Real.: Howard Hawks
Int.: John Wayne, Red Buttons, Hardy Kruger, Elsa Martinelli
John Wayne e o realizador de Howard Hawks se reúnem de novo num filme, desta vez as pradarias do Faroeste foram substituídos pela savana africana, os índios pelos povos tribais e os cavalos por jipes todo-o-terreno. Trata-se de Hatari, um misto de comédia, drama e aventura que explora um rol de personagens num acampamento de caçadores, que fornecem animais aos jardins zoológicos de todo o mundo. Nesse seio comunitário, encontramos paixões, intrigas, conflitos e sobretudo inúmeros gags que são uma pérola dentro do reino animal, e cinematográfico também.
Howard Hawks é conhecido pelos inúmeros westerns protagonizados por Wayne que produziu e pelos incontornáveis To Have and Have Not (1944) com Humphrey Bogart, Gentleman Prefer Blondes (1953) com Marilyn Monroe, His Girl Friday (1940) com Cary Grant e Scarface (1932) que foi refeito por Brian De Palma em 1983, numa magnífica versão protagonizada por Al Pacino. Por outras palavras Hanks é um veterano e familiarizado com o panorama hollywoodesco e acima de tudo um sobrevivente da era do cinema mudo que felizmente conseguiu adaptar-se às novas tecnologias. Hatari!, que significa “perigo” na língua Swahili, é um filme dispendioso, mas realmente muito bem feito, é fácil ficar-se impressionado pelas magnificas cenas passadas durante a caça na savana africana, tudo feito com uma naturalidade crua, sem o empenho de duplos nem dos poucos artifícios tecnológicos da altura. Sequencias como a dos jipes a acelerarem ao lado de um rinoceronte negro enraivecido, ou da captura de uma girafa de três metros, cenas essas puras quase a roçar o documentário BBC, mas em termos cinematográficos são valiosos e relembro que se um filme destes géneros fosse feito nos dias de hoje, muitos atalhos eram utilizados, como por exemplo ao invés de um rinoceronte de carne e osso, teríamos algo digital. Nesse aspecto, Hatari! Garante uma experiencia nunca vista em cinema.
O enredo, esse é leve, não existe grande intriga nem ênfase dramática, toda a narrativa é levada com uma leveza exemplar e as sólidas e hilariantes personagens oferecem-nos motivos suficientes para duas horas de puro entretenimento descontraído e naturalmente belo. John Wayne lidera um grupo de actores experientes e classicistas, que vão desde o hilariante Red Buttons no igualmente papel de “Pockets” até um carismático Hardy Kruger. O se não está nas personagens femininas que recebem um vulgar tratamento de estereotípico. Hatari! foi e será neste momento um filme que dificilmente passará numa televisão publica, devido ás eventuais acusações de homofobia que tem sido alvo e da propaganda dos cigarros. Longe disso, está um muito bom entretenimento com a assinatura de Howard Hawks, um clássico da comédia dramática.
O melhor – As cenas com animais ao natural
O pior – para o seu conteúdo é demasiado longo
Recomendações – The Gods Must Be Crazy (1980), The Gods Must Be Crazy II (1989), Out of Africa (1985)
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