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5.10.08

 

Bem-vindos ao mundo de Tarantino!

 

Em 1994, um realizador que discretamente captou a atenção do mundo pela sua primeira obra (Reservoir Dogs - 1992), consegue alcançar o prestígio mundial em trazer ao mundo uma rebuscada ideia que resulta na melhor forma de cinema; a experimentalidade e a criatividade de contar histórias de diferentes parâmetros, ou seja, são as ciências exactas que descrevem as imagens de um plano e para isso á que ser um conhecedor e acima de tudo um artista com uma visão mais alargado. O Sr. Quentin Tarantino tem isso e muito mais, detentor de uma cultura pop invejável, sem medo de expressar os seus pensamentos, ideias e afins, sempre em inovação, o realizador do prestigiado Reservoir Dogs – Cães Danados atinge o seu auge no já referido ano de 1994. Estou a referir ao Pulp Fiction, que venceu o Grande Prémio de Veneza e foi nomeado a sete Óscares de Academia, vencendo apenas um, o de Melhor Argumento Original e nomeado para a categoria de Melhor Filme, contudo a concorrência era dura, mas na minha opinião merecedor de tal distinção.


Tirando toda aquela admirável arrecadação de prémios, Pulp Fiction é nos dias de hoje um dos filmes americanos mais influentes de sempre e uma obra onde desafia os variados parâmetros do cinema clássico desse mesmo país, digo desde já que Pulp Fiction está longe de ser uma obra produzidamente perfeita, mas é nas suas imperfeições que desperta um revoltante grito ao mais primitivo artifício do cinema, a arte de contar uma história (neste caso varias), tal como nas relações amorosas; “amamos as pessoas pelos seus defeitos e não pelas suas virtudes”, neste caso amamos este filme pela sua dúvida de ser. Não se consegue englobar em nenhuma categoria congénere cinematográfica, mas sim num mundo á parte, o tarantinesco para ser exacto. O gosto de ver um filme sem catalogações limitadas e sem uma fidelidade para as regras do mesmo, e nesse caso posso dizer que estamos a assistir a grande cinema, o verdadeiro cinema para ser preciso.


Pulp Fiction é como uma espécie de sequela não oficial de Reservoir Dogs, uma retenção de estilos e tiques, de diálogos puramente cultos, bem construídos, elegantes e cativantes, sempre um amontoado de curiosidades e a já dita cultura pop vinda directamente da mente de Tarantino. Enquanto na obra anterior, o autor parecia inseguro e imaturo (mas com muito talento á mistura), neste filme a sua maduração é evidente e a segurança constante, a construção de uma simbiose de personagens cativantes e marcantes entre a cultura cinematográfica; Vincent Vega (John Travolta), Mia Wallace (Uma Thurman) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) que já fazem parte do imaginário do cinéfilo. As suas interpretações são imaculadas e substanciais num que requer ao preenchimento de personagens tão bem desenhadas, aliás o leque de personagens de teor tarantinesco, quase que ferradas a fogo com violência e drogas, nunca são desperdiçadas e os actores que encarnam, fenomenais. Mia Wallace uma das personagens femininas mais fortes do cinema norte-americano e a química entre Travolta e Thurman, engenhosa, quase sempre repetida nos anos que passaram.


A banda sonora é também inesquecível, detentora de inúmeros títulos de ficar no ouvido, o tema central é contagiante e marcante e o singleGirl, You´ll Be a Woman Soon” de Urge Overkill representa um dos melhores momentos. Trata-se de um dos filmes altos de 1994 (se não for o mais alto), memorável, incluindo os quotes nos diálogos e nos outros aspectos que já referi. Pulp Fiction é um poço de originalidade e criatividade, um filme recheado de grandes momentos de pura genialidade num cinema feito no ramo trash que evidência as suas origens imperfeitas, mas ao mesmo tempo um filme perfeito. Destaque ainda para a cena de dança entre Travolta e Thurman para terem uma ideia da magnificência desta obra genuína.

 

Royal With Cheese

 

Real.: Quentin Tarantino / Int.: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Harvey Keitel, Bruce Willis, Tim Roth, Christopher Walken, Ving Rhames, Eric Stoltz, Maria de Medeiros, Quentin Tarantino, Steve Buscemi

 

O melhor – tudo mesmo

O pior – não ter ganho o Óscar de Melhor Filme

 

Recomendações – Reservoir Dogs (1992), Snatch (2000), Jackie Brown (1997)

 

Pulp Fiction” – 10 estrelas "Ao longo de 154 minutos de filme percebemos o quão distinto e pessoal é esta obra tornando-a num filme de culto, obrigatória para qualquer fã da sétima arte."Cinema is my Life

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:44
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9 comentários:
De Cecilia Barroso a 6 de Outubro de 2008 às 05:39
O filme é mesmo uma obra-prima do cinema.
Daqueles que pode ser visto várias vezes e que sempre vai impressionar.
Também adoro a trilha sonora!


