Real.: Robert Wise / Scott Derrickson
Int.: Michael Reenie, Patricia Neal, Hugh Marlowe / Keanu Reeves, Jennifer Conelly, Kathy Bates, John Cleese, Jaden Smith
Em 1951, Robert Wise testou a Humanidade com uma pergunta que nos dias de hoje permanece sem resposta “Será que somos capazes de viver em paz, sem guerras, ódio ou violência”. O realizador clássico de The Haunting (1963), Born to Kill (1947) e de Star Trek (1979), incursa uma obra de ficção cientifica maior, sendo irrealista, mas filosófica, um filme de prevenção por direito. O filme segue a história de Klaatu (Michael Reenie), um extraterrestre que aterrou na Terra acompanhado por um robô como guarda-costas, Gort. As intenções de Klaatu para a sua vinda ao planeta azul são de trazer um ultimato vindo da união galáctica que considera a Terra como um local de perigo e ameaça. O aviso consiste em que os humanos, raça superior do planeta, viveriam em paz um com os outros ou o planeta era destruído. Klaatu é visto como um perigo público mundial e o governo dos EUA dá ordem para o matar.
Numa era em que a iminência de uma guerra nuclear assustava meio mundo, ainda hoje assusta, The Day the Earth Stood Still é um filme ousado no seu tempo, sem nunca apontar o dedo a maniqueísmos e sem medo de lançar-se ao debate. Impressionou-me bastante o facto de referenciar os russos, sem nunca os considerar os vilões de ordem mundial, isto numa fita dos anos 50 em que os EUA eram facilmente identificados como heróis dos fracos e oprimidos (Capitão América é uma referência disso). Contudo outro factor bastante distinguido em The Day the Earth Stood Still é não registar-se como uma vulgar “invasão” alienígena ou dos “homens de Marte” (como eram vulgarmente designados na época), o que Wise fez foi utilizar um pano de fundo apelativo para as audiências e depois submete-las a uma questão impertinente mas nunca errada. Seremos capazes de atingir a paz mundial? A resposta é traiçoeira e demasiado difícil para ser respondida, se calhar nunca saberemos a resposta.
Passado 57 anos, o filme de Wise é reavivado mas sob a forma mais sofisticada, mais comercial e mais “verde”, Scott Derrickson dirige esta nova versão do clássico de ficção científica dando-lhe uma contornancia mais ecológica e ambiental. Michael Reenie é substituído por Keanu Reeves, que aqui parece “Deus no céu” devido ao seu apropriado inexpressividade, o qual o actor de Matrix é conhecido, e com ele uma incursão diferente da versão anterior. Aqui Klaatu é mais sombrio, mais frio, calculista e com queda para sarcasmos, a sua mensagem diferençar-se muito a de 1951, ele não quer que os humanos mudem, mas sim quer que o planeta sobreviva com ou sem humanos, enquanto Reenie dava á personagem um lado mais humano e tal como Reeves citou numa entrevista acerca do filme, Klaatu de 1951 era mais humano que propriamente os humanos.
È fácil de ver porquê que este filme foi refeito, além da habitual fruição dos avanços tecnológicos, a “moda” da ecologia verde é cada vez mais presente no Mundo de hoje (não que eu tenha algo contra isso, pelo contrario, mas reparo que muitos são ecológicos ou protectores do ambiente porque simplesmente é “giro” e “formal” e não com a ideia do isso significa) e nesta fita acaba de se afirmar dando assim um rótulo de “filme correcto e de bons valores”. Mas a verdade é que pouco ou nada há a sublinhar nesta obra de ficção científica, Jennifer Connelly está como Zooey Deschanel em The Happening, uma zombie de olhos azuis, os efeitos especiais apesar de ser de grande qualidade não impressionam, não por culpa do filme mas sim pela quantidade de filmes que utilizam o CGI, não possui força dramática suficiente caindo na facilidade do bacocismo sentimental, aliás característica no registo que o filme queria evitar mas não consegue, um de filme-catástrofe. Mas no final, Scott Derrickson’s The Day The Earth Stood Still chega a ser uma ofensa ao original, devido muito ao rótulo de remake e pela liberdade artística que a fita levou, deixando com que certos aspectos presentes no original encontram-se nesta nova versão como referencia que alerta o espectador que se trata de um remake. Dentro do catálogo é um dos piores feitos. Fiquem antes pelo original.
“Klaatu barada nikto”
Robert Wise’s The Day the Earth Stood Still
O melhor – a mensagem e a escape aos registos fáceis que o filme poderia seguir
O pior – a salientar algumas inverosimilhanças características da década
Recomendações – E.T. the Extra-Terrestrial (1984), Starman (1984), Meet Dave (2008)
Scott Derrickson’s The Day the Earth Stood Still
O melhor – Keanu Reeves, John Cleese e Kathy Bates, apesar de tudo
O pior – Jennifer Connelly e o fácil registo de filme-destruição
Recomendações – The Day After Tomorrow (2004), Independency Day (1996), War of the Worlds (2005)
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