de fundo só para disfarçar, tudo acaba naquilo que se iniciou, mais um para o registo!

Temos ainda direito a um final em condições para o personagem Frank Martin, mas pelo andar ainda teremos quarto e talvez quinto filme. Transporters continuam a ser os “Padrinhos” do cinema chunga. Entretenimento fácil que dá milhões … ao estúdio.

A não perder – A cena inicial em Transporter (2002), as semelhanças entre Transporter 2 e Man on Fire de Tony Scott, uma pequena referencia a Game of Death de Bruce Lee em Transporter 3, que se encontra presente no combate numa garagem.

 

The Transporter (2002)

O melhor – A cena inicial

O pior – o argumento reduzido a um mero acessório

 

Recomendações – Leon (1994), Taken (2008), Commando (1985)

 

5/10

 

Transporter2 (2005)

O melhor – Um ritmo contagiado por dúzias de red bulls

O pior – mais uma vez o argumento

 

Recomendações – Man on Fire (2004), Taken (2008), Rambo (2008)

5/10

 

Transporter 3 (2008)

O melhorJason Statham, um herói carismático e cool

O pior – mais do mesmo

 

Recomendações – Shoot Em’Up (2007), Rambo (2008), Quantum of Solace (2008)

 

5/10

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:15
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3 comentários:
De Afonso a 16 de Janeiro de 2009 às 19:37
Não é que seja propriamente um fã deste tipo de filmes, bem pelo contrário!

Mas nesta crítica pareceu-me detectar quase uma necessidade de dizer mal deste tipo de filmes, muito à semelhança dos críticos de cinema portugueses (os iluminados de Portugal!). Pareceu-me uma crítica muito "complexada".

De qualquer forma sou um fã deste blog e visito-o quase diariamente!

Cumprimentos!



De Hugo Gomes a 16 de Janeiro de 2009 às 20:55
Esta critica triplas apareceu ao acaso, estava decidido a analisar o Transporter 3, mas como a trilogia que por acaso vi todos, eram semelhantes um ao outro, apeteceu-me juntar os tres numa critica a solo, utilizei um pouco sarcasmo e ironia também devido á categoria dos filmes, que propriamente não são para levar a sério.

Eu particularmente entreti-me com o Transporter 2, apesar de não acha-lo bom filme nem perto disso.

E obrigado pela visita, Cumprimentos cinefilos


De Filipe Coutinho a 16 de Janeiro de 2009 às 21:58
Nunca gostei desta série. Para mim é totalmente dispensável.

Abraço


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