De Filipe Coutinho a 6 de Outubro de 2008 às 22:01
Absoltumanete essencial. Obrigatório e intemporal. Simplesmente um dos melhores filmes que a sétima arte já criou.

Abraço


De The Joker a 7 de Outubro de 2008 às 19:50
Ah, grande clássico!


De Dreamweaver a 8 de Outubro de 2008 às 15:46
Cheira-me que aproveitaste a promoção da Worten como eu, e compraste o dvd a 1,89 :D
Abraço


De Hugo Gomes a 8 de Outubro de 2008 às 21:07
Podes crer, grande promoção, fui logo a correr para a Worten mais proxima quando sube da promoção


De Olga a 13 de Novembro de 2008 às 20:54
Só para avisar de que foi vítima de plágio, pode comprová-lo aqui: http://hotvnews.wordpress.com/2008/11/12/pulp-fiction-por-tiago-ramos/


De Pedro Emanuel Cabeleira a 27 de Setembro de 2010 às 10:06
Excelente comentário ao filme! Disseste muito sobre a grandiosidade desta obra, e identifico-me com muito do que disseste sobre esta "fábula" tarantinesca . Pulp Fiction é o meu filme predilecto, talvez por esta sua harmonia em funcionar como um todo. Um filme que se torna muito pessoal, uma obra que é para desfrutar, um filme inspirador. Apesar da minha opinião não ter qualquer legitimidade, Pulp Fiction , para mim, é até hoje o nº 1. Não por ter a melhor realização de sempre, mas sim porque como um todo, como um filme, como aquilo que nós pagamos para ver no cinema, é o que resulta melhor.
Parabéns pelo comentário e pelo blog!

P.S.: O filme bem podia ter ganho em Veneza, mas ganhou foi a Palma em Cannes.
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Excelente comentário ao filme! Disseste muito sobre a grandiosidade desta obra, e identifico-me com muito do que disseste sobre esta "fábula" tarantinesca . Pulp Fiction é o meu filme predilecto, talvez por esta sua harmonia em funcionar como um todo. Um filme que se torna muito pessoal, uma obra que é para desfrutar, um filme inspirador. Apesar da minha opinião não ter qualquer legitimidade, Pulp Fiction , para mim, é até hoje o nº 1. Não por ter a melhor realização de sempre, mas sim porque como um todo, como um filme, como aquilo que nós pagamos para ver no cinema, é o que resulta melhor. <BR>Parabéns pelo comentário e pelo blog! <BR><BR>P.S.: O filme bem podia ter ganho em Veneza, mas ganhou foi a Palma em Cannes. <BR><BR class=incorrect <a name="incorrect">http</A> </A>:/ estupidomaestro.blogs.sapo.pt / <BR><BR>Cumprimentos <BR><BR>Pedro Emanuel Cabeleira


De Pedro Emanuel Cabeleira a 27 de Setembro de 2010 às 10:09
O final do comentário ficou meio baralhado, o que queria dizer era isto:

Parabéns pelo blog e pelo comentário.

P.S. : O filme bem podia ter ganho em Veneza, mas ganhou a palma em Cannes.

http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/

Cumprimentos

Pedro Emanuel Cabeleira


De Francisco Quintas a 15 de Abril de 2017 às 03:23
A década de 90 foi uma das melhores, mas especificamente o ano de 94 é hoje discutivelmente considerado o ano que mais contribuiu para o cinema ser algo mais apreciado e levado a sério. Não só este ano claro, mas ao proporcionar alguns dos melhores filmes de sempre como The Shawshank Redemption, The Lion King, Forrest Gump, etc, foram graças a estes que a sétima arte ganhou impulso de novo (graças às inovações das animações e devido às diferentes maneiras de contar histórias, como nos filmes anteriores que já referi). Pulp Fiction pode não ter levado o Óscar de Melhor Filme, mas hoje em dia acho que isso nem importa tanto. O filme é espetacular? É! É um dos melhores de sempre? Claro! Ganhando ou não, não precisaria do Óscar para nada, apesar de poder ter sido um enorme prestígio! Forrest Gump e The Shawshank Redemption eram grandes pesos pesados também.
Mas falando Pulp Fiction. Bem já disseste praticamente tudo não é? Ótima crítica. Um filme como este precisava de uma crítica que também fosse mais além daquilo que é costume. Ainda espero que o Tarantino se supere antes de se reformar, o que provavelmente não vai acontecer. Foi a primeira e última vez que se fez um filme assim. Uma pena e um alívio ao mesmo tempo!

Abraço


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