Real.: Pierre Morel
Int.: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen, Xander Berkeley
Quem nunca ouvi falar daquele mito em que uma mãe ao ver o seu filho encarcerado num automóvel, a sua aflição é o bastante para esta conseguir o levantar. Poderá ser muito mais ficção que realidade, mas o verdadeiro significado é que o ser humano consegue até mover montanhas para proteger / salvar os seus queridos. O cinema, principalmente o de Hollywood, transpões desse valor humano para criar dramas arrebatadores ou até mesmo, como é o caso, filmes de acção puro e duros, carregados de adrenalina e muita emoção transmitida pelo espectador. Pierre Morel repete essa premissa pela milésima vez no cinema, tendo como palco de fundo o tráfico humano, mas como vulgarmente se diz “é tudo igual, o cheiro é que é diferente”.
Steven Seagal, Arnold Schwarzenegger e Denzel Washington foram alguns dos inúmeros actores que perseguiram os raptores das suas crias ou adoptivas em filmes de categoria acção com alta taxa de mortalidade (no caso do Schwarzenegger, a coisa foi um pouco levada ao extremo), agora foi a vez de Liam Neeson, um actor que encontrava-se recentemente um pouco apagado da indústria cinematográfica, de reviver a pele de um pai, Bryan, ex-agente secreto, que segue para Paris para recuperar a sua filha de 17 anos que se encontra raptada no âmbito do tráfico humano. Bryan só tem 90 horas para encontra-la iniciando assim uma Busca Implacável, tal o título traduzido.
Trata-se de sobretudo uma aspiração do cinema francês aos grandes blockbusters americanos, quem não se lembra de Commando com Arnold Schwarzenegger, aquela dita aberração da potencialidade militar americana, pois bem, este Taken além de não apresentar um herói de corpo de Hercules ou de muito show de artilharia, capta Liam Neeson que consegue cumprir agradavelmente o seu papel “like-Steven Seagal”, mas ao contrário do infame actor de Duro de Roer (1990), este possui um pouco mais de expressão, nem que seja por um carisma mais acentuado. De resto estamos perante de um filme de puro delírio, cheio de adrenalina, inverosimilhanças agradáveis de se ver e tudo nos conformes para a boa disposição, mesmo que o tema seja triste. Tudo isto deriva a uma premissa simples, banal e previsível até ao último minuto, eis que os “maus da fita” estão condenados após a sua primeira aparição no ecrã. O fundo do comércio humano é apenas mais um pretexto para reutilizar histórias deste género. Apesar de tudo, não encontro motivos para ficar de fora de um entretenimento tão leve e cheio de esperança. Muito superior a qualquer filme protagonizado por Seagal. Um guilty pleasure.
O melhor – A revelação de Neeson como herói de veia Rambo
O pior – pouca psicologia, mais músculo
Recomendação – Man on Fire (2003), Commando (1985), Belly and the Beast (2003)
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