Rea.: Oliver Stone
Int.: Josh Brolin, James Cromwell, Elizabeth Banks, Richard Dreyfuss, Ioan Gruffudd, Ellen Burstyn, Jesse Bradford, Noah Wyle, Toby Jones, Jeffrey Wright, Thandie Newton
O mundo não é bem preto e branco como muitos querem tomar, não existe definição de bem nem sequer de mal, o que subsiste são escolhas e por vezes são essas que definem o homem em si. George W. Bush, apesar da legião de ódio que o persegue, não é um “mau” homem, um diabo na casa branca ou um “poço de mal que transpira pelos esporos” como muitos afirmam, é apenas uma “cabeça fria” que nos momentos mais drásticos do seu mandato tomou as decisões erradas, e sabendo que errar é humano e que o presidente dos EUA é além de tudo um homem como tantos outros, sendo essa a razão para que este filme fora criado. O realizador é tão improvável como a figura que aborda, Oliver Stone, um devoto patriota americano mas ao mesmo tempo um realizador de controvérsias e de ideais. Foi o autor do polémico Platoon e Born on the 4th of July, dois retratos críticos da guerra do Vietname e JFK e Nixon, duas abordagens a dois presidentes norte-americanos descritos com uma ferocidade singular. Quanto a W., Stone encontra-se “amassado”, com receio de ofender, contudo sente-se a falta dessa sua noção crítica que perdeu-se desde o “fiasco” de Alexander (2004), por outras palavras não possuímos um filme mordaz ao actual presidente dos EUA (até nisso Stone fez historia, sendo o primeiro biopic de um politico no activo) mas sim uma crónica mais humanista dele.
Temos uma narrativa que segue desde os trabalhos de Verão de Bush, a liderança na campanha presidencial do seu pai, a sua subida ao poder e a decisão de invasão no Iraque, tudo descrito de forma simples, humorada e light, o qual Josh Brolin tem um desempenho fenomenal, reproduzindo de forma semi-idêntica a imagem do presidente. Falando em semelhanças, temos a nosso dispor um elenco elaborado para se assemelhar às figuras políticas que representam como por exemplo Thandie Newton como Condolezza Rice, Richard Dreyfuss como Dick Cheney, Jeffrey Wright como Colin Powell (com alguns momentos de brilho) e Ioan Gruffudd como Tony Blair, tudo se soa idêntico e alguns casos temos a sensação de assistir a simples cópias estéticas, sendo muito dessas personagens de valor decorativo ao cenário da Casa Branca. Poderia se mesmo dizer que é Brolin que aguenta o barco para este não naufragar, mas W. reserva algumas surpresas que estão escondidos em ínfimos pormenores, tal como os diálogos ricos e bem-humorados, os comportamentos inadequados em reuniões políticas que presenteiam os raros momentos de satirização por parte de Stone e a química entre o protagonista e James Cromwell que desempenha o seu pai, George W. Bush sénior. Aliás é a figura paternal e a sua relação com o W. Jr que nos faz reflectir o tipo de homem que Bush é e que se tornou.
Por mais que odiamos a personalidade, apercebemos com as conclusões tiradas da fita que este conseguiu todo aquele mérito sozinho, a sua subida ao mandato presencial foi de forma improvável, porque George W. Bush tem as mais variadas características que á partida se repugna como chefe maior do país mais poderoso do Mundo. Foi um homem problemático, alcoólico, que viveu na sombra do pai, o qual sempre o humilhou, que fala antes de pensar e que possui uma ideia maniqueísta do Mundo, uma ideia pura americana. Este é o Bush representado por Oliver Stone e é provavelmente a imagem que muitos não conhecerão ou nuca irão conhecer, num dos filmes mais importantes do ano, porém ausente de mediatismo, sensacionalismo, panfletarismo e se não fosse a personalidade que é, cairia facilmente no vulgar biopic. Interessante contudo.
O melhor – Josh Brolin e alguns pormenores hilariantes
O pior – o medo de Oliver Stone em criticar
Recomendações – Nixon (1995), American Dreamz (2006), JFK (1991)
“W.” – 8 estrelas "Mesmo não sendo o regresso em grande de outros tempos de Oliver Stone, 'W.' consegue reunir todos os atributos necessários para mostrar a vida de um homem que passou por muito até chegar aonde está. Nunca foi tão agradável falar sobre George W. Bush." Ante-Cinema
“W.” – 8 estrelas “Pode-se acusar “W.” de ser uma fita dotada de um certo banalismo biográfico, tanto pela forma como foi abordado, quer pelo estilo de filmagem. No entanto, é crucial ter em consideração o indivíduo que está a ser alvo de discussão e esse é um ser humano simples proveniente do mais ambíguo estado norte-americano, independentemente do seu passado familiar. Concluindo o trabalho de Stone, este oferece uma realização necessária e formal mas que presta sempre atenção aos pormenores onde a criatividade e inventividade complementam o estilo antiquado.” Cinema is my Life
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