Real.: Carlos Coelho da Silva
Int.: Sandra Barata Belo, António Cerdeira, Ricardo Carriço, Ana Padrão, Ricardo Pereira
Como surge no filme antes dos créditos finais, uma legenda que citava “Amália morreu em 1999 … dizem por aí”, frase esta que evidencia o estatuto de consagração que a famosa fadista recebeu da pátria portuguesa, eis um ídolo que nunca morre, a voz do fado, um genuíno de mulher como artista como também, pessoa. No fundo este Amália do realizador Carlos Coelho da Silva, o mesmo da quimeras bizarra de O Crime do Padre Amaro, é uma homenagem luxuriosa e ambiciosa, que apesar das recentes acusações da família da fadista em que a longa-metragem é uma “novela de cordel”, “uma ficção irrealista e ofensiva”, no fundo se existirem ficção imaginaria no enredo tem como o intuito de sair bem sobre um espectáculo nacional que “cheira” a êxito em tudo o que é sitio.
Como muitos devem perceber, trata-se um filme humilhado pela critica nacional de imprensa (ou críticos de jornais, como gosto de chamar vulgarmente) que comparam a obra de Coelho da Silva como uma vulgar telenovela de televisão, se assim o fosse ainda era o significado que tínhamos ao nosso dispor um vasto leque de ficção nacional de alta qualidade técnica e algum pretensiosismo, sem ser enganar o espectador com enredos debiloídes, mas afinal não, e as símilações com esse tipo de produção é completamente descabida, porque este Amália está mais próximo de um simples biopic americano que um telenovela de um canal generalista. Como biopic, poderemos esperar algo nunca visto no cinema português, um pequeno passo para a nossa cinematografia que cada vez mais aposta em variedade e esta longa-metragem, que “graças a Deus” não é produzida por Alexandre Valente, é um pequeno feito no futuro improvável deste. Mas Amália está longe de ser um filme impar, o seu argumento é etrusco, confuso em termos de “arrumações” temporais e como já havia referido, muito ligado ao espectáculo.
As personagens secundárias são meros adornos ou em alguns casos metáforas encarnadas, e Sandra Barata Belo, que desempenha a grande fadista Amália Rodriguez, tem uma interpretação calorosa á muito não vista no cinema português, só penso que o facto de os produtores optarem por um playback nos momentos musicais da história é um certo ofensivo e pouco artístico para Barata Belo. Mas alegrem-se isto é cinema português de qualidade, tem falhas na execução, mas como filme biográfico é muito melhor que muitos americanizados que por vezes invadem as nossas salas. Amália já está, agora que tal Zeca Afonso e Hermínia Silva, hein?
O melhor – Sandra Barata Belo e até que enfim um filme sobre a Amália
O pior – as complicações da produção
Recomendações – La Vie En Rose (2007), Fado, a Historia d’uma Cantadeira (1948), Fados (2007)
“7 estrelas” “Não é um prodígio técnico e artístico mas merece uma visualização atenta. Deveria ser visto por todos os portugueses. Afinal estamos a falar de uma das maiores lendas da nossa história." Cinema is My Life
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