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25.8.08


 

Com cooperação com os blogs Ante-Cinema e Cinema is my Life, eis um top elaborado na aclamação do melhor remake. Para dizer a verdade foi uma escolha difícil, mas alguém tinha que faze-lo. E para mostrar que nem todas cópias são más, já dizia Orson Welles em F for Fake, nem sempre a dita cópia é inferior ao original, já que o conceito de copiar algo primoroso é de um facto notável e redentor de talento.

Escrito por Hugo Gomes (Cinematograficamente Falando) e F.F. Coutinho (Cinema is My Life)


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#10 3:10 To Yuma (2008)

Já há muito tempo que os Westerns não são um mercado particularmente lucrativo lá para os lados da cidade dos anjos. No entanto, de quando em vez, lá surge uma tentativa de nos fazer retornar a esses gloriosos tempos onde inúmeras fitas como “The Good, The Bad and The Ugly”, “The Searchers” ou “A Fistfull of Dollars” fizeram as delícias de inúmeros fãs deste muito afável género cinematográfico. Desta feita, James Mangold (realizador do magnífico “Walk the Line”) decidiu afastar-se um pouco do que havia realizado até ali e dedicou-se a esta adaptação de uma fita de 1957 dotada do mesmo nome. Glenn Ford é a grande estrela da obra original, também celebrizada por Van Hefln. De notar que foi realizada por Delmar Daves, realizador da fita “Dark Passage” com Humphrey Bogart e Lauren Bacall. O aspecto mais sensacional no que toca a esta película não é as excelentes interpretações de Russel Crowe e Christian Bale, a magnífica realização de Mangold ou o engenhoso e inteligente argumento, mas sim o facto de “3:10 to Yuma” conseguir transportar-nos para os velhos tempos onde este mui nobre género cinéfilo decorria. Todo o mise en scéne é cuidadosamente preparado assim como foi feito um óptimo trabalho no que toca ao réperage. Por tais considerações só podemos concordar que este western merece, com toda a certeza, estar no top 10 dos melhore remakes de sempre.

 

#09 I Am Legend (2007)

Segundo Stephen King, o escritor fantástico de livros como Shining e o recente convertido a filme 1408, o livro de Richard Matheson escrito em 1964, I Am Legend é o melhor livro do género do século XX. Uma visão apocalíptica e sempre expectativamente para com a personagem que convertem-no numa espécie Robinson Crusoé do futuro (e sem ilha). Esta história de ficção cientifica e terror já fora adaptada ao grande ecrã mais de três vezes, incluindo Omega Man (1971), protagonizado por um Charlton Heston sempre cheio de estilo e uns mutantes que seguem o mesmo caminho. Esta versão de 2007, em comparação às outras duas versões, é mais sofisticada, não só pela composição da “abandonadaNova Iorque, mas também pela carga psicológica trazida por Will Smith quanto ao seu isolamento, sem contar com as ideais cenas que protagoniza com o cão que trazem á luz os melhores momentos de afecto animal – homem no mundo do cinema. Realizado por Francis Lawrence, o mesmo de Constantine, I Am Legend é a grande inovação no mundo dos remakes a posicionar em nono neste top.

 

#08 Vanilla Sky (2001)

Seria extremamente complicado para Vanilla Sky vingar no mundo da sétima arte. Esse facto não se deve, em particular, por ser um remake, mas sim por ser um remake de uma obra de Alejandro Aménabar intitulada “Abre los Ojos” que é por si só uma das mais importantes fitas do cinema espanhol. Dotada de um argumento de louvar aos deuses, actuações muito competentes e uma realização em tudo perfeita, o filme espanhol é um marco cinéfilo. Conta com Penélope Cruz, Eduardo Noriega e Fele Martinéz nos papéis principais e a principal curiosidade depara-se com Cruz, que repete o seu papel no dito remake. A história centra-se em um homem bem sucedido e bastante atraente que é confrontado com um severo acidente rodoviário que lhe destrói por completo a cara. Resta-lhe reconstruí-la enquanto os seus dois amores da sua vida lutam pelo seu apreço. Mas será que a realidade e a ficção misturam-se? Ou será tudo um sonho? Bem ao estilo de Lynch, estamos perante uma surpreende obra do cinema Hollywoodesco onde as incertezas reinam até ao fim. A película não foi particularmente bem sucedida no box-office e as críticas não foram as melhores. Não obstante, é impossível ignorar o valor inerente à mesma e a qualidade que detém enquanto remake. Merece, sem qualquer margem para dúvidas, figurar neste top.

