Se não fosse o tempo que já possui com este blog (1 ano e alguns meses) e de saber que contenho visitantes assíduos, nunca teria postado um post destes, mas devido a esses factores sinto-me a vontade para o fazer. O Cinematograficamente Falando … tem sido a maior das minhas motivações, o porquê? Porque uma das maneiras que tenho para exprimir-me a frente de todos, neste caso numa distancia de um computador com internet, e escrevendo sobre aquilo que tanto amo, o cinema. Muitos devem julgar que aquilo que sou é apenas mais um snob que fala de cinema como fosse dono do seu nariz, mas não é bem assim. Primeiro de tudo não pertenço a essa categoria de “fino” ou de origens cultas, tenho 20 anos, deixei temporariamente os estudos para entrar no mundo do trabalho, sou empregado numa empresa de jardinagem cujo objectivo dos meus dias é principalmente limpar e manutensear jardins de escolas primárias. De momento não tenho nenhuma namorada ou companheira (tudo indica que quem convive comigo algum tempo, o meu feitio tende em converte-se algo insuportável, más línguas digo eu), quanto a amigos, tenho poucos, mas bons, contudo a disponibilidade deles é muito fraca por isso não existe grande tempo para programas, mas quando os há garanto que são inesquecíveis, não sou audiência para televisão (como podem ver não sigo nenhuma série de TV e em termos de telejornais prefiro mesmo lê-los em papeis - o autêntico jornal), sou grande adepto de música, não sei o que seria a minha vida sem ela, e muitos dos meus dias são passados a sofrer com o replico modelo de que são feitos os ditos dias, ou seja rotina, aquilo que deprime qualquer um e o cinema sempre tem sido uma forma de refugio que utilizo muitas vezes para fugir do mundo real, nomeadamente é esse o meu passatempo, sentir o cinema, rir, chorar, exaltar, emocionar e apreciar o que tão de bom tem a sétima arte e que de tão terapêutico tem este.
Hoje algo abateu a minha mente, tudo aconteceu quando seguia de uma escola para a outra em pleno horário de trabalho, para isso tive que atravessar uma passadeira área, subitamente parei a meio dela. Inclinei a minha cabeça para o alto e mirei um céu completamente limpo, sem vestígios de qualquer partícula de nuvem, deviam ser quatro da tarde e o sol se preparava para o seu recolher habitual e devido a isso, um clarão detectável era visível sob o horizonte azul. Tirei os auscultadores dos meus ouvidos, o que desejava naquele momento não era ouvir música, mas sim o som natural da cidade, os carros, as pessoas, os pássaros que provocavam uma barulheira nas imensas árvores dos Olivais e o zumbido do vento que colidia com os meus ouvidos. Parecia um doido, mas na verdade não o era, estava a fazer algo que muitas vezes a apressada população de Lisboa esquece de fazer, observar e admirar o céu, sentindo grato por estar presente num dia tão belo em pleno de Novembro, senti-lo não como um dia, mas sim como o dia. Estava lá parado um ou dois minutos, pequena pausa, pequeno tempo tirado nas nossas rotinas para nos fazer lembrar que temos um propósito a cumprir com a nossa “criação”, viver e sentir me vivo. E foi naquele curto espaço de tempo que o cinema voltou a apoderar-se de mim, a inesquecível imagem de Andy Dufresne (Tim Robbins) do fabuloso filmes os Condenados de Shawshank que momentos após fugir da prisão que o cativava-o, explode de euforia a sentir a chuva a bater no seu rosto. Ou até Wanted – Procurado, quem segue este blog sabe muito bem que não foi filme elogiado por mim, mas o conceito de um homem vulgar vivendo uma vida banal até encontrar Angelina Jolie que o leva para um mundo de adrenalina e de existência fazia todo o sentido. Muita gente espera que uma Angelina Jolie entre nas suas vidas para liberta-lhe da prisão que os acorrenta – a rotina – eu também espero por essa figura messiânica, mas posso estar gratos por ter o meu momento de vivencia, uma pura liberdade, sem patrões, sem pais, sem compromisso, sem professores e sem responsabilidade, tudo por apenas dois minutos. Minutos, esses devido a um gesto absolutamente normal mas pensado de maneira diferente, simplesmente olhar o céu (como já dizia aquela famosa musica dos Xutos e Pontapés). Da próxima vez que olharem para o dito, não reparem somente se está a chover ou não, mirem realmente o céu.
Obrigado pela atenção
(segundo a Pesquisa de Qualidade de Vida Europeia os portugueses estão cada vez mais infelizes e deprimidos, Portugal é um dos países da União Europeia com maior nível de infelicidade. Há que alegrar o espírito. J
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