Data
Título
Take
14.8.08

Real.: Zack Snyder

Int.: Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Weber, Mekhi Phifer, Kevin Zegers

 

 

Em 1968, um homem revolucionou o terror, dando-lhe um subgénero de sucesso, foi George A. Romero que trouxe The Night of Living Dead, um filme de terror de baixo orçamento e rodado a preto e branco que tornou-se êxito de público e crítica. O filme distinguia-se pela mordaz critica da posição dos EUA no Mundo através da invocação de um cenário apocalíptico ode os mortos ganhavam novamente vida e com eles um apetite voraz por carne humana. Dez anos depois, o autor realizou aquela que talvez seja a sua obra-prima, Dawn of the Dead – O Amanhecer os Mortos, em que Romero glosava o consumismo através da barricada dos seus personagens num centro comercial. Depois do (ainda mais) êxito do legado dos zombies, que se finalizava como trilogia em 1985, Day of Dead, que apesar de estar ao nível dos anteriores não teve a mesma aprovação do público e crítica, os filmes de zombie tornaram-se uma grande parte da produção de terror e cada um queria expressar a sua visão apocalíptica desta grossura de maneira diferente, caindo muitas vezes na patetice.  Em 2002, o flexível e experimental Danny Boyle entra nesse universo romereano com 28 Days later, que se tornou tal como The Night of Living Dead, um êxito de crítica e público. Na obra de Boyle muitos factores se estabeleceram para enriquecer ainda mais o legado, entramos no século XXI e com ele um medo temível originário nas ameaças patológicas, neste caso um vírus mortal que serviu de desculpa (e que desculpa!) para a criação desses seres necromorfícos. Em 28 Days Later a acção tornou-se mais real e os zombies, outrora caracterizados como seres limitados na coordenação muscular, eram representados neste “conto” de Boyle em criaturas vorazes e rápidas, aumentando assim o seu grau de ferocidade e medo.

26 Anos depois do clássico de horror de George A. Romero, Dawn the Dead, e com o mundo cinematográfico a passar o começo de uma febre de remakes de filmes clássicos de horror, eis que surge uma improvável “revisão” dessa mesma obra. O realizador escolhido foi o Zack Snyder, desconhecido, que utiliza ao seu favor a ideia de Romero e as influências de Boyle para trazer aquilo que se poderia chamar de Dawn of the Dead do século XXI. Uma analise actual e mais musculada que resulta num dos remakes mais criativos de sempre. Tal como o original de 1978, uma praga abate sobre a população mundial, os mortos começaram a caminhar a terra e um grupo de sobreviventes, “vivos”, barrica-se num centro comercial, lá encontram uma frágil paz, o qual todos terão que viver em comunidade.

Ao contrário de muitas revisões dos clássicos, que são exclusivamente copy and paste sem alma, este Dawn of the Dead é além de tudo um muito bem trabalhado remake, quer pela ambição do seu elenco, quer pela solidez das suas personagens, quer pela influência do autor em trazer nesta improvável cópia comercial, num filme seu, ou seja, é como Dawn of the Dead de Romero não existisse, resultado foi um entretenimento estimulante e sangrento, um horror para adultos. No elenco podemos destacar além de mais a promissora Sarah Polley como a protagonista feminina, aí nota-se o defeito de não tentar ultrapassar esse cliché dos filmes de terror serem protagonizados por personagens femininas, mas no conjunto de outras personagens que somos confrontados com uma frescura no género; é pela solidez destas que nos fazem ao longo do filme gostar ou não gostar, odiar ou torcer, são caracteres poucos estereótipos, sem maniqueísmos de primeiro grau e todo um fundamento anti-masoquista assim dizer, porque é na aposta na humanização, nas personagens em vez das cenas de gore puro e a acção que fazem desta obra aquilo que é. Não finalizar sem apresentar uma presença forte de Ving Rhames na fita. Um dos melhores filmes de terror do novo milénio, e o mais incrível se tratar de um remake, um remake com alma!

O melhor – As personagens

O pior – não possuir a mesma mensagem que o anterior, se tratar de um filme mais comercial, bom mas comercial.

 

Recomendações 28 Days Later (2002), Dawn of the Dead (1978), (REC) (2007)

  

Dawn of the Dead” – 7 estrelas "Uma nova visão sobre o filme original, que consegue transmitir bons momentos, conseguindo dar ao público cerca de duas horas muito bem passadas. Não é tão bom como o original, mas cumpre." Ante-Cinema

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:09
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3 comentários:
De Dreamweaver a 14 de Agosto de 2008 às 22:13
Para mim, um dos melhores remakes de sempre.
Abraço


De The Nader a 16 de Agosto de 2008 às 15:59
um dos meus remakes predilectos :)


De moviesearch a 26 de Agosto de 2008 às 21:50
adorei o filme e acho que está muito bem feito


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