 

#07 War of the Worlds (2005)

Este é um daqueles muito raros casos em que o remake é infinitamente superior ao produto original. A primordial adaptação para o cinema da obra literária de H. G. Wells datada de 1953, não é, propriamente, um prodígio técnico nem é, por sinal, um daqueles eternos clássicos da sétima arte. Visto isto, seria de esperar, com algum agrado, a incursão de Steven Spielberg neste obscuro mundo das invasões extraterrestres, um assunto que lhe diz muito e que tão bem o retratou no passado. O argumento escrito por David Koepp (que também escreveu para Brian De Palma para “Carlito’s Way”) e Josh Friedman dão a consistência negra pós 11 de Setembro que tão bem se adequa aos propósitos do filme, assim como as interpretações de Tom Cruise, Dakota Fanning e Tim Robins. A única intervenção deste último é, no mínimo, genial. A película é um daqueles fenómenos que gera reacções contraditórias no espectador, onde uns gostam bastante enquanto outros a desprezam. No entanto, torna-se praticamente impensável referir que não é um remake competente, se não for mais, que seja pelos excelentes CGI (Computer Generated Imagery) que oferecem um universo impecável e exemplar. Apurados os factos, percebe-se o quão essencial é “War of the Worlds” neste top.

 

#06 Hill Have Eyes (2006)

Alexandre Aja, que havia apenas realizador o discreto, mas aplaudido, Haute Tension – Alta Tensão, teve aqui a oportunidade de brilhar, que felizmente conseguiu, na adaptação ao remake homónimo dirigido pelo mestre do terror, Wes Craven (Scream, A Nighttmare on Elm Street) em 1977, que conta a história de uma família que passa férias na sua caravana que se vê encurralada entre os desfiladeiros cheios de mutantes radioactivos canibais. A premissa é demasiada série Z, assim por dizer, e deve-se muito ao inovador Texas Chainsaw Massacre (1974) de Tobe Hopper, sendo no geral, o filme de Craven não fora muito bem recebido, mesmo assim a sempre quem o apelida de clássico. Na versão de Aja, tudo fazia crer estar perante noutra “remexadela” insignificante no baú dos “tesourinhos deprimentes”, mas como por milagre o filme protagonizado por Aaron Stanford (X-Men – The Last Stand) e Vinessa Shaw (3:10 to Yuma) sobrevaloriza garças ao seu ritmo frenético e á sua ousadia que desafia a conservadora Hollywood. Aja destacou-se nos EUA, o filme teve um êxito amigável e “todos ficarão contentes”. Tripas, sustos e machadadas a destacar na sexta posição do top.

 

#05 Cape Fear (1991)

Trata-se de um remake de um filme de 1962, Cape Fear, realizado por J. Lee Thompson e protagonizado por Gregory Peck e Robert Mitchum que conta a história de um advogado de defesa, Sam Bowden (Peck) que se vê ameaçado por Max Cady (Mitchum), um temível psicopata que depois de ter sido condenado regressa para vingar daquele que lhe pôs dentro. Em 1991 no auge do cinema psicopata, falo obviamente do furor de The Silence of the Lambs de Jonathan Demme que arrecadou 5 Óscares, incluindo de Melhor Filme, Martin Scorsese (Taxi Driver, Raging Bull) refaz a curiosa obra dos anos 60 e a torna ainda mais negra, controversa e perturbante e como tal invoca Robert De Niro a interpretar Max Cady, dando uma incursão ainda mais sombria e sem precedentes. È como tal um filme maioritariamente da autoria de Scorsese, mesmo sendo um género pouco comum para este, mas a sua medula converte numa das grandes obras do ano 91, o filme teve pouco impacto na época talvez muito devido a ofuscação por parte do grande thriller psicopático, The Silence of the Lambs, mas não é por isso que não merece a quinta posição deste top.

