Data
Título
Take
9.8.08

Real.: Christopher Nolan

Int.: Christian Bale, Heath Ledger, Michael Cane, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Morgan Freeman, Maggie Gylenhaal, Cillian Murphy

 

 

The night is darkeste just before the dawn” são frases como esta que fazem antever a negrura de um dos blockbusters mais esperados de sempre (se não o mais esperado do ano) – The Dark Knight de Christopher Nolan. Para quem desconhece, Nolan não é praticamente um homem – blockbuster, não senhor, o realizador aclamado de Memento é um “fazedor de filmes”, conseguindo combinar o talento artístico numa fluidez que poderemos considerar simbiótica para com as audiências. Memento foi a sua entrada no estrelato, com uma finalidade do perplexo mundo ao contrário acessível á maior parte dos espectadores e com um dos argumentos mais entusiasmantes do final do século, seguiu-se Insónia, em que o realizador consegui provocar em Al Pacino pesadelos psicológicos memoráveis e Batman Begins, o inicio de tudo, uma reinvenção realista do herói de capa preta, por vezes maltratado no cinema. Nesse filme de 2005, Nolan com auxílio do argumentista David S. Goyer explora as origens do homem-morcego e a sua lavagem realista de influências a Frank Miller torna-o num must see do universo dos super-heróis, a sua qualidade foi discutida pelos mais cépticos e comparada com o Batman de Tim Burton, que se encontra entre uma das melhores adaptações da DC Comics. Depois de ter pausado em The Prestige – O Terceiro Passo, regressa ao “escuro mundo” do Batman naquele que já é consideravelmente o auge da sua figura – The Dark Knight.

O que poderemos encontrar neste The Dark Knight – O Cavaleiro Das Trevas? Muita, mas muitas razões para vê-lo, esta memorável aventura do herói criado por Bob Kane e Frank Foster em 1932, fica marcada pela sua extensiva campanha de “gente adulta”, desde posters arrebatadores a publicidade viral, como também e infelizmente utilizado, a aclamação do ultimo papel do falecido actor, Heath Ledger, devido a isso e não só, o seu desempenho como o vilão Joker se antevia como uma nomeação ao Óscar e um legado que irá perdurar nos próximos e longos anos. The Dark Knight de Christopher Nolan é a exploração do conceito de herói, numa metafórica filosofia embalada com o entretenimento mais entusiasmante dos últimos anos, e melhor, as suas sequências de acção são maioritariamente desprovidas de CGI, fazendo com que esta incursão de “veia realista” de Batman, seja tão credível e sem a artificialidade comum neste tipo de produções. Parece que Nolan fez mesmo um filme á moda antiga, de carácter mainstream, mas interessante o suficiente como um épico citadino. Como realizador há que meritar a sua capacidade de criar uma Gotham City viva e não muito fantástica como a dos filmes de Burton, trata-se de uma cidade como qualquer uma, com os problemas de qualquer uma e até Batman é um herói limitado, mas humano, e nesse termo que o faz superar os outros heróis da DC Comics, nomeadamente o “grande” e “invencívelSuper-Homem. Toda esta realidade crível submete a Batman numa categoria a par com outros contos de violência como The Departed ou Heat, modulando o melhor de Mann e suas outras influências. Apetece-me gritar que estamos perante um filme de descendência neo-noir pura.

The Dark Knight introduz a um mundo pós-11 de Setembro, Joker (Heath Ledger), um misterioso e bizarro homem que promete causar o caos na cidade de Gotham, este dito palhaço assassino fora contratado pelo crime organizado local para impedir a crescente onda de sensibilização que paira sobre a cidade com influências a Batman, o justiceiro que surgiu também ele misteriosamente para apoiar a lei e a confraternidade entre os habitantes. Devido a isso, Gotham City conhece outro herói, desta vez sem mascara, nem gadgets e o seu combate ao crime é um pouco mais seguido pelos regulamentos, trata-se de Harvey Dent (Aaron Eckhart), o promotor público, um homem de grande futuro para Gotham, como Gotham um grande futuro com este homem. Bruce Wayne (Christian Bale), Batman, vê nesse homem o seu descendente e decide protege-lo a todo o custo e é aí que entra Joker, com planos opostos a de Batman. Eis o clássico embate entre duas figuras tão misteriosas como capazes. Será que Batman terá que descer ao seu nível para vencer uma mente tão anárquica e negra como a de Joker?

