Real.: Stanley Kubrick
Int.: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester
Para quem está um pouco mais familiarizado com o cinema em geral, então Stanley Kubrick dispensa apresentações, o celebre autor de filmes tão marcantes como Clockwork Orange, Spartacus ou Shining é único pela sua calma postura e dotado de uma percepção de um realismo plano. É a visão de um génio que infelizmente apresenta um registo de 15 filmes, mas todos eles já formados em obras-primas. Este 2001 – Odisseia no Espaço é a sua obra mais famosa, o qual o realizador se juntou forças com a criatividade inteligente e sagaz de Arthur Clarke para trazer até nós, além do título sugestivo, um reflexão quase filosófica em forma de ficção científica. Tal como título indica, o filme se relata num ano 2001 alternativo, no tempo em que o Homem conquista o espaço, esse mesmo tornou-se o seu novo lar, a tecnologia se tornou essencial para a sobrevivência e as máquinas estão cada vez mais independentes de si começando a raciocinar por elas próprias.
Ao contrário da familiaridade do space opera, o frenesim científico quase fantasioso de filmes como Star Wars e Star Trek, 2001 – A Space Odyssey é mais discreto e muito mais experimental, é fácil de perceber porquê que esta obra aborrece muita gente. Em todos os filmes, a maneira de filmar de Kubrick é paciente, um misé-en-scene criativo, lento e de narrativa mais pronta á realidade da acção, a sua premissa poderia ser contada apenas por 1 hora e meia, mas o filme prolonga-se por quase o dobro, os planos são longos e na maior parte das vezes ausentes de qualquer “manipulador”, falo obviamente da banda sonora. Mas quando esta surge, além de apresentar um dos temas musicais mais famoso da história do cinema – a da sua abertura, a sua composição musical é formada pelo tom mais clássico como o exemplo do Danúbio Azul de Johann Strauss Jr. Já que estamos a mencionar os seus valores técnicos, não podíamos esquecer de destaque os efeitos especiais bastante evoluídos para a altura.
Esta é sim, uma obra de difícil interpretação e de classificação, Arthur Clarke visiona o seu conceito de futuro alternativo nesta “clara” obra de ficção científica, mas segue mais além desse registo, aprofunda o conceito e explora as questões mais cerebrais sempre em trajectória correcta com a ciência – Donde nós viemos? Qual o nosso propósito no meio disto tudo? Para onde vamos? São perguntas que o argumento de Clarke e também de Kubrick aborda sem recorrer ao auxílio da religião ou da fé credível, mas desde já aviso, respostas não dão. Quanto a Kubrick inicia esta jornada com a representação mais assente da evolução humana que de seguida parte para um registo de pura fantasia científica, mas dentro dos parâmetros dispõe sempre realismo, e quando tudo parecia rumar para o óbvio, o autor brinca um pouco com o espectador e oferece o surrealismo mais filosófico que se pode imaginar, tornando esta Odisseia no Espaço numa Odisseia da Vida. O problema reside a quem conseguir chegar aí, porque o característico talento narrativo de Kubrick poderá afastar muita gente, sendo os seus já referidos planos e a acção nada cronometrada num registo maçudo. Mas mesmo assim esta ficção cientifica do melhor, respira á mais pura genialidade. È um crime ignorar um filme destes.
O melhor – O notório trabalho de dois autores (Stanley Kubrick e Arthur Clarke)
O pior – A sua narrativa poderá afastar muitos espectadores
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