 

#04 Charlie and the Chocolate Factory (2005)

Em 71, eis que surge um dos grandes êxitos do actor Gene Wilder, ao interpretar o excêntrico e fantasioso Willy Wonka do filme infantil Willy Wonka & the Chocolate Factory, que tornou-se numa predilecta fita para as épocas natalícias e sem falar de ser um sonho pervertido dos mais gulosos. Em 2005, o realizador Tim Burton, conhecido na cinematografia pela sua carga gótica que excede os seus filmes, em cooperação com o actor Johnny Depp, levam esta fantasia molhada a um nível mais bizarro, mas não por isso menos encantado. Neste filme, além de Depp estar fenomenal e irreconhecível no papel de Wonka, verdade seja dita com contornos de Michael Jackson, a obra aborda profundamente outra personagem também ela importante para o desenvolvimento, Charlie Bucket, aqui desempenhado por Freddie Highmore. Um filme de fantasia por excelência a povoar a posição número quatro do nosso top.

 

#03 Bram Stoker’s Dracula (1992)

Francis Ford Coppola, que consagrou-se com filmes geniais como a trilogia The Godfather e o mítico Apocalypse Now, adapta aqui aquela que talvez seja a história mais adaptada ao cinema, o conto de Bram StokerDracula. O livro é um romance dos infernos em que retrata um demónio sugador de sangue que vive isoladamente no seu refúgio, um castelo mais propriamente, em busca do seu amor há muito perdido. Em 1922, eis que surge a primeira incursão da prestigiada obra de Stoker, Nosferatu de F.W. Murnau, um dos filmes mudos mais conhecidos da história. O nome do vampiro apesar de ser diferente á da personagem do livro, isso deve-se ao facto dos direitos de autor não ser vendidos ao estúdio da época e por isso o nome foi modificado para não existir relações á primeira vista, só mais tarde em 1931, eis que surge o primeiro filme original desta gótica personificação do diabo, em que Bela Lugosi faz desta uma personagem eterna. Depois disso seguiu-se Christopher Lee que iniciou uma saga mais sanguinária nos anos 70. A versão de Coppola é a de todas a mais fiel á obra, e as suas características góticas, o seu elenco invejável e a sua solidez no retrato do romance proibido e maligno, faz com que este filme de terror, seja um dos melhores da sua categoria, aliás é o incontornável Gary Oldman a fazer de o vampiro-mestre, por isso merece incólume a posição 3 do top.

 

#02 The Departed (2006)

The Departed é um daqueles remakes que segue uma nova tendência em Hollywood, isto é, adaptar tudo o que seja obras de sucesso lá para os lados orientais. Existe apenas uma diferença, que de resto, é a mais importante, ou seja, esta é realmente detentora de qualidade enquanto as restantes não passam de lixo cinematográfico. Não faz qualquer sentido citar nomes já que as que me refiro são bastante conhecidas a larga escala. Bem, o que é importante destacar é a mestra com que Martin Scorcese adapta esta obra inspirada na trilogia do cinema de Hong Kong “Infernal Affairs”. A primeira fita da saga denomina-se ”Mou gaan dou” (nome da obra original) e é realizada por Wai-keung Lau e Siu Fai Mak e está cotada, no IMDB, em 8.1 em 10. Tornou-se um fenómeno de culto mundial devido ao seu extremamente em estruturado e coeso argumento onde se destacam os twists e capacidade de prender o espectador. Assim sendo, Scorcese viu muito potencial neste filme para poder produzir aquelas obras que tanto gosta tornando esta caça entre o gato e o rato um autêntico pedaço de qualidade cinematográfica. A fita foi nomeada para cinco estatuetas douradas na cerimónia de 2007 tendo arrecadado quatro. Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Montagem foram os Oscars arrebatados. Mas será injusto não referir as interpretações de luxo, onde Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Mark Wahlberg e Matt Damon brilham juntamente com tantos outros. De destacar que “The Departed” encontra-se na posição 44 no top 250 do IMDb com a excelente nota de 8.5 em 10. Por tudo isto, facilmente percebe-se que é um remake de sucesso e que merece visualização.