Christian Bale veste mais uma vez a pele do milionário Wayne, ou seja Batman, a sua popularidade cresceu alargadamente desde o ultimo filme do homem-morcego, o actor predilecto de Nolan bem se esforça, mas o protagonismo cai facilmente em Heath Ledger no seu último papel, Joker. Há quem acuse que a fama desta interpretação foi influenciável com a morte prematura do actor, também sim, mas é neste Joker, fruto de grande trabalho de Ledger, que consegue destacar mesmo com o seu alto hype. Relembro que Ledger trabalhou bastante na negra composição deste vil, seguindo os filmes de Clockwork Orange de Stanley Kubrick, uma verificável fonte, e nos livros mais negros desta personagem pronto uma “pitadinha” de Saw para situar a “antiga” personagem na moda. Quanto á disputa da melhor encenação da mesma personagem, falo obviamente de Nicholson e Ledger, o primeiro que vestiu a pele do carismático “bad guy” em Batman de Tim Burton, e segundo do que se ouve o falecido actor provou ser superior em tudo em relação ao celebre actor de Shining também ele de Stanley Kubrick, nesse ponto só tenho uma coisa a dizer, ambas as incursões são da mesma personagem mas ao mesmo tempo de diferentes, Nicholson encenou a incursão mais clássica, e o seu papel era simbiótica para a caracterização de Gotham por Burton e Batman e Joker completavam-se, tal como Ledger citou em The Dark Knightyou are just a freak … like me!”. Quanto á vez de Heath Ledger, o seu Joker é uma imagem mais fiel ao mundo em que vivemos, um mundo abalado pelo terrorismo, pelo idealismo radical e neste caso pelo anarquismo, melhor adjectivo na sombria figura de Joker de The Dark Knight. Conclusão; Heath encontra-se perfeito num papel assombroso e carismático, e mesmo sendo muito cedo aclamo como uma dos melhores vilões que vi no cinema, a par com Hannibal Lecter de Anthony Hopkins e o incontornável Dark Vader da saga Star Wars.

Não é só Ledger e o seu Joker que são o homem do filme, Aaron Eckhart consegue arrepiar com a sua versatilidade e a composição de um Harvey Dent trágico e a certa altura alucinando. O seu Two Faces (Duas Caras), alter-ego de Dent é um vilão assustador e enigmático, com certeza que não possuirá o protagonismo de Joker de Ledger neste filme, mas tendo em conta que o argumento deste filme gira em volta á personagem de Eckhart, o actor de Thank You For Smoking consegue captar o requisitado e muito mais, provando ser um talento subestimado nos das de hoje. Gary Oldman e Morgan Freeman são dois actores que se encontram “bem” num filme, quer no carregamento de presença quer pela sua popularidade atractiva; Freeman é igual a si próprio, ou seja bom e quanto a Oldman, a sua personagem é deveras importante neste filme e o actor consegue segura-la sem falhas. Outro actor que fica sempre bem num filme e neste caso é a veia mais moralista e filosófica de Batman, Michael Cane na pele do fiel mordomo Alfred, enquanto nos outros filmes do herói, era sempre representado como uma personagem semi-decoratva, em The Dark Knight, tal como em Batman Begins, Alfred é de composição mais influente e afirmativa, trata-se uma parte da alma do homem-morcego. Um dos factores mais positivos nesta continuação é a mudança de Katie Holmes por Maggie Gylenhaal, a actriz compensa em melhoria a má interpretação da actriz anterior e mesmo sendo ofuscada neste filme, a sua presença num blockbuster desta envergadura poderá abrir novas portas para ela, já que se encontrava bastante limitada ao circuito de filmes indies.

Além do elenco, ainda podemos contar com um argumento inteligente, complexo e tratado com a seriedade que merece, muito mas muito longe da indigente qualidade de filmes do mesmo tipo. Christopher Nolan tem o mérito de cumprir aquilo que tem vindo a prometer, um arrebatador filme de acção, um thriller negro que o qual o seu sucesso não é descabido de todo. Não é o melhor filme do mundo, nem nada parecido, mas é sim o entretenimento mais completo dos últimos 3 anos. Um invejável blockbuster a marcar o melhor deste Verão de 2008 e o melhor filme de Batman alguma vez feito (palavra!).

Let’s put a “smile” on that face

 

O melhor – Um filme comercial que cumpre aos mais diferentes níveis

O pior – Ser aclamado como o melhor filme de todos os tempos, o que é exagerado

 

The Dark Knight” – 10 estrelas “Depois há um senhor chamado Christopher Nolan que resolveu, a par do seu irmão, escrever um dos mais brilhantes argumentos que já visualizei em película.(…) The Dark Knight" é simplesmente obrigatório. Eu irei vê-lo uma segunda vez ao cinema e, quem sabe, uma terceira. Não se estão a rir?? "Why so serious??' Cinema is My Life

The Dark Knight – 10 Estrelas- " "The Dark Knight" não é um mero blockbuster, é muito mais que isso. É não só um dos grandes filmes dos últimos anos, como também um dos melhores alguma vez feito sobre o universo dos super heróis. " Ante-Cinema

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:03
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4 comentários:
De João M. a 11 de Agosto de 2008 às 23:16
Ganda Filme!!!! 5 estrelas 10/10, n há hipotese


De Viciado Cinema a 17 de Agosto de 2008 às 00:31
Tim Burton continua a permanecer no universo das adaptações comics com as suas incursões, mas a obra de Nolan não fica atrás, o conteudo fica-se pela prolongação da acção que podia cair esparatosamente no facilitismo comercial se não fosse Ledger a cumprir o seu dever como promessa perdida.

6/10


De ArmPauloFerreira a 9 de Fevereiro de 2009 às 15:43
Muito boa review também!

Parabéns por ter conseguido captar muito bem o TDK.

É um magnifico filme, daqueles que merece mais do que lhe reservam (prémios como Oscars) e daqueles que, a par de Wall-E, fez mais pelo cinema em 2008 do que outras obras que saíram.
Este filme do Batman só é traido por ser um filme de super-heróis e muita gente não o vê para lá disso. E o caro Hugo viu...


De Gustavo a 16 de Fevereiro de 2011 às 15:51
Talvez dos poucos filmes de super-herois que realmente gosto. Aliás não penso no filme como algo do generro, mas sim numa obra á parte. Brutal


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