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6.8.08

 

“O tempo destrói tudo”

 

Irreversível de Gaspar Noé foi apresentada na edição de 2002 do festival de Veneza, em que gerou uma postura irada e chocada dos espectadores e júris nas primeiras cenas da fita. A história é quase reduzida, conta um termo de vingança em causa está uma violação de uma mulher, se esta premissa fosse exposta em narrativa básica, pouco ou nada haveria para saborear, mas felizmente a oposta narração por Noé faz que a sua visualização seja mais que uma simples experiencia artisticamente cinematográfica, trata-se de umas descidas (ou subidas) pelas consciências humanas. De início entramos num “submundo”, um inferno gelado e controverso, a câmara de Noé demora um pouco a arrancar e a sua natureza poderá trazer alguns enjoos iniciais, mas por genialidade, todos aqueles espasmos artísticos revelam numa metáfora de tempo, costuma-se dizer que depois das tempestade vem a bonança, mas na vida real não é bem assim, simplesmente depois do paraíso vem o inferno que ninguém desejaria alguma vez entrar.

 

 

Puro, duro e real; filmes como estes povoam o imaginário do cinéfilo mais atento do bom e por vezes ignorado cinema que se faz em França. É a terra do idealismo, mas também é a nacionalidade dos sem-tabus, sem papas na língua e sem medo de falar, porque filmes como estes produzidos noutro país, talvez considerado mais “civilizado” como os EUA, eram facilmente induzidos a cortes e censura, e artimanhas de formas “cativantes” ao publico em geral. Tal não acontece e o que revela aqui nesta composição de “avesso” da vida é a pura “imitação” da mesma com todas as “rosas” e “espinhos”.

 

 

Monica Bellucci e Vincent Cassel, dois dos mais versáteis actores europeus se destacam pela sua postura descontraída e tolerantemente arrojada, como também a apresentação de uma química invejável e sinonima de um paraíso intrínseco mútuo, é por estas e por outras que continuam a ser o par francês mais apetecível do dito cinema. Em suma; Irreversível pode recordar Memento de Christopher Nolan devido a sua composição narrativa, mas a diferença está na sua acessibilidade, o filme de Gaspar Noé é uma ousadia experimental em filme, as suas controvérsias transpira numa filosofia verdadeira e sem embelezamentos que fazem desta obra um filme incontornável. Uma lição singular!

 

Real.: Gaspar Noé / Int.: Vincent Cassel, Monica Bellucci, Albert Dupontel

 

O melhor – a crueza das situações e da exposição das mesmas

O pior – os espasmos iniciais da câmara de Noé

 


 

9/10

publicado por Hugo Gomes às 22:21
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2 comentários:
De André Filipe Moreira Santos a 9 de Janeiro de 2009 às 17:30
boas hugo, parabéns pelo excelente trabalho sobre cinema que tens feito. este filme é realmente fantástico, não percebo muito bem uma coisa que disses-te, primeiro dizes "...a sua natureza poderá trazer alguns enjoos iniciais, mas por GENIALIDADE, todos aqueles espasmos artísticos revelam numa metáfora de tempo" e depois dizes que o pior do filme são os espasmos iniciais... o melhor do filme é mesmo o final em que a monica bellucci se encontra no jardim e a camara roda no sentido contrário aos ponteiros do relógio,ou seja, o tempo está a andar para trás (aliás como todo o filme, já k este é contado do fim para o principio) até ao principio do universo...(k nos é mostrado quando o ecran começa a piscar em branco)... concordas comigo que é um dos finais mais geniais do cinema? abraço


De Hugo Gomes a 9 de Janeiro de 2009 às 19:48
Eu quando começei a ver o filme e ver aquela camara toda á roda, senti uns enjoezitos e já previa que não ia gostar do filme, mas felizmente revela-se numa obra maior do cienma francês, e ouve, o final é belo, concordo exactamnete contigo


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