 

#01 Scarface (1983)

Muitos não sabem, mas a verdade é que “Scarface” é um remake de uma fita dotada do mesmo nome produzida em 1932, realizada por Howard Hawks e celebrizada por Paul Muni e George Raft. Na altura foi um marco no cinema de gangsters e ainda hoje é considerada uma das fitas maiores deste muito explorado género. Em 1983 Brian De Palma decidiu adaptar esta obra aos tempos mais modernos (pelo menos na época em que a longa metragem foi rodada) realizando, desta forma, uma das mais célebres histórias da sétima arte. Esta relata o rise’n’fall de Tony Montana, um cubano que emigra para terras do Tio Sam em busca do velho e atractivo sonho americano. Este começa a subir na vida quando entra no mundo do narcotráfico. A tagline da fita serve exactamente os propósitos deste anti-herói: The World is Yours. Dinheiro, mulheres e poder. Montana tem tudo aquilo que pode desejar. O único problema reside no facto de que quem entra neste mundo, dificilmente consegue sair e Tony não sabe respeitar a principal regra neste negócio: Don’t get high on your own supply. Com esta premissa, De Palma cria uma obra inesquecível e intemporal, afirmando-a como o melhor remake de sempre. Como se não bastasse, ainda há um perfeito Al Pacino na sua melhor actuação da carreira, o que revela esplendor em toda a linha tendo em conta o seu vasto currículo e um argumento tecnicamente exemplar escrito por Oliver Stone. Será fulcral referenciar algumas citações comoSay hello to my little friend”, “I always tell the truth. Even when I lie.Ou ainda “In this country, you gotta make the money first. Then when you get the money, you get the power. Then when you get the power, then you get the women.” que marcam, invariavelmente, o rumo fundamentalmente bem sucedido desta autêntica obra-prima.

Gostaria de saber a vossa opinião acerca deste tema ou do top. Concordam com as escolhas?

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:17
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5 comentários:
De moviesearch a 25 de Agosto de 2008 às 20:56
Concordo


De Dreamweaver a 25 de Agosto de 2008 às 22:09
Para mim, um dos melhores remakes alguma vez feitos foi o Dawn of the dead do Zack Snyder.
Abraço


De Palavras de Cinema a 26 de Agosto de 2008 às 02:32
Muito bom top. Nunca consigo fazer tops, os dilemas dão-me sempre para longas horas e nunca consigo chegar a uma conclusão. Aqui provavelmente intrometia o The Man Who Knew Too Much algures e não metia o The Hills Have Eyes porque ainda não vi.

Boa semana!


De Anónimo a 29 de Março de 2009 às 02:25
ola a todos achei a lista meio ... muito amadora sao umas crianças perdidas ah se os lumiere estivessem vivos eles sofreriam choco a primeira era melhor sinceramente mas o pior erro o pior erro foi scarface ou a falta de informaçao seus burros eu vou resumir ta ... e o oscar vai para titanic vencedor de 11 oscars e o que q tem e uma refilmagem de um de 1952 a mesma melodia ... jack ... jack ... enfim jack por uns e outros nota 6


De Hugo Gomes a 29 de Março de 2009 às 11:50
è engarçado, que quando se quer ofender assian-se como anonimo. sairam cá uns corajosos.

Não percebi nada do que dizeste,nem do que quiseste transmitir


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